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Movimento denuncia problemas habitacionais causados pela construção da Usina Belo Monte

11/08/2011

As obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, estado do Pará, já começaram e, com elas, o problema habitacional na região. Em Altamira (Pará), centenas de famílias já deixaram as casas onde moravam por conta da insegurança e da especulação imobiliária ocasionadas pela construção da usina.


Dion Monteiro, integrante do Movimento Xingu Vivo – Comitê Metropolitano, explica que a problemática dos sem-teto se intensificou a partir de maio deste ano. De acordo com ele, o grupo dos sem-teto é formado por famílias atingidas pela especulação imobiliária e por imigrantes que chegam à cidade em busca de emprego. "O grupo de sem-teto tem várias famílias que não conseguiram mais pagar o aluguel e àqueles que chegaram em Altamira e não têm onde morar”, comenta.


De acordo com o integrante do Movimento, existem proprietários que aumentaram em 300% o valor do aluguel por conta da especulação imobiliária provocada pela construção de Belo Monte. "Há caso de o proprietário cancelar o contrato, chegar a pagar multa pelo cancelamento, para poder alugar por preço maior para a Norte Energia [consórcio formado por diversas empresas que atuam na construção da hidrelétrica]”, conta.


A imigração também já é uma realidade no município. Segundo Dion, cerca de 20 mil pessoas já chegaram à região em busca de emprego nas obras. Entretanto, nem todas conseguem moradia e vão para áreas periféricas da cidade, o que gera outros problemas sociais a até ambientais. Outras aumentam as cifras dos sem-teto.


Além desses dois grupos, Antonia Melo, também integrante do Movimento Xingu Vivo, lembra que muitas famílias já saíram de suas casas na periferia da cidade por conta da insegurança. De acordo com ela, essas pessoas moravam em áreas que serão alagadas com a construção da usina e preferiram já sair de lá por medo. "Isso tudo está acontecendo sem que nenhuma autoridade tome consciência disso. Ninguém faz nada. Isso que é o mais revoltante: o silêncio das autoridades”, desabafa.


Dion observa que o grupo de sem-teto está crescendo de forma rápida, realidade que antes não existia no município. A problemática da habitação, segundo ele, ainda se une a outros problemas também intensificados por conta das obras, como trânsito, infraestrutura para saúde, e questões sociais e até ambientais.


O integrante do movimento explica que a falta de moradia tem levado muitas famílias a desmatarem algumas áreas para construir casas. Ao mesmo tempo em que chegam novos moradores em busca de emprego, grandes redes de supermercados e farmácias também começam a chegar à cidade, gerando um problema para os pequenos comerciantes. "Alguns [comerciantes] já até fecharam [os estabelecimentos]”, comenta.

Despejos

 

Sem ter onde morar, famílias sem-teto buscam áreas desocupadas da cidade para ficar. Entretanto, muitas delas já sofreram ações de despejo. Dion Monteiro, integrante do Movimento Xingu Vivo – Comitê Metropolitano, revela que cerca de 300 famílias de Altamira já foram despejadas.

 

A ação mais recente ocorreu na terça (9) e quarta-feira (10) desta semana. De acordo com nota divulgada hoje (11) no sítio do Movimento Xingu Vivo para Sempre, as famílias atualmente estão acampadas em frente à sede da prefeitura de Altamira demandando uma resposta do poder público para o problema de moradia na cidade.

O despejo desta semana não foi o primeiro sofrido pelas famílias sem-teto em Altamira. De acordo com Dion, já houve ações anteriores de desocupação de áreas pertencentes a políticos e a Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte). "As primeiras desocupações foram com agressão, com a utilização de bombas de efeitos moral”, relata, destacando que muitas retiradas não tinham autorização judicial.


Assim como Antonia Melo, integrante do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Dion Monteiro reclama da ausência de ações por parte das autoridades. "As retiradas acontecem por força policial e sem informação para onde as famílias poderiam ir, não há políticas públicas”, critica.

Fonte: Adital, por Karol Assunção

 

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