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Movimentos e moradores de Itaquera protestam contra despejos e uso de verba pública em obras da Copa

02/08/2011

Integrantes de movimentos sociais e moradores de Itaquera, na região leste da capital paulista, promoveram neste sábado (dia 30) um ato contra o uso de verbas públicas em obras para a Copa do Mundo de 2014 e as remoções que essas obras devem causar. Juntas, cerca de 300 pessoas deram um abraço simbólico na área do futuro estádio do Corinthians, local que receberá jogos do Mundial.


As obras do estádio, em Itaquera, receberão R$ 420 milhões em incentivos fiscais da prefeitura de São Paulo. O governo paulista também vai investir R$ 70 milhões na construção da arena, que será privada.

 

Para os manifestantes, a aplicação de dinheiro público na obra é um exemplo dos vários erros que o Brasil vem cometendo em sua preparação para o Mundial. “Esse dinheiro poderia ser investido em moradias, escolas e universidades”, afirmou Tita Reis, morador da região leste e membro do Comitê Popular da Copa em São Paulo.


“Nós não somos contra a Copa”, complementou Benedito Roberto Barbosa, da Central de Movimentos Populares (CMP) e também do comitê popular sobre o Mundial. “Só somos contra o que a Copa tem de errado.”


Segundo Barbosa, por causas das obras para o Mundial, milhares famílias de Itaquera serão removidas de suas casas. Muitas, por morarem em ocupações irregulares, temem não ser indenizadas por terem de deixar sua habitação.


A professora Ana Paula Cordeiro, de 31 anos, é uma das que temem as remoções. Ela mora há 11 anos em uma área ocupada de Itaquera. Nesta área, será construída uma ligação entre duas avenidas de acesso à região. Essa obra, segundo ela, ameaça casas de mil famílias. “A gente sabe que vai ter a obra, mas não sabe como vamos ficar”, reclamou Ana, durante o ato. “Tudo o que está sendo construído é a favor da Copa, nada é a favor da população.”


(Fonte: Jornal Brasil de Fato)

 

Rio de Janeiro e Manaus

 

No Rio de Janeiro, também no sábado, o ato “Você pensa que a Copa é nossa?” estava marcado para as 10h, no Largo do Machado.


Os ativistas querem denunciar a privatização do patrimônio público, o impacto das intervenções nas cidades-sede e as violações de direitos humanos que ocorrem no país em razão do megaevento, como a remoção forçada de famílias de suas casas. Além disso, chamam a atenção para a elitização do futebol e dos estádios em um processo no qual o governo federal optou por não informar e consultar a população.


Em Manaus (AM), uma audiência pública sobre a realização da Copa na cidade aconteceu em 1/8, na Assembleia Legislativa, com a participação do Comitê Popular local.


Os Comitês Populares da Copa são formados por organizações da sociedade civil e movimentos sociais locais que fiscalizam, por conta própria, os investimentos e as obras do governo federal para a Copa do Mundo brasileira.


Leia aqui especial da ABONG sobre o tema.

 

Carta Aberta à Sociedade do Comitê Popular da Copa/SP, sobre o processo de organização da Copa do Mundo, a ser realizada no Brasil em 2014.

 

O futebol deixou de ser uma saudável prática esportiva. No lugar do espírito esportivo, foram impostos à organização desse esporte uma série de interesses econômicos e políticos. Futebol virou mercadoria e sua finalidade o lucro. A entidade máxima do futebol mundial, a FIFA, tem como seu objetivo verdadeiro aumentar seu já milionário patrimônio.

 

Uma série de escândalos tornou pública a forma corrupta como essa entidade age. É nesse contexto que o Brasil vai sediar a Copa de 2014. Com superpoderes, a FIFA impôs uma série de requisitos para ser cumprido. Essas exigências fazem parte da rentabilidade que a entidade e suas empresas parceiras terão com a realização do evento. Na prática, não deixarão nenhum legado social positivo. Pelo contrário, fatos históricos (África do Sul, entre outros) apontam para outra direção.


Nós, cidadãos e cidadãs, que trabalhamos e pagamos impostos, perguntamos: é justo uma entidade corrupta ditar o quê o país deve fazer? Deve o Estado brasileiro se submeter aos seus ditames? Vale gastar tantos recursos públicos em um evento que dura apenas um mês?

