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Descaso do governo continua matando índios no Brasil, aponta relatório

30/06/2011

Os índios do Brasil continuam sofrendo com o descaso dos governos. Somente em 2010, 92 crianças morreram por falta de cuidados médicos. Além disso, 60 indígenas foram assassinados, outros 152 ameaçados de morte e mais de 42 mil sofreram pela falta de assistência à saúde e à educação. Esses números fazem parte do relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – 2010”, produzido pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

 

A coordenadora da pesquisa e doutora em antropologia pela PUC/SP, Lúcia Helena Rangel, afirma que em relação aos estudos anteriores, neste ano o relatório apontou que há um aumento das violações contra os patrimônios indígenas.

 

“Tivemos um acirramento muito forte da exploração ilegal de madeira nas áreas indígenas. Particularmente, no estado do Mato Grosso e do Maranhão. No caso do Mato Grosso, temos 100 áreas indígenas invadidas por madeireiras. Isso é um vandalismo absurdo”.

 

O povo Xavante de Mato Grosso foi o que mais sofreu com a perda de crianças. Ocorreram 60 mortes das 100 que nasceram vivas. Todas foram vítimas de desnutrição, doenças respiratórias e doenças infecciosas.

 

Para Maria Lúcia, a “morosidade na regularização de terras, áreas super povoadas, populações confinadas são, entre outras, as principais fontes de conflitos e mortes”.

 

O número de mortes apontado pelo relatório mostra que houve um aumento em 513% se comparado ao de 2009. Dados do último Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que no Brasil tem 800 mil índios.

 

Já no ano passado, a doutora em Educação Iara Tatiana Bonin, caracterizou a situação no MS como racismo institucional. Lúcia Helena Rangel aponta como genocídio, pois além de emplacar o maior número de assassinatos, o estado também registra a maior percentagem de tentativas de assassinatos e demais violações de direitos, como ameaças várias e lesões corporais dolosas.

 

Os 92 casos de violência contra o patrimônio deixam claro que a situação conflituosa vivida pelos indígenas brasileiros está intimamente ligada ao modelo desenvolvimentista adotado pelo país e a falta de acesso a terra. “Mais uma vez é preciso afirmar que o pano de fundo das violências cometidas contra os povos indígenas, bem como a violação de seus direitos, é o desrespeito à demarcação de suas terras. Morosidade na regularização de terras, áreas super povoadas, populações confinadas são, entre outras, as principais fontes de conflitos, mortes e desesperança”, afirma Lúcia.

 

Por tudo isso, vale afirmar que a situação de violência contra os indígenas no país continua igual. “Continuam pregados na cruz os indígenas: violentados e assassinadas, expulsos ou fraudados de suas terras ancestrais, reduzidos a párias da sociedade, enxotados como animais, tratados como vagabundos de beira de estrada, ou então confinados em verdadeiros currais humanos, sem mínimas condições de sobrevivência física e muito menos cultural!, afirma dom Erwin Kräutler, presidente do Cimi.

 

Metodologia e propósito

 

A metodologia de pesquisa empregada é a mesma utilizada nos anos anteriores: toma-se como fonte a imprensa escrita e virtual, rádios e veículos alternativos das mais diferentes cidades, bem como os registros sistemáticos efetuados pelas equipes do Cimi espalhadas pelos 11 regionais da entidade.

Além disso, as informações provêm de relatórios policiais e do Ministério Público Federal. De acordo com Lúcia, os registros reproduzidos não esgotam todas as ocorrências acontecidas, mas indicam a tendência e as características dos ataques e ameaças que pesam sobre essa população.

 

Fonte: Radioagência NP (Danilo Augusto) / Cimi

 

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