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Projeto incentivará, através de depoimentos, propostas de políticas de Educação de Jovens e Adultos

14/07/2011

"Voltei a estudar para seguir adiante e aprender o que não aprendi quando criança [...]. As dificuldades foram, em primeiro lugar, os meus deveres de casa, meu esposo logo ficava com raiva. Mas sigo adiante e quero seguir estudando”. É para reunir depoimentos como o da mexicana María Marina Portillo, de 84 anos, que Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE) acaba de lançar o projeto Ampliando Vozes.

 

A ideia nasceu da percepção da Clade de que, apesar de inúmeros debates e reuniões sobre Educação de Jovens e Adultos (EJA), os sujeitos da comunidade educativa não eram escutados. De acordo com Camila Croso, coordenadora do projeto, essa ação pretende difundir "a cultura de ouvir os educandos, proporcionando a eles o direito à participação”.

 

Os depoimentos podem ser enviados pelo blog Ampliando Vozes, através de texto ou vídeo. Assim como fez María Marina, que relatou, por meio de um vídeo, a trajetória que a levou à alfabetização no ano de 2001. Nos anos seguintes, ela concluiu a primária e, hoje, cursa a secundária. "Recomendo que sigamos estudando, ainda que sejamos grandes. Existem coisas muito importantes para nós”, declarou orgulhosa por suas conquistas.

 

Camila avalia que não dar voz às pessoas envolvidas nessa política é um contrassenso. A coordenadora acredita que isso estaria relacionado a uma não valorização dos sujeitos da comunidade educativa. "Se ainda há baixa participação da sociedade civil organizada, como movimentos sociais e ONGs, menos ainda da comunidade escolar”, acrescentou. Ela aponta que organismos internacionais e governos, em sua maioria, privilegiam olhar de especialistas.

 

Além de promover a cultura da participação e sensibilizar jovens e adultos a estudarem, as propostas apresentadas nos testemunhos serão sistematizadas. O objetivo é que essas sugestões façam parte de um documento que será constantemente atualizado. Camila aponta que essas serão fundamentais para ampliar a percepção da Clade sobre o tema.

 

A Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE) é uma articulação da sociedade que "atua na defesa e promoção do direito a uma educação pública e gratuita para todos e todas, de responsabilidade do Estado”. Camila Croso explica que dentre as ações propostas pelo movimento, a Educação de Jovens e Adultos é uma das prioridades de ação.

 

Educação de Jovens e Adultos na América Latina

 

Mais de 35 milhões de pessoas adultas não sabem ler, nem escrever na América Latina e Caribe. De acordo com Camila Croso, um dos avanços percebidos na região para superação do problema é a definição de marcos legal e político que reconhecem a EJA como um direito. Bolívia, Equador, Brasil, Argentina, Uruguai, República Dominicana foram os países, citados pela coordenadora, que estão caminhando nessa proposição.

 

Por outro lado, Camila adverte para questão das visões muito diferentes sobre o significado da Educação de Jovens e Adultos, dentre os países latinos. "Há visões muito reducionistas”, avalia. Para incrementar as estatísticas, os governos são levados a realizar projetos sem qualidade para cumprir metas. "Jamais o Estado deve abrir mão da qualidade para responder às estatísticas”, critica a coordenadora da Clade.

 

Ela reforça a necessidade de definir o sentido da EJA para que sejam propostas políticas públicas adequadas. Como exemplo questionável de ação, Camila Croso cita um projeto que pretende alfabetizar por meio do celular. Sendo assim, "O que se entende por alfabetização?”, questiona.

 

Para mais informações: http://www.campanaderechoeducacion.org/vocesepja

 

Fonte: Adital (Camila Maciel)

 

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