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Racismo na TV

10/09/2012

Entidades que defendem os direitos dos negros/as e telespectadores denunciaram programa da Rede Globo para a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial.

 

Na última semana, entidades que defendem os direitos dos negros/as e telespectadores denunciaram a Rede Globo por racismo. Eles apontam que a personagem Adelaide, interpretada pelo ator Rodrigo Sant’anna no programa humorístico Zorra Total, passa dos limites do humor e caracteriza racismo. A denuncia ocorreu porque diversas reclamações chegaram à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, órgão ligado à presidência da República, que notificou a 19ª Promotoria de Investigação Penal, no Rio de Janeiro, sobre o caso.

 

O personagem, apesar de fazer parte de um quadro humorístico, configura uma representação esteriotipada de uma mulher negra, na qual o ator pinta o rosto de preto. Em 1969, a emissora agiu de forma similar quando utilizou como protagonista da novela “A Cabana do Pai Tomás” um homem branco (o ator Sérgio Cardoso) que também era pintado de preto. O caso provocou polêmica pública sobre a questão racial na televisão brasileira. Era como se não existissem atores negros que pudessem fazer aquele personagem.

Segundo Eliana Graça, assessora política do Inesc que trabalha com projetos sobre igualdade racial, é muito importante não deixar passar a oportunidade de chamar a atenção da sociedade para essas manifestações racistas.  “Só assim poderemos enfrentar o racismo e mudar a cultura. É fundamental criar novas formas de fazer humor que não transmitam preconceitos e discriminações. Programas como esse que ofendem mais da metade da população brasileira têm que sofrer mudanças radicais ou mesmo saírem do ar. A tolerância a este tipo de crime é nociva ao avanço da democracia em nosso país. Racismo é crime e tem que ser punido” ressalta.

 

Saiba mais sobre o caso

 

Segundo a promotora que cuida do caso, Christiane Monnerat, em entrevista concedida ao portal UOL, "tem um trecho em que a personagem teria dito: 'durante a enchente não pude ficar sem minha palha de aço, daí corri atrás para pegá-la e quando vi, eram os cabelos da minha filha". Para checar o que foi denunciado, Monnerat determinou que a emissora encaminhe as imagens de todos os episódios da personagem para que o caso seja avaliado.

 

Outro episódio que foi citado pelas organizações foi o quadro veiculado no dia 1ª de setembro. Neste programa, a personagem está acompanhada pela filha, uma mulher branca com o rosto pintado de preto, cujo personagem traz no peito uma faixa onde se lê "urubu branco". No quadro "humorístico", esta personagem, uma menina negra desdentada e feia, gostaria de participar de um concurso de beleza e foi instigada pela mãe a beijar a mão do branco (padrinho) pedir a benção, sendo que este lhe aconselhou a passar chapinha ou prancha nos cabelos para alisá-lo.

 

Artigo escrito por Humberto Adami, advogado do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (IARA), aponta que não existem “outros personagens negros femininos no programa, e a caricatura só reforça o preconceito contra a mulher negra, pobre e sem trabalho”. Ele também afirma que já foi distribuída uma ação civil pública contra a emissora. Segundo Humberto, é necessário “impor a reparação do dano coletivo, com os rigores de expressiva jurisprudência nacional a respeito”.

 

Realidade dos negros/as na TV Brasileira

 

Dados do IBGE confirmam que mais de 50% da população brasileira é negra, no entanto, a representação dessa parcela da sociedade na televisão brasileira ainda deixa muito a desejar. Pesquisa que deu origem ao livro “O Negro da TV Pública”, de Joel Zito, revelou que dos 172 programas de variedades exibidos durante uma semana nas principais TVs públicas do país (TVE do Rio, TV Cultura São Paulo e TV Nacional do Sistema Radiobrás) somente três tiveram a cultura negra como tema principal, ou seja, 1% da programação. Foi desvendado também que os euro-descendentes ocupam 86% dos postos de apresentadores/as e 93,3% dos cargos de jornalistas.

 

Essa falta de representação do negro também se repete dentro do Congresso Nacional. Pesquisa recente do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) demonstra que o perfil do parlamentar brasileiro é formado por homens, brancos e com ensino superior. Que resistem firmemente a qualquer mudança na legislação para incorporar os/as negros/as ao parlamento.  (A opinião no Parlamento)

 

“O racismo tão difundido em nossa cultura condiciona e configura a disputa pelos espaços de poder no Brasil. A sub-representaão da população negra na política institucional requer medidas urgentes de garantia de orportunidades (medidas afirmativas) para que haja mudanças significativas na cara do poder. Essa situação de baixa representação leva a uma pauta política que não considera os interesses da maioria da população brasileira que é negra (preta ou parda)”, afirmou Eliana.

 

Organizações da sociedade civil estão imbuídas em modificar essa falta de representação dos negros/as na televisão brasileira. Recentemente, foi lançada a campanha nacional “Para expressar a liberdade - Uma nova lei para um novo tempo”, que visa construir um novo marco de regulação da comunicação com a intenção de  mudar o histórico de negação da pluralidade da população na mídia brasileira.

 

Fonte: Inesc

 

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