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Em apenas seis meses, Observatório registra 119 feminicídios no país

22/08/2012

O Observatório de Feminicídios ‘Adriana Marisel Zambrano’, coordenado pela Associação Civil A Casa do Encontro, realizou recentemente uma coleta de dados que culminou em um relatório de investigação sobre o crime de feminicídio na Argentina. Foram recolhidos dados das agências de informação Télam e DyN e de cerca de 120 jornais de alcance nacional e local.

 

O resultado encontrado foi que no período analisado - entre 1º de janeiro e 30 de junho deste ano - aconteceram 119 feminicídios e feminicídios ‘vinculados’ no país, além de 11 feminicídios ‘vinculados’ de homens e meninos. O relatório também revela que a violência de gênero deixou 161 crianças e adultos órfãos.

 

O responsável pelos crimes, na maioria das vezes, é o companheiro, esposo ou namorado das vítimas (59 casos). Os ex também foram os algozes em 24 casos. Em seguida, o relatório mostra que outros familiares (8), vizinhos ou conhecidos (13), pessoas sem vínculo aparente (13) e pais e padrastos (2) foram os demais feminicidas.

 

De acordo com a faixa etária, os grupos de mulheres que estão em maior risco são o que vai dos 19 aos 30 anos (38 vítimas) e o grupo dos 31 aos 50 (37). As cifras também são altas nos grupos de 51 a 65 anos (13 vítimas) e de 13 a 18 anos (9). A faixa etária dos agressores é semelhante a esta, pois o relatório mostra que 43 feminicidas estavam entre os 31 e os 50 anos quando cometeram o crime; 29 estavam entre 19 e 30 anos; e 14 deles entre os 51 e os 65 anos.

 

As armas de fogo (29) continuam sendo os principais instrumentos utilizados para a execução das mulheres, mas os casos em que os crimes foram cometidos ‘corpo a corpo’ também são muito altos. Prova disso é que 24 mulheres foram espancadas, 22 apunhaladas, 13 foram incineradas, 12 foram estranguladas, sete asfixiadas, quatro mulheres foram degoladas e uma foi afogada.

 

Estes crimes acontecem, em grande parte, na casa onde a vítima vivia com seu executor (34) ou na casa da vítima (25). Os outros locais onde as mulheres foram executadas variam entre rua, prédios diversos e outros (40), outras casas (11) e moradia do feminicida (3). Em seis casos não houve o registro do local do crime.

O Observatório de Feminicídios na Argentina também detalhou as regiões do país onde mais mulheres são assassinadas por questões de gênero e Buenos Aires está no topo da lista com 36 crimes, seguida por Santa Fé, com 11 e Salta, com 9.

 

Os dados são altos, mas o Observatório de Feminicídios estima que possam ser ainda mais, já que o relatório, por falta de informação adequada, não conseguiu relatar os casos de mulheres que morrem por abortos clandestinos, que dão entrada nos hospitais com marcas de violência machista ou as que são taxadas como suicidas, mas que vinham sofrendo violência sexista constante.

 

Para fazer frente a este crime cada vez mais rotineiro no país, A Casa do Encontro enumera 16 exigências para as autoridades competentes. Entre elas, pedem a criação de estatísticas oficiais sobre violência contra mulheres incluindo cifras sobre feminicídios. Outra demanda antiga é a incorporação no Código Penal da figura de feminicídio como uma figura penal autônoma, assim como a perda da guarda dos filhos por parte do feminicida, mas não a perda das obrigações financeiras.

 

Pedem ainda que seja exigido de todas as províncias que adiram à Lei de Proteção Integral para Prevenir, Sancionar e Erradicar a Violência contra as Mulheres (Lei nº 26.485). Em toda a Argentina também sugerem que sejam implantados Escritórios de Violência Doméstica da Corte Suprema de Justiça.

 

Proteção integral e efetiva desde uma perspectiva de gênero para a mulher vítima de violência e uma maior quantidade de lares-refúgio e lares de dia para vítimas com assistência interdisciplinar também são demandas presentes no relatório.

 

"É necessário considerar a violência sexista como uma questão política, social, cultural e de Direitos Humanos, desta forma se poderá ver a grave situação em que vivem as mulheres, meninas e meninos na Argentina como uma realidade coletiva pela qual se deve atuar de maneira imediata”, alerta a Casa do Encontro.

 

Fonte: Adital, por Natasha Pitts

 

 

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