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Militante do MST fala sobre execução em Bragança (PA)

10/09/2010

Jose Valmeristo Soares, o Caribe, uma das lideranças do acampamento Quintino Lira, foi assassinado na sexta feira dia 03 de setembro. Segundo lideranças do MST no PA, a três anos, tanto Caribe, quanto outras lideranças do Acampamento, vinham sofrendo ameaças por parte  dos donos da Fazenda Cambará, Deputado Federal Josué Bengstson (PTB), hoje candidato a Câmara Federal, e seu filho Marcos Bengstson, descrito pelas lideranças do movimento como o “gerente” da fazenda.

 

O FAOR em Foco conversou com João Batista Galdino – Sobrevivente da execução em Santa Luzia , e transcreve abaixo o seu relato sobre os fatos.

 

“Nos recebemos uma intimação (trata-se de uma ação que o MST move contra a PM do Pará por um despejo ilegal realizado no acampamento) na quarta feira para comparecer na sexta feira em Santa Luzia (PA) às 09 da manhã. Quando foi na sexta feira, nos saímos (Caribe e eu)  por volta de 7h30 do “Pau de Remo”. Quando chegamos na Bela vista, o carro do pistoleiro, o carro do Marcos  Bengstson tava lá na Bela Vista. Fizeram o retorno e acompanharam  a gente. Chegou lá numa ponte, eles tomaram a frente da moto, jogaram a pistola e os 38 em cima da gente. Daí paramos e eles nos fizeram entrar no carro. Nós íamos pra Santa Luzia  prestar depoimento. Eles disseram: “Pode deixar que nós vamos, vai dar tempo de dar o depoimento de vocês lá em Santa Luzia".

 

Quando chegamos na BR 316, ele desceu pro Cacoal, município de Bragança (PA). Quando chegou em Cacoal ele andou mais uns 8Km e entrou num ramal, ai ele agarrou e perguntou se o “Caribe” era o Zé Inácio. “Não, eu sou o Caribe”. Daí o sobrinho do Chequetão disse: “Ah! Safado é tu mesmo que ta me mirando”.

 

Daí deu três tapas na coxa dele. Dai nos fomos neste ramal. Quando chegou na beira de um lago ele disse:

“Aqui acabou o caminho agora nós vamos conversar para vocês não mexerem mais com quem tem dinheiro”.

Ai o Caribe disse: “Não, rapaz, vamos conversar”. E ele disse: “O tempo pra conversar já passou. Agora desce do carro”.

 

Nós descemos do carro, um com dois 38 e o outro com uma pistola. Daí ele nos mandou entrar em uma capoeira. Nós entramos na capoeira, de quatro pés. Abaixados.  Daí eu vi um sororocal e eu cai dentro do sororocal correndo e eles atirando. Daí eu cai na água, cai na água descendo por água abaixo. Daí eu subi em uma ribanceira, e quando eu cheguei lá na frente eles deram mais 04 tiros. Daí eu cheguei em uma vilazinha, conversei com o pessoal e foram pra Bragança ligar porque lá não pegava o telefone. Minhas coisas eles levaram tudo. Levaram moto, meus dois celulares, minha mochila.

 

Quando foi de cinco e meia pra seis horas a polícia de Santa Luzia chegou para me pegar. Ai eu disse que era pra nós irmos lá buscar o corpo, pois eu sabia mais ou menos onde estava o corpo do rapaz. O policial perguntou: “Você tem certeza?” Eu disse: “Tenho certeza, pois o cara quando faz assim, ele vem pra matar”.

 

O Rapaz deu gasolina para a polícia de Santa Luzia e a Polícia de Santa Luzia não foi. Daí nós fomos pra Santa Luzia. Chegando lá nós fomos para a delegacia para fazer a ocorrência. Daí eu voltei para a minha casa e liguei para a família do finado. Daí foi que eles disseram que daí a pouco estava chegando. Quando foi umas nove horas da noite chagaram sete motos. Daí perguntaram se eu estava preparado para acompanhar eles até o local onde tinha acontecido e eu disse: “Tô”.

 

Nós fomos à delegacia e chamamos a polícia, de novo, para acompanhar a gente, para remover o corpo. Ele disse que não ia, pois eles estavam muito cansados e que não poderiam ir. Nós arrumamos oito motos e fomos até lá. Dez horas da manhã achamos o corpo dele. Daí o sogro do rapaz disse: “Olha, é melhor não mexer no corpo dele. O rapaz ta morto é melhor esperar o IML chegar pra remover.”. “Aqui  não é filho de cachorro não. Nós chamamos muitas vezes a polícia e ela não veio. Vamos botar na garupa da moto e vamos levar. (O corpo de Caribe foi amarrado ao corpo de um motociclista e assim chegou até a cidade.)"

 

Fonte: FAOR em Foco

 

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