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Luta indígena é capaz de oxigenar movimentos sociais em MS

11/06/2013

 

 

As Jornadas Unitárias de Lutas que se desenvolveram a semana passada em Campo Grande/MS e que terminou com uma marcha de 1500 pessoas no centro da capital sulmatogrossense esteve impulsionada pela cultura, religiosidade, e a mística do movimento indígena. Estes valores impregnados na vocação de resistência de mais de 500 anos se conservam intatos. É, os demais movimentos sociais do campo e da cidade precisarão de humildade para descobrir a profundidade da raiz que traz o atual enfrentamento à colonização do homem branco invasor e sua cobiça de capital, lucro e poder nos territórios de povos tradicionais. Desvendar, por exemplo, que no Mato Grosso do Sul, o segundo Estado com maior população indígena do país, e um dos maiores da União em concentração fundiária, para o avanço da luta dos Povos do Campo e dos movimentos de reivindicação urbanos, a resistência indígena têm uma mensagem importante a ser ouvida.

 

O que caracteriza a luta indígena são a persistência e a dignidade. O que coloca num primeiro plano hoje a luta indígena é a junção de dois inimigos poderosos contra esses povos: a aliança do Estado e Governo brasileiros com o agronegócio, que traz como conseqüência um novo tipo de territorialização e jugulação dos povos indígenas. A ocupação traz consigo a destruição total do habitat tradicional e uma guerra silenciosa pela assimilação absoluta da cultura, mística, religiosidade, línguas e estruturas sociais e políticas, aos desígnios da sociedade dominante neoliberal capitalista. Daí é fácil entender de onde vêm mórbidas fraseologias anti-indígenas como estas: "o índio é aquele que deve morrer”; "Mato Grosso do Sul nunca será terra de índios”; "o índio atrapalha o desenvolvimento”; "o índio tem que esquecer a terra e se integrar a nossa economia”, etc.

 

O que precisamos entender por tanto, modestamente, é que quando os povos indígenas lutam por seus territórios tradicionais, estão desmontando a estrutura fundiária medieval de Mato Grosso do Sul. Que não estão só desterritorializando o agronegócio e o capital, senão também a cultura capitalista submersa na doentia pretensão de assimilar todas as outras culturas que "atrapalham” a privatização das riquezas em prol do capital. Em 2012, durante a realização do Tribunal Popular da Terra: O Estado Brasileiro no Banco dos Réus, na UFMS de Campo Grande, foi colocada a importância dessa desterritorialização do capital mediante a luta dos Povos Indígenas de MS, em especial dos Kaiowa-Guarani. Porém também que a ancestralidade dessa magia poderia oxigenar, insuflar, contagiar e animar, todo o movimento de luta por terra e territórios no Estado, e ainda mobilizar aos que lutam nas cidades por salários, saúde, moradia, educação de qualidade, direitos humanos, etc. Não foi isso o que aconteceu nas históricas Jornadas e marcha final dos movimentos populares no centro de Campo Grande na sexta 07 de junho de 2013? A luta indígena é capaz de destravar no MS a reforma agrária e às reivindicações de titulação e demarcação dos territórios quilombolas, inclusive. Igualmente ser um fator catalisador da unidade das organizações populares do campo e da cidade. Em outras palavras, pretender lutar pela democratização da estrutura fundiária no Estado e outros direitos básicos consagrados na Constituição Federal, sem ter em conta aos Povos Indígenas seria um erro.

 

"Embora a Constituição Brasileira de 1988 reconheça o direito indígena em relação as suas terras e seu modo de vida, uma parte da sociedade, infelizmente detentora do projeto hegemônico de país, não aceita ser plural e, por conseguinte, não quer o índio como sujeito político”, escreveu num recente artigo a doutora Rosemeire Aparecida de Almeida, professora na UFMS/Campus de Três Lagoas. Precisamente faz parte do que o nosso entendimento deve assimilar no mundo dos não índios. Na medida em que o movimento indígena avançar na sua autonomia será cada vez mais "sujeito político” e não apenas "vítima”; não apenas objeto de estudos e analises do antropologismo conservador, e de políticas públicas que oferecem e prometem muito por nada, e sim aliados estratégicos do movimento em luta dos trabalhadores do campo e da cidade.

 

Depois das Jornadas Unitárias de Luta, os movimentos sociais populares e em especial os Povos do Campo de MS precisamos seguir construindo a unidade e desenvolvendo formação política nas bases e mobilizações de massa que visem mudanças na correlação de forças perante o agro-capital, o latifúndio e o poder político e econômico contrários à vida e a soberania popular.

 

 

Tribunal Popular da Terra/MS

Campo Grande/MS, 10 de junho de 2013

 

 

Fonte: Adital

 

 

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