ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Pão Para o Mundo
  • REDES

    • MCCE

Há um conjunto de fatores que apontam para mudanças no modelo de cooperação, vivemos outros tempos, afirma Haddad

29/07/2011

No debate “As Organizações da Sociedade Civil e a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento – rumo a Busan”, sob a coordenação da ABONG e organizado em parceria com a Articulação D3, o educador e economista Sergio Haddad, coordenador de projetos estratégicos da Ação Educativa e presidente do Fundo Brasil de Diretos Humanos, apresentou resultados de pesquisa que realiza acerca dessa temática. “O mundo mudou, se tornou mais complexo, assim como a Cooperação. A agenda não é a mesma, e o próprio conceito de direitos humanos ganhou complexidade muito mais ampla”. Desse modo, Haddad destacou alguns dos fatores que apontam para mudanças no modelo de cooperação, dentre elas o processo de democratização da América Latina e os atuais índices de desenvolvimento econômico; disputa de recursos pelo mercado; desesperanças e problemas sociais na Europa; conservadorismo das agências católicas e refluxo do movimento ecumênico; e mudança no perfil e nas dinâmicas das agências, o que está relacionado com uma maior burocratização das atividades.

 

Haddad enfatizou que o momento histórico é outro e “não podemos pensar o presente com as referências do passado. Vivemos outros tempos, quem não olhar o futuro desta forma, ficará fora da história”. Ele contou que houve uma mudança no perfil dos/as trabalhadores/as das agências a partir de meados da década de 1990. “Eles passaram a ser menos vinculados às questões políticas. Isso vem de uma mudança na perspectiva das agências, que se pautam por uma busca de resultados e sua mensuração”.

 

Tais fatores foram elencados por Haddad em uma pesquisa que está realizando sobre essa temática. A partir de entrevistas com os primeiros oficiais de projetos e os primeiros militantes de ONGs no Brasil, tendo o tema da Educação Popular como questão de fundo, Haddad busca os fatores que levaram ao modelo de cooperação dos anos 1960 e 1970. “Com isso, podemos perceber e analisar melhor a sua sustentabilidade no longo prazo”.

 

Desse modo, Haddad iniciou sua exposição situando historicamente as características das relações internacionais no período pós Segunda Guerra Mundial. “O que havia de novo era o crescimento das organizações multilaterais”. Assim, a pesquisa trata de uma “determinada forma de relação internacional, em um determinado tempo histórico de uma determinada região para outra”, ou seja, a relação entre alguns países da Europa Ocidental e da América Latina.

 

O contexto histórico era de democratização das relações sociais e do Estado na Europa, política econômica keynesiana e de bem estar social. Na época, ganhavam destaque ainda as discussões acerca da relação entre desenvolvimento e subdesenvolvimento, o colonialismo e o imperialismo. “E é contexto de guerra fria entre dois modelos de organização da economia e sociedade e de disputa por mercados”, afirma Haddad.

 

Já a América Latina vive o período de ascensão das ditaduras militares, a resistência armada, seguida de morte, tortura, desaparecimento e exílio. Há ainda o advento da teologia da libertação e a opção preferencial pelos pobres no catolicismo, o início da atuação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e, por fim, os processos de democratização e ressurgimento dos movimentos sociais e populares. Desse modo, “falar de cooperação internacional de sociedade civil significa tratar de um modelo que nasceu nos anos 1970, cresceu na década de 1980 e já começou a dar mostras do seu esgotamento nos anos 1990. Portanto, é um período muito curto da nossa história”, explica Haddad.

 

A partir disso, a pesquisa relaciona os dois contextos, para entender como a América Latina passa a ser vista no continente europeu. “Havia denúncias de violação dos direitos humanos na mídia, presença de refugiados e de grupos de solidariedade, e até desenvolvimento de relações familiares, pois muitos dos exilados eram bastante jovens”. Desta conjuntura, afirma Haddad, “derivam inúmeras formas de cooperação, como defesa de direitos, apoio a organização popular nos mais diferentes aspectos; processos educativos e de formação política”. Com o passar do tempo, a atuação passa a ser mais temática, relacionada a formação sindical, trabalhos com meninos de rua e com questões gênero.

 

Destas características decorrem alguns modelos. A Holanda e a Alemanha organizam a política de cooperação através das agências (laicas, protestantes e católicas). “Era possível apoiar ações de cunho evidentemente opositor ou de resistência, sem afetar as relações diplomáticas e ao mesmo tempo respaldadas pela imagem das igrejas”, de modo que dentre as razões para o apoio a organizações brasileiras estava a base religiosa e a evangelização.

 

Ressalta-se que todas as 14 pessoas entrevistadas de agências internacionais no decorrer da pesquisa declararam ter morado na América Latina antes de trabalharem para a Cooperação. “Ter morado e, consequentemente, conhecer a realidade do continente, foi um fator fundamental para os trabalhos na Cooperação Internacional entre meados da década de 70 e começo dos anos 80”.

 

Tais pessoas podem ser consideradas autoras de um modelo específico e caractertístico de realizar processos de cooperação internacional. “Os contatos pessoais tinham uma importância muito grande e foi a partir de uma rede informal de contatos que os representantes das agências iam conhecendo novas organizações”. Desse modo, a autonomia dos oficiais de projetos foi fundamental nos primeiros anos.

 

Haddad observou ainda que algumas agências, em especial aquelas diretamente vinculadas às igrejas, já realizavam ações no Brasil ou América Latina, mas elas se transformaram com a estruturação de um campo mais delimitado para a cooperação. Por fim, afirmou que o trabalho de cooperação trouxe “para as agências o conceito de direitos humanos atrelados às dimensões do desenvolvimento”.

 

Serão produtos da pesquisa um artigo sobre a questão, um livro comentado sobre as entrevistas e um romance histórico.

 

PALAVRAS-CHAVE

  • PROJETOS

    • Novos paradigmas de desenvolvimento: pensar, propor, difundir

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - 01223-010
11 3237-2122
abong@abong.org.br

design amatraca