 

Fica cada vez mais evidente que quem ganhará com a realização da Copa é o setor imobiliário; as incorporadoras e as empreiteiras lucrarão com as obras e serviços a serem realizados e com a especulação imobiliária. Através de seu poder econômico e político, esses setores pressionam o Estado para usufruir enormes somas de dinheiro público em benefício próprio.

 

Observamos a repetição de histórias trágicas: superfaturamentos; falta de transparência; agressões aos direitos humanos; repressão aos pobres; despejos forçados e desrespeito com a população em geral.


A Copa acelera dois processos já em curso: a repressão aos pobres e aos movimentos populares e a supervalorização fundiária. Isso em todas as cidades-sede da Copa. A Copa não pode servir de pretexto para o aumento de políticas repressivas e contribuir para o agravamento de problemas como o da moradia. Temos problemas sérios como o assassinato de jovens da periferia, principalmente de jovens negros e negras, a violência generalizada contra as mulheres, os/as trabalhadores/as formais e informais e os movimentos sociais. Cabe lembrar que, durante a Copa realizada na África do Sul, houve um grande aumento do tráfico de mulheres, crianças e adolescentes para a exploração sexual.

 

A Copa servirá para potencializar ainda mais estas formas de violência? Não podemos deixar que isso ocorra. Desde já denunciamos o turismo sexual em nosso país por causa da Copa.


Não concordamos que, sob o pretexto da realização da Copa, uma série de favorecimentos ocorra por parte do Estado brasileiro, como as licitações obscuras e a privatização dos aeroportos.

 

Também não queremos que a Copa seja a reprodução do Pan 2007, no Rio de Janeiro. O dinheiro utilizado para a realização daquele evento foi tirado da saúde, da educação, da moradia. Resultado: a falta de recursos provocou o caos nos hospitais, a epidemia de dengue e o desmoronamento de encostas.

 

No caso da cidade de São Paulo, é mentiroso o argumento de que o Estádio em Itaquera trará benefícios para toda a zona leste. O desenvolvimento da zona leste é obrigação do Estado, uma dívida histórica que este tem em prover saúde, educação, moradia, políticas para a infância e a juventude, desenvolvimento urbano e transporte de qualidade. Essas responsabilidades não devem estar atreladas à Copa, dado os interesses privados que esse evento comporta. O Estádio é importante, mas é mais do que perverso se apropriar da paixão da torcida para justificar uma obra que só trará lucros a alguns setores; que o empenho para a construção do Estádio seja maior que o empenho para a construção da Universidade Federal da Zona Leste; que seja motivo para construir mais avenidas na região, com o transporte público, inclusive o metrô, já completamente saturados.

 

Ademais, repudiamos a valorização imobiliária da região e a imanente remoção de comunidades inteiras. A população local deve ter seus direitos respeitados.

 

O Comitê Popular da Copa/SP é formado por entidades e organizações populares. Como trabalhadores/as organizados/as, temos um projeto de sociedade e de cidade diferente do que está sendo imposto. Não admitimos desrespeito às leis, acordos obscuros e violação aos direitos humanos. Contamos com o apoio de todas as entidades, órgãos da imprensa e setores da população preocupados com os rumos que a organização da Copa está tomando.

 

*Pelo fim dos despejos e das remoções!
*Por moradia digna para toda a população!
*Por políticas públicas para a população de rua!
*Por políticas públicas para a juventude!
*Pelo fim de todas as formas de violência e exploração das mulheres!
*Pelo fim da violência policial e do genocídio da população negra e
pobre!
*Por trabalho decente e salário justo!
*Pelo fim da perseguição aos trabalhadores informais!
*Por educação pública, universal e de qualidade!
*Pela universidade pública (UNIFESP - Jacu Pêssego) com cotas
sociais e raciais!
*Por transporte público, barato e de qualidade para toda a população!
*Por saúde pública de qualidade pra toda a população!
*Que todos possam usufruir o direito à cidade!
*Por uma Copa com verdadeiro legado social!
*Pela transparência e acesso à informação!
*Pelo fim da elitização do futebol!

 

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