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Manifestantes detêm representante da Casa Civil em Altamira em protesto contra o governo

02/09/2011

Denominado Acampamento Xingu 2011 - O despertar para novos tempos, o movimento promovido pela Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP) e pela Federação dos Trabalhadores em Agricultura (Fetagri) regional teve início em 29 de agosto e terminou nesta quinta-feira, 1º de setembro, em Altamira (PA).

 

Mais de 2.000 agricultores e representantes de associações e cooperativas rurais de 11 municípios que formam a área de influência da hidrelétrica de Belo Monte participaram de passeatas e atos simbólicos. Na tarde do dia 29, os manifestantes fizeram uma caminhada no centro da cidade, chamando atenção para suas reivindicações.

 

Na manhã da terça-feira (30) por volta das 9h agricultores interditaram, a Rodovia BR 230, a Transamazônica, na altura do quilômetro quatro, no trevo que dá acesso a Vitória do Xingu e Belo Monte, sentido Altamira- Marabá, erguendo o acampamento. O local escolhido foi estratégico, a fim de impedir o acesso das máquinas e trabalhadores ao canteiro de obras da usina.

 

 

Agricultores ocupam parte da Transamazõnia impedindo acesso ao canteiro de obras de Belo Monte

 

Segundo João Batista Uchôa, coordenador do movimento, a ação é pacífica e quer chamar a atenção dos governos federal e estadual para a situação de descaso que ocorre em Altamira e na região de influência direta da usina, “as obras da hidrelétrica estão a todo vapor, mas a pauta do movimento social que já vem sendo discutida ha 20 anos, não consegue avançar”, disse.

 

Os compromissos do Governo Federal e Norte Energia com a preparação e desenvolvimento da região não saem do papel, aumentando o caos regional em vez de zerar a divida histórica que o Estado brasileiro tem com a região. Mais de 90% das condicionantes que deveriam ser prévias à licença de instalação do emprendimento não foram cumpridas.

 

O movimento exigiu a presença de autoridades do primeiro escalão dos governos federal e estadual em Altamira, para garantir a negociação da pauta estabelecida para o ato que discute cinco eixos temáticos: questão fundiária, infraestrutura, desenvolvimento urbano, estratégias produtivas, políticas sociais e gestão ambiental.

 

Devido à ausência de ministros, os trabalhadores decidiram ocupar a sede do Incra em Altamira, no final da tarde desta quarta-feira (31/8), detendo em seu interior os representantes da Casa Civil, Johannes Eck, do Ministério do Meio Ambiente, Paulo Guilherme, a Superintendente do Incra no Oeste do Pará, Cleide de Souza entre outros. Eles permaneceram na sede da instituição a noite toda até ontem pela manhã (1/9).

 

A sede do Incra só foi desocupada depois que os agricultores e lideranças conseguiram agendar uma reunião e formar uma comissão para ir à Brasília apresentar suas reivindicações à ministra do Planejamento, Miriam Belchior e outras autoridades federais. Elas deverão ocorrer no próximo dia 6.

 

O acampamento encerrou-se ontem quando os agricultores seguiram em caminhada até a sede da Funai, onde queimaram um caixão, como protesto simbólico pela forma como órgão vem atuando em Altamira. Na frente da sede do Ibama, os agricultores também protestaram queimando outro caixão.

 

 

Em ato simbólico manifestantes queimmam caixão no pátio do Ibama de Altamira

 

A organização do acampamento divulgou alguns números para mostrar o descaso dos governos com a região. Em relação ao programa federal “Luz para Todos”, somente 40% da região foi atendida. Dentro do Pará, a BR 230 com 976 quilômetros entre Marabá e Itaituba, tem 726 km contratados para o asfaltamento. Os outros 250 km ficaram de fora - entre Medicilândia e Rurópolis. Os trechos contratados estão sendo executados com lentidão, devido a problemas com licenciamento da obra e a retirada de materiais.

 

No que diz respeito aos assentamentos rurais, eles não têm licença ambiental o que impede o acesso ao crédito dos clientes da reforma agrária. Além disso, os mais de 25 mil quilômetros de estradas vicinais e ramais dos 11 municípios da região da Transamazônica e Xingu, não tem verba pública destinada para abertura e manutenção, uma vez que os governos não se entendem em relação a responsabilidade dessas estradas.

 

Além desse outros protestos ocorreram na região. Ontem mais de 300 agricultores de uma das áreas que será alagada pelo reservatório de Belo Monte se reuniram com o procurador do Ministério Público Federal, Felício Pontes, o defensor Público Dr. Fábio Rangel, o Gerente Assuntos Fundiários da NESA, Arlindo Gomes de Miranda e diversas outras autoridades para manifestarem sua revolta em relação à maneira como o processo de desapropriação está sendo conduzido.

 

Fonte: Instituto Socioambiental (Francinaldo de Lima e Elisangela Trzeciak)

 

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