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Conquista da cisterna desperta mulheres e comunidades para acesso a políticas públicas

14/09/2010

Considerando a estrutura hierárquica da sociedade patriarcal, as mulheres continuam em situação de desvantagem em relação ao homem, inclusive na divisão sexual do trabalho, onde a responsabilidade de cuidar das tarefas domésticas, em especial da água, ainda pertence às mulheres da família.

 

A pesquisa sobre o impacto das cisternas na vida das mulheres tem como objetivo avaliar o contexto de vida antes e depois de serem contempladas com as cisternas de consumo, as mudanças ocorridas, novas perspectivas e sobretudo perceber os limites ainda existentes e as alternativas apontadas para a melhoria da qualidade de vida.

 

Dona Laura de Lima, da Comunidade Beira Rio, no município de Riachão do Jacuípe, é uma das participantes da oficina e recorda as dificuldades enfrentadas antes da aquisição da cisterna e o que mudou. “Era um tempo muito difícil, a gente tinha que torrar pipoca para comer no caminho para agüentar carregar a água na cabeça, pois era muito longe, mais de uma ‘légua’. Hoje temos água dentro de casa, se não fosse a cisterna estava todo mundo no caminho da fonte carregando água, a cisterna veio através do sindicato dos trabalhadores rurais e do Movimento de Organização Comunitária (MOC), veio mudar nossa vida”.

 

Despertando para a busca por políticas - Nos depoimentos, as mulheres apontam a cisterna como um instrumento que desperta a comunidade para outros direitos que também são negados. A cisterna traz consigo esperança da água em quantidade, mas também em qualidade para beber e cozinhar, contudo, ela não supre a necessidade da água para produzir, da moradia, água para o uso doméstico, da educação contextualizada dentre outros.

 

As mulheres passaram a perceber a importância da organização comunitária e iniciaram o processo de luta para alcançar outros projetos que contribuem para a sustentabilidade local. “É conquistando um sonho e começando a sonhar outro, porque assim todos nós ganhamos e melhoramos de vida”, afirma Anelci Souza da Silva, mais conhecida como Dona Florzinha da Comunidade de Cajazeiras, no município de Conceição do Coité.

 

Metodologia utilizada - A metodologia aplicada para a pesquisa foi a partir da valorização da fala dos sujeitos de direitos. A partir dos desenhos e depoimentos das suas histórias de vida, as mulheres falam como era suas vidas antes de receber a cisterna e as mudanças ocorridas na família e na comunidade dentro de um contexto econômico, sóciopolítico, da dignidade de ter direito a água de qualidade.

 

Até o momento foram três oficinas já foram executas, nos município de Conceição do Coité e uma em Riachão do Jacuípe. Ao todo serão realizadas oito oficinas. As demais estão previstas para o mês de setembro.

 

Esses relatos são as marcas de uma sociedade embasada na superioridade do homem em relação a mulher, afirma Selma Gloria, que faz parte da equipe que avalia a pesquisa. “Hoje as mulheres já conseguem se perceber enquanto sujeitas política de direitos; sua participação em grupos, sindicatos, nas reuniões de associação”. Ela ainda ressalta que esses são também momentos de aprendizado para as técnicas do MOC na mediação das oficinas. “Essa troca nos ajuda a ter um olhar mais desafiador e sensibilizado para trabalhos que realizamos com o público que os programas acompanham, acerca das relações de gênero assim como da importância das políticas de acesso à água e terra para garantir o sustento das famílias e sua permanência no semiárido”.

 

O objetivo final da pesquisa é publicação de uma cartilha no intuito de disseminar a experiência, assim como estimular a criação de políticas de convivência com o Semiárido com igualdade de oportunidade para homens e mulheres.

 

Fonte: MOC

 

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