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Resposta à Veja: não se fará democracia sem as ONGs

10/11/2011

Waldir Mafra, gerente da Care Brasil e Diretor Regional de São Paulo da Abong, faz análise sobre matéria publicada nesta semana na Revista Veja sobre as ONGs. Leia:

 

Como era de se esperar, a matéria da Veja, ao não dizer nada, acaba dizendo o que não nos favorece. Diz o óbvio quando afirma que ONGs honestas estão sofrendo as conseqüências da falta de controle do governo sobre o erário. No entanto, não diz que este (o governo) deveria fiscalizar não somente os convênios com as entidades sem fins lucrativos, mas todo e qualquer tipo de repasse de recursos do tesouro seja a que título for. Afinal, o recurso é público e estatal, não pertence ao governo, que é somente administrador e tem obrigação de custodiá-lo com o rigor que merece.

 

Não existem ONGs do bem e ONGs do mal. Existem ONGs, aquelas que cumprem seu papel na sociedade defendendo direitos, apontando injustiças, denunciando desvios, sendo porta vozes da democracia e há, claro, instrumentos criados com fins espúrios, abertos com a finalidade de favorecer seus criadores. Estas, não são ONGs, são subterfúgios legalizados para o bem das falcatruas e do sistema corrupto montado e admitido há 500 anos neste país.

 

Os embriões das ONGs não foram as Igrejas, foram os movimentos sociais reivindicatórios que, em muitos casos, eram apoiados pela Igreja, e nasceram pela indignação de boa parte da população com os anos de ditadura militar e em prol de uma sociedade mais justa e solidária. É verdade que entidades sem fins lucrativos há muito dedicam tempo e recursos com fins assistenciais, e essas têm muito valor, mas dizer que as ONGs foram criadas por fiéis que saíram das Igrejas para cuidar de asilos e hospitais é reduzir a luta histórica dos movimentos sociais em prol de seus legítimos direitos humanos; assistencialismo é uma coisa, emancipação é outra. O que as ONGs defendem é um país justo, solidário, país de oportunidades para todos e todas, que respeite os direitos de seus cidadãos e cidadãs, é um país democrático até as últimas conseqüências e, é claro, não se pode imaginar uma democracia sem participação da sociedade civil, e as ONGs são parte indispensável dessa sociedade organizada. Não se fará democracia sem elas.

 

A matéria peca também de forma criminosa quando diz que os governantes viram nas ONGs um jeito mais barato e eficiente de lidar com os problemas que eles mesmos não conseguem resolver. Este é outro reducionismo. As ONGs, como já foi dito, são patrimônio da democracia, são elas que atuam onde o Estado não está. Sem as ONGs não há participação efetiva, pois é através delas que chega ao Estado a voz e a vez de quem não as têm. Não são mais baratas, nem se prestam a fazer o que o Estado deveria fazer.

 

Faltou dizer ainda que as ONGs, ao defenderem os Diretos Humanos e a Democracia, são aquelas que mais vociferaram historicamente contra a corrupção da qual agora são acusadas, essa mesma corrupção que destrói sonhos e oportunidades, que mancha vergonhosamente a utopia democrática, que nos empurra para trás e nos coloca nos últimos lugares no rol de países em que se pode confiar e acreditar que será, um dia, uma nação que respeita e ama seus filhos e filhas.

 

As ONGs (as ONGs) nasceram e, teimosamente, continuam existindo por acreditar na verdade e na ética. Qualquer outra coisa que não tiver como princípio a ética e a verdade será algo diferente. Não será uma ONG.

 

 

 

 

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