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FSPA: Nota de repúdio à violência policial contra a marcha indígena em defesa do TIPNIS

27/09/2011

Os indígenas do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), na Bolívia, estão marchando há mais de um mês contra o projeto que pretende construir uma rodovia de 306 quilômetros, ligando Beni a Cochabamba e atravessando o parque nacional, ocupando e degradando a área dos povos Chimán, Mojeño e Yuracaré. A marcha saiu de Trinidad e pretendia chegar a La Paz, passando por um caminho de mais de 600 quilômetros.

 

No dia 25 de setembro, ela foi reprimida violentamente pela polícia, que deteu vários dirigentes indígenas na luta por seus direitos. O presidente Evo Morales anunciou na segunda-feira (26/09) a convocação de um referendo como resposta aos protestos. Porém, a resposta é incoerente com a consulta livre, prévia e informada exigida pelos indígenas e de acordo com a Constituição Política da Bolívia.

 

O Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA) divulgou uma nota de repúdio à violência policial sofrida pelos indígenas. Confira abaixo.

 

Com informações do Instituto Socioambiental e da Rede Brasil Atual.

 

 

FÓRUM SOCIAL PAN-AMAZÔNICO (FSPA)

NOTA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA A MARCHA INDIGENA EM DEFESA DO TIPNIS

 

O Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA), coletivo composto por mais de 50 organizações e movimentos sociais do Brasil, Peru, Estado Plurinacional de Equador, Estado Plurinacional de Bolívia, Colômbia, República Bolivariana da Venezuela, República Cooperativa da Guiana, Suriname e Guiana, repudia veementemente a violenta, covarde e brutal agressão que as forças policiais bolivianas cometeram contra os indígenas do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS).

Há mais de 40 dias estes indígenas encontram-se marchando em defesa de seu território, ameaçado pelo governo boliviano e pela empreiteira brasileira OAS, que querem construir uma rodovia que passará por dentro daquele parque sem o consentimento das comunidades que o habitam. A intenção dos manifestantes é ir de Trinidad até La Paz, exigir que o presidente Evo Morales escute as populações que serão impactadas.

Não é de hoje que governos latinoamericanos servem para implementar as agendas das grandes corporações, nacionais e internacionais, sem se preocupar com o que pensam ou sofrem os povos, em especial, os povos indígenas. Em nome de um desenvolvimento que já destruiu mais de um terço de todos os recursos naturais do planeta, destroem-se florestas, rios, vidas.

Reafirmamos que o direito dos povos originários de manterem suas culturas, suas identidades e seus territórios, é sagrado. Povos indígenas e quilombolas devem ter suas terras demarcadas e juntamente com as comunidades tradicionais ter reconhecidos seus direitos à autonomia e ao auto-governo sem que isto signifique separatismo ou cisão do território nacional. Isto significa que nenhum projeto pode ser implantado sem o prévio consentimento das comunidades que vivem nestes territórios. Somos contra megaprojetos que alteram a geografia, destroem o meio-ambiente, desalojam populações, afogam culturas, gerando miséria e sofrimento. Somos contra o agronegócio e modelos que exploram a terra apenas com o intuito de lucro. Defendemos o direito inalienável de todos os seres humanos de viverem em paz, com saúde, educação, moradia e todas as garantias para desenvolverem plenamente suas potencialidades.

O que aconteceu no dia 25 de setembro não pode ser de forma nenhuma aceito. Nada justifica a violência que irmãos e irmãs indígenas sofreram. Certamente todos os abusos e autoritarismos serão mundialmente denunciados.

Exigimos que todas as mulheres e homens presos sejam imediatamente libertados. Que nenhum deles seja processado por ter se defendido dos violentos ataques que sofreram. Que nenhum deles seja criminalizado por lutar pela justiça, pela igualdade, por uma forma de viver que não leve ao fim do planeta.

O FSPA está ao lado de todos aqueles que lutam por um TIPNIS livre da opressão e ganância do capital. Esta luta não pode e não deve ser interrompida.

 

VIVA O TIPNIS LIVRE!

VIVA A PAN-AMAZÔNIA LIVRE!

 

 

Belém, 26 de setembro de 2011

 

COMITÊ DE ARTICULAÇÃO DO FSPA

 

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