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Comitê da Verdade do Amazonas denuncia genocídio de povo Waimiri-Atroari durante a ditadura

25/10/2012

Na última quarta-feira (17), o Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas fez chegar às mãos do Ministério Público Federal (MPF) deste estado brasileiro e à Comissão Nacional da Verdade um relatório que conta detalhadamente as violações de direitos e o massacre sofrido pelo povo indígena Waimiri-Atroari durante a construção da BR-174 (Manaus - Boa Vista) no período da Ditadura Militar.

 

Egydio Schwade, indigenista e membro do Comitê da Verdade estadual, explica que sua motivação para começar a investigar o que aconteceu com os Waimiri-Atroari se deu porque nunca se falava em desaparecidos políticos indígenas.

 

"Eu fiquei intrigado porque só se falava dos desaparecidos políticos não indígenas. E os povos indígenas que sofreram genocídio neste período? Então quando a Dilma [Rousseff – presidenta] lançou a Comissão da Verdade Nacional comecei a levantar a questão dos Waimiri-Atroari e fui postando artigos no blog. No 4º artigo fui processado pelo Programa Waimiri-Atroari. Em março, quando a Comissão da Câmara começou a forçar a criação da Comissão da Verdade eles começaram a investigar a questão indígena e me chamaram”, explicou a criação do Comitê, ressaltando que não apenas os Waimiri-Atroari foram dizimados neste período.


O relatório, o primeiro do Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas, conta com mais de 100 documentos anexados e 200 documentos referenciados. A primeira parte faz um levantamento de dados demográficos e mostra como os indígenas foram desaparecendo rapidamente após a penetração do Exército nas terras indígenas Waimiri-Atroari. "Em 1968 eles eram três mil e em 1973 menos de mil. Já em 1983 detectou-se que eles somavam-se apenas 332 pessoas”, contou.

 

Alguns capítulos são reservados para constatações demográficas e outros para relatos detalhados dos próprios indígenas. Egydio explica que na oportunidade de contar sua história, os indígenas denunciaram bombardeios, uso de metralhadoras, granadas e assassinatos de outros indígenas, sobretudo homens, por eletrocussão.

 

Também é relatada a verdadeira motivação para a construção da rodovia BR 174, que liga Manaus a Boa Vista e atravessa o território Waimiri-Atroari. O indigenista relata que a intenção era chegar a minas e fontes de energia. Como os indígenas foram contrários à obra, se converteram em empecilho e consequentemente foram sendo rapidamente eliminados. O documento também analisa o método de pacificação da Fundação Nacional do Índio (Funai) à época, considerado repressivo.

 

"Nós queremos apenas que se mude a história de relacionamento da sociedade com este povo. Hoje, segue a mesma política de ocultamento dos povos indígenas e de sua história de luta e resistência. Queremos que este povo seja ouvido e que seja protegida e garantida a posse de suas terras e territórios daqui para o futuro. Queremos que eles possam sentir que a sociedade não é contra eles”, manifestou Egydio Schwade.

 

Esta denúncia foi apenas a primeira. O Comitê da Verdade do Amazonas já está trabalhando na investigação de dois casos de não indígenas amazonenses mortos no período da ditadura militar, e no genocídio de outros povos indígenas como os Cinta Larga e os Piriutiti.

 

Fonte: Adital, por Natasha Pitts

 

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