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Fórum critica insinuação de que imigrantes haitianos deveriam se submeter a teste de HIV

24/02/2012

Uma matéria publicada no dia 27 de janeiro deste ano, no Portal de Notícias G1, gerou descontentamento e preocupação por parte de ativistas do Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo (Brasil). A matéria, intitulada ‘Morte de haitiano com HIV deixa saúde pública em alerta no Amazonas’ afirma que a chegada de haitianos e haitianas à Amazônia pode fazer subir o índice de contaminados por HIV/Aids e sugere a realização do teste de HIV nos imigrantes haitianos.


A matéria informa que um haitiano contaminado com o vírus HIV morreu depois de uma viagem exaustiva até chegar a Manaus, região Norte do Brasil, e que um casal de mesma nacionalidade estaria internado, sendo que o homem estava em estado mais grave e a mulher havia apresentado melhoras.

 

Graça Alecrim, diretoria da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT/AM), comentou o caso ao Portal de Notícias afirmando estar preocupada com o avanço do HIV no Estado, onde a situação já é preocupante e pode piorar, caso não sejam tomadas medidas eficazes.

 

O secretário de saúde do Estado, Wilson Alecrim, também foi procurado e informou que pedirá ao Governo Federal verbas para reforçar a compra de insumos para o diagnóstico e tratamento do HIV e de outras doenças como cólera, febre amarela e sífilis, comuns na população do Haiti.

 

Após tomarem conhecimento da notícia, ativistas do Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo se manifestaram, por meio de carta ao Senador Eduardo Braga, reprovando a realização do teste de HIV em haitianos/as que estejam imigrando para o Brasil.

 

"Com efeito, insinua-se que seria adequado fazer o exame de HIV com os imigrantes haitianos, o que significaria um retrocesso enorme da política brasileira. Identificar assim haitianos com portadores do HIV. Ao mesmo tempo trata as pessoas com HIV como ameaça para a saúde na Amazônia. Porém, cabe lembrar que o aumento da incidência de Aids neste estado é anterior”, diz o documento.

 

A carta lembra às autoridades governamentais que a situação alarmante referente a novas infecções no Estado data de antes da chegada de imigrantes haitianos à região. Em 2009 foram registrados 1053 casos e em 2004 este número já havia duplicado.

 

Os ativistas também se remetem aos primórdios da Aids, quando se falava nas populações que formavam os"quatro H” e que seriam responsáveis pela epidemia (hemofílicos, heroinómanos, homossexuais e haitianos), fato que marcou com preconceito o Haiti. Por isso, as ONGs chamam as autoridades nacionais e locais a respeitarem e prestarem solidariedade a um povo tão sofrido e que percorre um longo e perigoso trajeto até conseguir chegar ao Brasil.

 

Jorge Beloqui, ativista do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e conselheiro Político do Fórum ONG Aids do Estado de São Paulo, disse que a notícia causou preocupação.

 

"A notícia ficou como algo anti-haitiano e parece que todos deste país têm HIV e ainda mais que as pessoas portadoras de HIV/Aids são piores do que as outras ou são perigosas. Ao escrever a carta quisemos sublinhar que é inadmissível essa fobia, que as medidas de prevenção são conhecidas e o que o Estado do Amazonas precisa prestar mais atenção à saúde pública de forma a atender seus habitantes e também os estrangeiros”, criticou, lembrando que discriminação é diferente de atenção à saúde pública.

 

Jorge disse ainda acreditar que o Brasil não irá chegar ao ponto de exigir teste de HIV para os estrangeiros haitianos ou outros imigrantes, pois é contra esta atitude, desde quando sua população, ao chegar aos Estados Unidos, era obrigada a marcar em um formulário se tinha ou não HIV.

 

Contexto

 

Nos últimos anos tem sido crescente a chegada de haitianos e haitianas no Brasil através das fronteiras da Amazônia. Após o terremoto que abalou o país caribenho em janeiro de 2010, que vitimou mais de 200 mil pessoas, o país segue em crise e ocupado por uma missão de estabilização da Organização das Nações Unidas, liderada pelas tropas brasileiras. Moradia, emprego, saúde, são muitos os problemas que continuam sendo enfrentados pelo povo haitiano.

 

Fonte: Adital, por Natasha Pitts

 

 

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