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A CESE na Rio+20: Conferência falha em garantir o Futuro que Queremos

28/06/2012

Membro da organização da Cúpula dos Povos e do Comitê Baiano para a conferência, a CESE vem acompanhando às discussões da Rio+20 há alguns meses. Nas duas últimas semanas, esteve ativamente participando dos debates, mobilizações e articulações. Além disso, proporcionou, através do apoio a pequenos projetos, a ida de diversas outras organizações e movimentos quilombolas, indígenas, de mulheres e jovens, ao Rio de Janeiro.

 

Durante os dias da Cúpula, organizações da sociedade civil de todo o mundo discutiram alternativas e soluções para a economia verde acordada por governos e pela ONU. Reunidos longe do Aterro do Flamengo, onde acontecia o evento dos movimentos sociais, os líderes mundiais entraram no consenso em relação ao documento de propostas chamado “O Futuro Que Queremos”, que teoricamente deveria abranger as questões centrais para o desenvolvimento social, ambiental e econômico, de forma a estabelecer o equilíbrio no planeta.

 

Porém, o resultado da conferência não chegou nem perto disso. O documento final reflete a falta de compromisso e desinteresse das nações para com a justiça social e ambiental, para com a defesa dos direitos das comunidades tradicionais e dos povos indígenas, o direito das mulheres, de crianças e jovens. Sua falta de ambição e superficialidade põe em risco toda a mobilização e avanços alcançados desde a primeira conferência para o desenvolvimento sustentável, em 1992. Enquanto os países mais ricos não pagarem a conta de seu desenvolvimento predador e ajudarem aos países mais pobres a se desenvolver de forma mais sustentável, a preservação dos recursos naturais segue ameaçada.

 

Dimas Galvão, Coordenador de Projetos e Formação da CESE, esteve presente no Rio de Janeiro, representando, junto com Koinonia, o Fórum Ecumênico ACT-Brasil (FEACT-BRASIL) no processo de construção da Cúpula dos Povos. Ele fala sobre as articulações e ações realizadas na Cúpula, sobre o resultado oficial da Rio+20 e o que ele implica.

 

A CESE não só esteve participando diretamente da organização do evento, como também possibilitou a participação de outros grupos. Como se deu esse apoio?

 

Foram 17 projetos apoiados pela CESE, alguns para eventos de preparação e outros para a participação direta na Cúpula: povos indígenas, com sete projetos no total, e quilombolas (um projeto), para evento preparatório à Cúpula em Brasília, incluindo audiências com órgãos públicos. Os demais projetos envolveram outros temas e públicos igualmente importantes para a CESE: mulheres, juventude ecumênica,  atingidos pelas mudanças climáticas, defesa do Cerrado, defesa das águas no semiárido, entre outros.

Um destaque de projeto apoiado foi a Campanha do Povo Guarani Kaiowa, lançada durante a Cúpula  (www.campanhaguarani.org.br). O grupo mobilizou as pessoas presentes na Cúpula e pediu sua contribuição para que enviassem uma carta à presidenta fazendo apelo urgente a essa causa.

 

Qual foi o papel da Cúpula dos Povos enquanto evento paralelo à Conferência?

 

Em relação à Cúpula, constatou-se a esperada e ampla participação de organizações e movimentos populares de todo o Brasil, bem como muitas delegações da América Latina. Outros continentes, embora em menor número, também participaram e fizeram do evento um espaço democrático internacional e multifacetado de lutas em defesa dos bens comuns e contra a privatização da natureza. Os conteúdos das centenas de atividades autogestionadas, bem como as reflexões e proposições surgidas nas plenárias e assembleias, indicaram o acerto na escolha da metodologia, tanto no que diz respeito à análise das falsas soluções e das nossas soluções, como nas sugestões de agendas de luta comuns daqui para frente. A declaração final da Cúpula, apesar de não ter conseguido dar conta de toda a diversidade presente naqueles dias, e de expressar mais fortemente o acento nas lutas travadas no Brasil, reforça um posicionamento internacional contra a tintura de verde que se quer dar para manter a hegemonia e os mesmos fundamentos do modelo de economia vigente, conferindo mais poder de decisão e interveniência sobre o futuro do planeta também nas mãos de grandes corporações mundiais.

