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Movimentos de mulheres apresentam moção em favor dos rios da Amazônia e do desenvolvimento com justiça sócio ambiental

21/06/2011

Em 18 de junho, aconteceu em Santarém a Conferência Regional de Políticas para as mulheres do Pólo Baixo-Amazonas. A Conferência é preparatória à Conferência estadual e Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, e estiveram presentes movimentos de mulheres e entidades governamentais dos municípios de Santarém, Óbidos, Alenquer, Curuá, Prainha, e Oriximiná. Durante o evento, o Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense/AMB, AOMTBAM e Movimento de Mulheres Quilomblas apresentaram e aprovaram a Moção em favor dos rios da Amazônia e do desenvolvimento com justiça sócio ambiental.

 

 

MOÇÃO EM FAVOR DOS RIOS DA AMAZÔNIA E DO DESNVOLVIMENTO COM JUSTIÇA SÓCIO AMBIENTAL

                                                                                     
Santarém,  18 de Junho de 2011


Reunidas em Santarém na Conferência Regional de Políticas para as Mulheres nós mulheres feministas, quilombolas, pescadoras, indígenas, ribeirinhas, trabalhadoras do campo, da cidade e da floresta, integrantes de movimentos sociais, alertamos que nossa Amazônia corre riscos, porque se tudo sair como os governos querem, nos próximos 40 anos a Amazônia pode estar devastada pela construção de nada menos que 302 barragens. Por isso, decidimos firmar uma aliança das mulheres em defesa das águas e contra as barragens. As barragens não trazem somente prejuízo ao clima e ao meio ambiente. As barragens são parte do modelo de desenvolvimento da economia capitalista e estão a serviço do projeto da exploração das pessoas e da natureza para o enriquecimento de poucos.


Este modelo de desenvolvimento que devora os nossos rios para o lucro do mercado, transforma nossas águas, as matas, os animais em mercadoria e em nada contribui para transformar nossas vidas, ao contrário. O crescimento capitalista destrói nossos meios de vida, prejudica as condições de nosso trabalho e de autonomia econômica para as mulheres, ameaça a posse sobre nossos territórios.


Sabemos que todos os grandes projetos de infra-estrutura sempre trouxeram destruição e morte aos modos de vida dos seus povos originários e populações tradicionais em benefício de grandes grupos econômicos. A construção de hidrelétricas como a de Tucuruí, no Pará, Samuel em Rondônia, Estreito no Tocantins e Balbina no Amazonas são exemplos claros dos males que esse modelo de desenvolvimento produz.

As ameaças que vem sofrendo as populações dos rios Tapajós, Madeira, Teles Pires e Xingu também são motivos de nossas preocupações, ocasionadas pelos falsos discursos de progresso, desenvolvimento, geração de emprego e melhoria da qualidade de vida, vendidos pelos governos e consórcios das empresas em uma clara demonstração do uso da demagogia em detrimento da informação verdadeira.


O que temos visto na instalação desses grandes projetos são a expulsão de famílias ribeirinhas, quilombolas e indígenas de suas terras, desestruturando suas vidas, aumento da marginalidade, prostituição, tráfico e consumo de drogas, aumento de doenças sexualmente transmissíveis e assassinato de lideranças que denunciam os grileiros, madeireiros, sojeiros.


Temos clareza das consequências negativas para a maioria da população e muito lucro para uma minoria de beneficiados.


ASSIM DECLARAMOS E ALERTAMOS:


- A Terra, nossa casa comum, se encontra ameaçada por uma hecatombe climática sem precedentes na história. O derretimento dos glaciares dos Andes, as secas e inundações na Amazônia são apenas os primeiros sinais de uma catástrofe provocada pelos milhões de toneladas de gases tóxicos lançadas na atmosfera e os danos causados à Natureza pelo grande capital, através da mineração descontrolada, a exploração petrolífera na selva e o agronegócio.


- A Terra não nos pertence. Pertencemos a ela. A Natureza é mãe, não tem preço e não pode ser mercantilizada e não pode ser
propriedade e privilégio de alguns.


- Terra e água são bens comuns e não podem ser comercializados.


- Todo latifúndio é um crime contra a humanidade e como tal deve ser combatido.


- Reafirmamos nosso repúdio à exploração privada dos recursos naturais. .


- O direito dos povos originais de manterem suas culturas, suas identidades e seus territórios são sagrados.


- Povos indígenas e quilombolas devem ter suas terras demarcadas e juntamente com as comunidades tradicionais ter reconhecidos seus direitos


- Que Somos contra os modelos energéticos que alteram a geografia, destroem o meio-ambiente, desalojam populações, afogam culturas, gerando miséria e sofrimento.


- Que Somos contra o agronegócio e modelos que exploram a terra com o intuito de lucro.


- Que Defendemos o direito inalienável de todos os seres humanos de viverem em paz, com saúde, educação, moradia, transporte e todas as garantias para desenvolverem plenamente suas potencialidades.


- Que Lutamos por uma sociedade sem exclusões, com liberdade, justiça e soberania popular. Combatemos no dia-a-dia todas as formas de exploração e discriminação baseadas em gênero, etnia, identidade sexual e classe social.


- Reafirmamos nossa identidade amazônida através de nossas múltiplas faces, honrando a tradição e construindo o novo. Fazem parte desta identidade as línguas originais dos nossos povos e seus conhecimentos tradicionais.


Queremos Nossos Rios Vivos e Livres! RIOS PARA A VIDA E NÃO PARA A MORTE!


NÃO ÀS HIDRELÉTRICAS NO TAPAJÓS E XINGU!
As mulheres são como os rios, ficam mais fortes quando se Juntam!

 

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