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Cadernos de Crítica Feminista - Silvia Camurça: ‘Nós Mulheres’ e nossa experiência comum

07/03/2012

A partir desta semana do 8 de março, passaremos a disponibilizar, em nosso portal, artigos de integrantes da equipe do SOS Corpo, extraídos dos Cadernos de Crítica Feminista. Iniciamos com um texto de Silvia Camurça, publicado na edição número 0 dos Cadernos, que foi impressa em dezembro de 2007.

 

‘Nós Mulheres’ e nossa experiência comum

Silvia Camurça *

 

“Um movimento não consiste apenas em avançar por um caminho, mas em traçar esse caminho; a cartografia da opressão e o desenho da libertação nunca estão terminados”. [Christine Delphy]

 

Em seu instigante artigo – “Para redescobrir o feminismo” - Christine Delphy analisa o difícil contexto que o feminismo enfrenta, nos dias de hoje, na França: “os ataques masculinistas, a reação adversa ideológica, a má vontade política, a repetição insistente do mito da igualdade já conquistada”. Entre as questões organizativas do movimento apresentadas por Delphy, neste artigo, uma tarefa por ela apontada me parece central também para o feminismo no Brasil: a tarefa de “mobilizar as mulheres conscientes de sua força de oprimidas” (Delphy, 2004).

 

Para ser um texto do séc. XXI, a proposição de Delphy poderia parecer redundante, afinal esta é a razão de ser de todo movimento social. Mas, no caso do feminismo, esta proposição toma uma dimensão de resistência contra-hegemônica. Pois, ao contrário do senso comum e do pensamento pós-moderno, Delphy nos convoca a seguir fazendo feminismo, mobilização e, como muita de nós, reconhece que segue havendo opressão das mulheres. Trata-se mesmo de re-descobrir o feminismo como movimento social.

 

Se o feminismo instituiu as mulheres como sujeito político (Ávila, 2005), a arena política mantém-se sob controle dos homens e não nos acolhe como tal. Se cada vez precisamos de mais mulheres em movimento, continua sendo necessária a tomada de consciência sobre as novas e velhas formas de dominação das mulheres. É sobre este ponto que pretendo deter minha atenção, a dimensão pedagógica deste desafio político. Sim, pois o feminismo, como todo movimento social, tem um desafio político e pedagógico, o desafio da formação. A tomada de consciência sobre a própria opressão e exploração é resultante, e pressuposto, do processo de formar-se mulher feminista. Sem o que, não há movimento.

 

Não farei, entretanto, uma discussão sobre métodos de formação. Penso que o desafio maior, hoje, concentra-se no marco teórico referencial para a formação feminista, uma vez que os referentes do feminismo dos anos 1970 foram, há algum tempo, postos em questão. Refiro-me a uma vertente importante da nossa formação – feministas brasileiras – que está ancorada na prática da reflexão coletiva sobre a experiência de ser mulher sob o sistema patriarcal. Nesta proposta a reflexão coletiva, o processo de mobilização e tomada de consciência da própria opressão, realiza-se no encontro de dois vetores principais, ainda que não sejam os únicos. O esforço de elaboração coletiva para uma explicação sobre a situação das mulheres, associado ao esforço de pensar e repensar as formas de ação coletiva do movimento para superar esta situação.

 

Com este desafio, a práxis educacional feminista confronta-se a cada novo encontro de formação, a cada palestra, vídeo, intercâmbios e literaturas que produz. Um desafio permanente na formação feminista e tão desafiante hoje, quanto nos primórdios do movimento, embora por razões distintas.

 

No presente, percebo duas questões problematizadoras que desafiam o feminismo em sua práxis educacional. Formulo estas questões nos seguintes termos:

 

I- Como compreender e interpretar as mulheres em suas singularidades? Em tempos de políticas identitárias é possível tomar as mulheres como uma unidade de análise?

 

II- Como organizar a ação do movimento frente às múltiplas problemáticas que nós, mulheres, vivenciamos? É possível ao movimento, hoje tão múltiplo, ter unidade em torno a prioridades?

 

Não tenho as respostas, mas algumas pistas venho amadurecendo e ouso, neste artigo, apresentá-las como possibilidades de respostas. Defendo o uso da categoria mulheres e apresento sugestões para um referencial explicativo comum, seguramente não universal, que podemos adotar para promover a reflexão coletiva sobre o contexto da vida das mulheres no Brasil. Com um referencial explicativo comum, possivelmente poderemos encontrar convergências e pontos de unidade entre os diferentes movimentos de mulheres que fazem o feminismo brasileiro.

 

Ler artigo na íntegra

 

(*) Silvia Camurça é socióloga e educadora, integra a equipe do SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia. Atualmente está na coordenação executiva nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras.

 

 

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