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Guarani Kaiowá ocupam fazenda onde jovem indígena foi assassinado

19/02/2013

Indígenas Guarani Kaiowá não param de chegar à fazenda Sardinha, no município de Caarapó (MS). Cerca de 1.500 pessoas ocupam, desde a tarde desta segunda-feira (18), o local onde ocorreu o assassinato do jovem Denilson Quevedo Barbosa, de 15 anos, morador da aldeia Tey'ikue. O garoto, que tinha saído para pescar junto com mais dois amigos, foi encontrado no domingo (17) com três tiros na cabeça na fazenda.

 

Segundo relato dos sobreviventes, ao se aproximarem de um criadouro de peixes - cuja nascente fica dentro da terra indígena - os jovens foram abordados por três pistoleiros. Eles identificam os três indivíduos como ‘funcionários’ de Orlandino Carneiro Gonçalves, arrendatário da fazenda, e que o crime foi cometido pelo filho do fazendeiro e seus jagunços.

 

Ainda de acordo com as testemunhas, os indígenas correram dos homens armados, mas Denilson acabou apreendido pelos pistoleiros e assassinado. Além do tiro confirmado pela perícia criminal da Polícia Civil de Caarapó, o jovem Kaiowá levou mais um tiro na cabeça e outro no pescoço. Apesar de ter iniciado as investigações, a força de segurança não quis dar mais detalhes sobre o caso.

 

Para denunciar a ação violenta, os indígenas passaram a madrugada na fazenda onde o menino foi assassinado. Porém, o clima foi de tensão. “Houve muitos tiros. A gente esperou a Força Nacional, a Polícia Federal (PF), mas não chegou ninguém até agora. Os pistoleiros cercaram a fazenda”, relata ao Brasil de Fato Valdelice Verón, liderança indígena e filha do cacique assassinado Marcos Verón.

 

Causas e consequências

 

Desde a criação do território indígena pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), em 1924, os indígenas precisam pescar fora da área reservada, onde só há nascentes de córregos e não há peixes, sofrendo pressões e ataques de fazendeiros.

 

As reservas são áreas de confinamento - e depois da Constituição de 1988 uma categoria de terra indígena - criado pelo SPI durante o processo de espoliação dos Guarani e Kaiowá em decorrência da colonização do então Estado do Mato Grosso.

 

O confinamento é apontado por especialistas como uma das principais causas dos suicídios e, consequentemente, da luta pela terra de ocupação tradicional travada pelos indígenas desde o início da segunda metade do século XX.

 

Em nove anos foram assassinadas mais de 273 lideranças Guarani Kaiowá. Somente em janeiro de 2013, a aldeia Taquara, que fica próxima ao local do assassinato de Decilson, teve dois incêndios suspeitos; o Cacique Ladio Verón, da mesma aldeia, foi ameaçado de morte; e o Cacique Valdemir Salina, da Aldeia Remanso Gwasu, foi ferido por um disparo de bala. (com informações do Conselho Indigenista Missionário – Cimi)

 

Fonte: Brasil de Fato

 

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