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Entidades lançam carta em resposta à morte de militante no PA

10/09/2010

Na última sexta-feira (03/09), a violência do latifúndio vitimou mais um trabalhador rural em nosso estado. José Valmeristo Soares, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Santa Luzia do Pará, foi brutalmente assassinado no Ramal do Cacual, próximo à cidade de Bragança, o mesmo foi apanhado em uma emboscada junto com o seu companheiro João Batista Galdino de Souza, quando se dirigiam a sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Luzia.

 

Ambos foram espancados e torturados e levados em direção a Bragança na intenção de que o crime não fosse descoberto. Porém, no momento da execução João Batista Galdino de Souza conseguiu fugir e denunciar o caso na delegacia do município, sendo que nada foi feito. O crime foi realizado por pistoleiros a mando do fazendeiro Marcos Bengstson, filho do ex-deputado Josué Bengstson. Este último, que atualmente é candidato a deputado federal, em mandato anterior teve que renunciar para fugir de cassação por envolvimento na máfia das sanguessugas. O mesmo se diz proprietário da área conhecida como fazenda Cambará, área reivindicada pelas famílias sem terra para reforma Agrária, já que a área pertencente à gleba federal Pau do Remo, terra pública.

 

A fazenda Cambará é um grande latifúndio de 6.886ha, do qual o suposto dono possui o título de apenas 1800ha, título este contestável, segundo o próprio INCRA, por tratar-se de terras públicas. A mesma está localizada no município de Santa Luzia do Pará, região de conflitos permanentes desde abertura da rodovia Belém-Brasília. Desde então, houve um avanço da apropriação das terras da região nordeste do estado por fazendeiros latifundiários, sendo que em muitos casos as terras eram áreas públicas.

 

Esse é um caso típico que vem se repetindo há vários anos e o amparo aos trabalhadores é sempre negado pelo Estado. A polícia finge que não vê, a justiça protela o processo, o INCRA não faz a vistoria, o ITERPA se recusa a fornecer documentos e assim a impunidade legitima a violência e expulsa cada vez mais os camponeses para cidade, aumenta os conflitos no campo e o número de trabalhadores resgatados em situação de escravidão, levando o Pará ao índice vergonhoso de um dos Estados com maior concentração de terra no país e campeão na violência no campo. Segundo dados da CPT de 1982 a 2008 foram 681 assassinatos. Em 2009 foram 08 casos. Em 2010 a caso de José Valmeristo Soares já é o segundo caso ocorrido.

 

Diante destes fatos viemos manifestar nosso repúdio a mais um ato violento do latifúndio em nosso estado. Nós,

Indignados com essa situação, vimos manifestar nosso pleno apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, bem como á família de José Valmeristo Soares, sua esposa e cinco filhos. Dizer que sua luta é justa e necessária para construção da vida e da dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade e somar nossa voz nas mesmas reivindicações, exigindo:

 

1. A prisão imediata dos pistoleiros que assassinaram o trabalhador José Valmeristo Soares, bem como dos mandantes Josué Bengstson e seu Filho Marcos Bengstson;

 

2- A desapropriação imediata da fazenda Cambará para o assentamento das famílias acampadas no acampamento Quintino Lira;

 

Belém, 06 de setembro de 2010

 

Assinam

Consulta Popular

Regional Amazônia da Associação Brasileira de ONGs - ABONG

DCE do Campi Universitário da UFPA - Bragança;

CMI - Centro de Mídia Independente;

Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs - CAIC;

Comissão Pastoral da Terra - CPT;

Comitê Dorothy;

Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal ABEEF;

Movimento Atingidos por Barragens - MAB;

Pastoral da Juventude Rural - PJR;

Movimento Juventude do Campo e da Cidade- MJCC;

Movimento da Juventude Periférica - MJP;

Conselho Indigenista Missionário - CIMI;

IAGUA;

Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre;

Fórum da Amazônia Oriental - FAOR

Universidade Popular - UNIPOP

Instituto Amazônia Solidária e Sustentável - IAMAS

 

PALAVRAS-CHAVE

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