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8 de março - nota da Articulação de Mulheres Brasileiras

12/03/2012

AMB - Articulação de Mulheres Brasileiras - 8  DE MARÇO DE LUTAS

 

Neste 8 de março, dia mundial de luta das mulheres, nós que fazemos a Articulação deMulheres Brasileiras em cada canto deste país, vimos, nesta Nota Pública, dizer de  nossa firmedisposição para seguir na luta feminista antirracista, em favor da autonomia e da liberdade paratodas as mulheres do nosso país e do mundo.Vivemos um contexto de criminalização das lutas e de ameaças às conquistas dos movimentossociais, e enfrentamos a reação conservadora contra os avanços e conquistas das mulheres.

 

Nestes primeiros meses de 2012, denunciamos novos ataques à autonomia de nós, mulheres, eestamos resistindo às tentativas de mais controle do Estado sobre nosso corpo, através docadastro compulsório de controle das gestantes. Nosso direito à autodeterminação reprodutivaestá ameaçado. Queremos a revogação da MP 557 e medidas efetivas para garantir a saúdereprodutiva das mulheres. A exploração de nosso corpo cresce na propaganda e na mídia. A violência sexual torna-seatrativo de programas de TV. A medicina estética segue acumulando seus lucros com amanipulação do corpo das mulheres em função de um único padrão de beleza, racista eburguês.  Seguimos sendo violentadas pelos homens, em períodos de paz e de guerra.

 

Nas cidades, nas florestas e no campo, no Brasil e no mundo, nas famílias, na rua, no trabalho,afirmamos: temos direito a uma vida sem violência. Temos direito ao nosso corpo.Vivemos um contexto de desenvolvimento predador da economia capitalista, que avança emformas renovadas de exploração do meio ambiente e das pessoas, destruindo vidas emercantilizando os bens comuns da natureza. Avançando sobre as terras, mares, rios, fontes eflorestas, concentrando terras, fortalecendo os monocultivos e escolhas insustentáveis deprodução de energia, como os combustíveis fósseis.

 

Um contexto de consumismo cada dia maior, que reduz o prazer ao ato de possuir, que torna tudo e todas/os descartáveis, queempobrece nossa humanidade. Lutamos por justiça socioambiental. Queremos o direito aalimentos saudáveis, produzidos em relações de trabalho justas, em formas solidárias ecooperadas. Temos direito a ser gente e não objeto ou mercadoria.Vivemos um contexto de avanço das empresas privadas sobre os recursos públicos, e deretração dos investimentos sociais, com corte orçamentários. Estados são empurrados paracrises pelo poder do capital financeiro, governos tornam-se reféns da dinâmica das bolsas devalores, das políticas cambiais.

 

Territórios inteiros de povos e populações são destruídos e aspessoas desalojadas para dar lugar a empreendimentos imobiliários, hidrelétricas, usinas,fábricas. Queremos a soberania das populações sobre o futuro de seu território. Queremosmais investimentos públicos em saúde pública, mais investimentos públicos em educaçãopública, mais investimentos públicos nas políticas públicas de proteção social, e o fim deisenção fiscal para empresas que violam os direitos trabalhistas, que agridem o meio ambiente,que discriminam as mulheres e superexploram nossa força de trabalho.

 

Neste ano eleitoral, enfrentaremos mais uma vez a resistência de políticos de carreira elideranças partidárias ao avanço da participação das mulheres na política, muitas vezes, impondo limites à organização das mulheres dentro de seus próprios partidos. A lei de cotaseleitorais não é cumprida. As propostas de paridade na política são rechaçadas no CongressoNacional. Os partidos seguem bloqueando candidaturas femininas ou manipulandocandidaturas de suas próprias militantes, no mais das vezes, sem compromisso efetivo com aeleição de mais mulheres. Seguimos sobrecarregadas com a dupla jornada, com menoressalários e sem creches acessíveis, ou seja, com as dificuldades de sempre em relação ao tempo ea condições de trabalho e de participação política.

 

Nas próximas eleições, antevemos os ataques que os fundamentalistas religiosos farão contranossa liberdade, fazendo da problemática do aborto instrumento de chantagem e de pressãosobre as/os candidatas/os visando mais poder para grupos religiosos na política. Queremos um Estado laico, regido pelas leis criadas pelos homens e mulheres, sem imposições de verdadesuniversais de qualquer religião sobre as pessoas. Queremos uma cultura política libertária,democrática, sem preconceitos, sem ódios, sem a criminalização das mulheres acusadas deserem 'O' mal. Queremos debate honesto, com base em informações corretas e não emdiscursos levianos e conservadores, que humilham as mulheres. Queremos eleições livres dopreconceito de raça, eleições livres de lesbofobia e homofobia. Livres do domínio do podereconômico.

 

Este ano, e por toda nossa vida, seguiremos na luta feminista, na casa, na escola, no trabalho ena política. Sempre buscando juntar a nossa força com a força das companheiras de todos osmovimentos sociais que lutam contra o patriarcado capitalista e racista. Por autonomia eliberdade para todas as mulheres.

 

AMB-Articulação de Mulheres Brasileiras, 8 de março de 2012.

 

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