 

 

Mais de 50 mil pessoas nas ruas do Rio de Janeiro na marcha da Cúpula dos Povos

 

É importante lembrar a importância dos encontros que o Grupo de Articulação da Cúpula teve com o Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, e com Achim Steiner, Diretor-Executivo do PNUMA, bem como as negociações com diversos setores dos governos Federal e Estadual, evidenciando a relevância do papel da sociedade civil organizada nesse processo e a importância de suas posições para o debate e de suas agendas de luta para construir o futuro que queremos para o planeta, baseado em outros valores, em outros paradigmas.

 

E o espaço das Religiões, como foi?

 

Para a CESE  é importante destacar o espaço das Religiões por Direitos, que conseguiu juntar diversas expressões religiosas em convergências para a defesa de um futuro baseado na afirmação dos direitos. Além de ter sido um espaço de espiritualidade comum, uma série de atividades foi realizada pelas mais diversas expressões religiosas presentes, agências de cooperação ecumênicas e outros parceiros do movimento ecumênico. Alguns grupos apoiados pela CESE, como a Rede de Juventude Ecumênica e Religiões de Matriz Africana, realizaram suas atividades nesse espaço e fizeram articulações para a luta. Outro destaque foi o lançamento do estudo sobre as desigualdades no Brasil realizado por Christian Aid, um documento importante que pode subsidiar a própria agência e outras agências de cooperação europeias nos seus planos de ação para o Brasil.

 

Como as organizações da sociedade civil avaliam o resultado da Rio+20?

 

O documento final da conferência é frustrante em diversos pontos. Primeiro, pela falta de aprofundamento na discussão e nos compromissos dos grandes desafios que enfrentamos atualmente e que serão ainda mais sérios no futuro. Segundo, pela incapacidade dos governos em chegar a consensos sobre temas de interesse global. Adiciona-se a isso a falta de liderança do Brasil em garantir que outros países, principalmente os mais ricos, se comprometessem em pagar a conta de seu desenvolvimento desenfreado e insustentável. Como consequência, o documento “O Futuro Que Queremos” é tímido, sem grandes compromissos e sem definição de metas claras.

 

E o que acontece a partir de agora?

 

A declaração final da Cúpula sinaliza por onde poderemos trilhar doravante. Diversos movimentos e articulações definiram proposições de lutas comuns e agendas de luta específicas para o futuro. Bem no espírito do que se pretendeu com a Cúpula desde o início de sua construção. Agora, continuamos mobilizados com o objetivo de continuar pressionando os governos, que prometeram apoiar o desenvolvimento de forma sustentável, mas que não têm idéia de como fazê-lo. Por outro lado, agora me referindo ao Brasil especificamente, há muitas iniciativas em curso evidenciando as “nossas soluções”, propostas pelos mais diversos movimentos populares, muitas delas mostradas nos Territórios do Futuro durante a Cúpula. A ASA montou uma cisterna de placa para captação de água de chuva na comunidade de Manguinhos, na cidade do Rio, que ficará como legado permanente para aquelas famílias. O MAB montou um aquecedor de água popular; o povo do Cerrado mostrou, na caixa preta, como aquele bioma está sendo destruído e como pode ser conservado pelas práticas das populações tradicionais que ali habitam há gerações. Essas práticas de convívio em equilíbrio com o meio ambiente, preservando a biodiversidade, precisam ser consideradas pelos gestores públicos mundiais. Precisam ouvir o que essas organizações têm a dizer, apoiá-las, defendê-las, e se inspirar nessas soluções para promover um futuro mas feliz para todas as pessoas, para o planeta.

 

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Fonte: CESE

 

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