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Fazendeiros destroem aldeia e expulsam indígenas Guarani-Kaiowá

08/09/2011

Fazendeiros da região de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, atacaram violentamente, na última segunda-feira (05), mais de 125 famílias de indígenas Guarani-Kaiowá, que haviam retomado suas terras tradicionais no dia 9 de agosto e estabelecido no local a aldeia Pyelito Kue/Mbarakay.

 

Segundo relatos dos indígenas, os fazendeiros, fortemente armados, expulsaram os indígenas com extrema violência, destruindo as barracas e expulsando as famílias para a margem de um rio próximo a uma estrada da região. Vários indígenas ficaram feridos.

 

O ataque dispersou a comunidade. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário, alguns resistem na área, sob risco de novas agressões, enquanto outros continuam escondidos na mata, sem acesso à comida.

Os indígenas denunciam que, desde a ocupação da região, têm sido freqüentes os ataques por parte dos empregados das fazendas, que durante a noite circundavam as barracas e atiravam para o alto, além de fazerem ameaças.

 

No dia 23 de agosto, os indígenas também foram atacados por fazendeiros da região. A agressão resultou em vários indígenas feridos, alguns de forma mais greve, como Silvio Benites, Luiz Velario, Ramão Fernandes e Arturo Fernandes, de 78 anos.

 

De acordo com nota divulgada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), “os Guarani-Kaiowá entraram em contato com a coordenação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), responsável pela área, mas tiveram resposta de que a instituição não dispunha de carro e combustível para ir ao local prestar assistência aos índios, que além das agressões sofrem com a falta de alimentos e assistência médica”.

 

O Ministério Público Federal (MPF) promete acompanhar o caso. Depois do ataque, uma equipe do órgão esteve no local, onde foram encontrados cartuchos de bala de borracha de calibre 12.

 

Já no dia 13 de agosto, indígenas Guarani-Kaiowá que ocupavam uma área entre as fazendas Maringá e Santa Rita, tiveram seu acampamento destruído por homens encapuzados e armados. Depois do ataque, as famílias tiveram que se esconder na mata para fugir dos pistoleiros, que continuavam cercando o local. A área onde os indígenas estavam acampados fica próxima à aldeia Pyelito Kue/Mbarakay e também é reivindicada pelos indígenas como Tekoha (terra tradicional).

 

Fonte: Brasil de Fato (com informações da Apib e do Cimi)

 

 

Para saber mais sobre a luta dos Guarani-Kaiowá, assista “À sombra de um delírio verde".


Sinopse

Na região sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, a etnia indígena com a maior população no Brasil luta silenciosamente por seu território para tentar conter o avanço de poderosos inimigos. Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, em acordo com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível “limpo” e ecologicamente correto. Sem terra e sem floresta, os Guarani Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho. Na linha de produção do combustível limpo são constantes as autuações feitas pelo Ministério Público do Trabalho que encontram nas usinas trabalho infantil e escravo. Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros.

 

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