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Evento prepara movimentos para a Cúpula dos Povos na Rio+20

04/07/2011

Representantes de cerca de 150 organizações e movimentos sociais de 27 países participaram, entre os dias 1º e de 2 de julho, no Rio de Janeiro, do Seminário Internacional por Justiça Social e Ambiental. Trata-se da preparação para a "Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental", evento paralelo à conferência, organizado pela sociedade civil. Como objetivo, a articulação política entre as entidades para se preparar para a realização da Rio+20 na cidade, em junho de 2012, quando o Brasil estará novamente no centro da discussão dos problemas ambientais.

O seminário contou com inúmeras mesas e fóruns, e uma plenária final onde foi deliberado o planejamento de atuação. O principal elemento que centrou as discussões foi a disputa política que vai ser colocada, durante a Rio+20. Movimentos sociais e ONGs afirmam que o capital já construiu consenso sobre suas políticas.

Os grandes empresários utilizaram a Rio+20 para apresentar soluções conservadoras para a crise ambiental que o planeta vive, como a do propalado mercado de carbono. Logo, caberia às organizações progressistas a apresentação de soluções mais ousadas, focadas na urgência de se buscar um outro modelo de desenvolvimento. A articulação da sociedade civil serviria, portanto, para estruturar politicamente a resistência às iniciativas de legitimação das soluções liberais para o aquecimento global. As fartas experiências de agroecologia e economia solidária, por exemplo, serviriam de base para se forjar o novo modelo. 

Durante o seminário, novos parceiros se aproximaram da articulação. Algumas representações de mandatos parlamentares estiveram presentes, bem como pelo menos oito comunidades organizadas. Segundo Fátima Melo, da Fase, toda a movimentação busca "um novo paradigma de produção e reprodução da economia.

Temos experiências de economia solidária pelo mundo afora, com o encurtamento da distância entre produção e consumo, e a relocalização da produção. Nós questionamos as teses da ‘economia verde’, do ambientalismo de mercado." A discussão sobre a reforma do Código Florestal também foi amplamente lembrada. Para as entidades, a agenda ambiental com a qual o Brasil se comprometeu internacionalmente é incompatível com o que a mudança na lei propõe. A avaliação é que o Brasil está caminhando para trás com a aprovação da reformulação do Código. Durante a coletiva de imprensa, surgiu o paralelo inevitável. A cidade que recebe a principal conferência ambiental mundial é a mesma que abrigará os Jogos Olímpicos de 2016, e a final da Copa do Mundo de 2014. Qual seria a relação entre as duas coisas? Para Marcelo Durão, da Via Campesina, as remoções de comunidades e a experiência negativa do Panamericano de 2007 não nos deixa otimistas. "A gente está percebendo muita remoção nos arredores dos estádios, nos caminhos dos aeroportos, dos hotéis. E opressão policial. Aqui no Rio, a entrada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) está sendo feita somente nesse âmbito do risco para os megaeventos. A gente não é contra as Olimpíadas e a Copa. Mas o que está vindo por trás, e o que deixa depois do evento, é muito ruim", disse. 

Brian Ashley, do Centro de Informação e Desenvolvimento Alternativo (AIDC), da África do Sul, falou da realização da Copa de 2010 em seu país. "Antes da Copa, tivemos grandes danos sociais que não foram atendidos. O desemprego chegou a 40%, e a falta de moradia era completa. Os governantes diziam que não tinham dinheiro. Para os megaeventos, de repente surgiu dinheiro. Cerca de US$ 40 bilhões foram gastos. Com a competição, nos tornamos o país mais desigual do mundo. Acho que os movimentos sociais têm que observar esse fenômeno e construir um novo paradigma", afirmou. Marta Flores, da Rede Jubileu Sul, advertiu que "temos que pensar na Rio+20 para além do contexto deste país, mas dentro de um processo global. Quanto está custando estes problemas climáticos? É o modo de produção capitalista, com suas consequências perversas, que está causando isso. São os organismos financeiros, como o Banco Mundial".

Entre os principais atores envolvidos na Cúpula é quase consenso que reformas estruturais radicais precisam ser colocadas em marcha em todo o planeta. Para eles, a crise ambiental não será resolvida com os paliativos que estão sendo propostos, mantendo o modelo hegemônico de economia. Para fortalecer a articulação, e promover a divulgação das ações, os movimentos e ONGs pretendem planejar e executar uma estratégia própria de comunicação. É consenso que os meios tradicionais vão priorizar as discussões da Rio+20, deixando a Cúpula a reboque. Portanto, a intenção dos movimentos é aproximar-se de veículos independentes, além de promover grandes atos que levem à veiculação. Após o seminário, a avaliação das principais lideranças foi positiva, e uma nova agenda para os próximos meses está se consolidando. Entretanto, também houve os que fizeram críticas, defendendo a necessidade de se buscar maior solidez nos encaminhamentos propostos nesse fórum. 

Fonte: Jornal Brasil de Fato

 

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