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Centrais sindicais prometem novos protestos

17/07/2013

Jornada unificada mobilizou 27 estados; trabalhadores prometem voltar às ruas em 30 de agosto se demandas não forem atendidas

 

 

Se o governo e o patronato não atenderem às reivindicações dos trabalhadores, as mobilizações vão se intensificar. Esse é o recado das centrais sindicais, que prometem realizar novas ações para garantir conquistas e melhorias para a classe trabalhadora.

 

Em 11 de julho, sete centrais promoveram o Dia Nacional de Lutas, com protestos e paralisações em 27 estados. Os atos reuniram CUT, CTB, Força, UGT, CSP/Conlutas, CGTB, CSB e NCST, além de diversas organizações populares, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

 

O objetivo das mobilizações foi forçar o cumprimento de uma pauta de reivindicações entregue ao governo em março deste ano, durante a Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília. Desde então, as negociações não avançaram, o que motivou as centrais a convocarem uma jornada unificada. O resultado das manifestações agradou aos sindicalistas.

 

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, houve uma “vitória” do movimento. Ele acredita que as ações deverão forçar o Executivo a tomar medidas em prol dos trabalhadores. “Todo e qualquer governo do mundo se move à pressão, e é isso que estamos fazendo. Agora o governo sabe que é preciso agilizar”, diz.

 

O membro da coordenação da CSP Conlutas, José Maria de Almeida (Zé Maria), também celebra a jornada. Ele ressalta que as atividades marcaram a entrada da classe trabalhadora no intenso processo de mobilizações que ocorre no país desde junho. “Foi um protesto muito grande e muito forte, superou inclusive a expectativa da maioria das centrais sindicais”, afirma.

 

Uma das principais contribuições do Dia Nacional de Lutas, na avaliação do secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, foi disseminar as demandas da classe trabalhadora. “Aquela pauta que ficava somente entre os sindicatos, como a redução da jornada para 40 horas, foi divulgada em todos os meios de comunicação”, comemora.

 

A pauta dos trabalhadores é composta por oito pontos principais, que são o aumento dos investimentos públicos em educação, saúde e transportes; redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução dos salários; cancelamento dos leilões do petróleo; realização da reforma agrária, fim do fator previdenciário e a não aprovação do Projeto de Lei 4330, o chamado PL da Terceirização.

 

Para João Paulo Rodrigues, membro da coordenação nacional do MST, os atos conjuntos reforçaram a necessidade de unificar as lutas. “O MST e os movimentos do campo precisam estar cada vez mais articulados com os trabalhadores da cidade. Nossa luta só vai avançar com eles”, garante.

 

Paralisações

 

O impacto das mobilizações foi mais sentido nas cidades de Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Vitória (ES), onde houve paralisação dos trabalhadores do transporte público. Apesar das diferentes manifestações, o que os sindicalistas mais destacam foi a paralisação nas fábricas.

 

“Tivemos muita paralisação nas empresas, houve uma adesão grande no Brasil inteiro. Nosso objetivo foi plenamente atingido”, assegura o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes.

 

Vagner Freitas, da CUT, cita o caso do ABC Paulista, onde mais de 40 mil metalúrgicos cruzaram os braços. Para ele, isso mostra a adesão da base às lutas. “Os trabalhadores que foram ao ato [bloqueio da Via Anchieta, no sentido São Paulo] eram aqueles que estavam na fábrica; os outros nem foram trabalhar”, explica.

 

Nesse sentido, o presidente da CUT critica a cobertura da mídia corporativa que, segundo ele, tentou desqualificar os protestos dos trabalhadores ao compará-los com as mobilizações contra o aumento das tarifas de ônibus convocadas pelo Movimento Passe Livre (MPL). “A mídia quer trabalhar em cima de comparações. São dois movimentos importantes, mas diferentes”, argumenta.

 

Para Zé Maria, do PSTU, o comportamento dos meios de comunicação comerciais não surpreende. “Eles [veículos] seguem defendendo os interesses da classe deles. Não nos iludimos com isso e não vamos depender do beneplácito da mídia para tocar nossa luta, que também é contra eles”, dispara.

 

A imprensa comercial também não escapou dos protestos.Em várias cidades houve atos em frente à Rede Globo ou de suas afiliadas nos estados.

 

Destravar a pauta

 

As centrais esperam agora que as negociações avancem, e as reivindicações dos trabalhadores sejam atendidas. Para Zé Maria, do PSTU, é hora de o governo parar de “enrolar” o movimento sindical. Como exemplo, ele cita o encontro dos representantes das centrais com Dilma Rousseff realizada no final de junho em Brasília.

 

“A presidenta foi fazer propaganda da sua proposta de plebiscito da reforma política e não deu nenhuma resposta concreta às reivindicações dos trabalhadores”, critica.

 

Caso o governo não dê sinais positivos, a tendência é de novas mobilizações. “Vamos fazer uma avaliação e, se a coisa não andar, nossa expectativa é discutir um dia de greve geral”, diz o presidente da CTB, Wagner Gomes. A data já foi até definida, 30 de agosto.

 

Antes disso, serão realizados protestos contra o Projeto de Lei 4330, que flexibiliza a contratação de mão de obra terceirizada no país.

 

O descontentamento das centrais com o governo hoje vai além do não cumprimento das demandas dos trabalhadores. Em 10 de julho, um dia antes das mobilizações, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou, pela terceira vez seguida, a taxa básica de juros. O reajuste na taxa Selic foi de 0,5% que passará para 8,5% ao ano.

 

O secretário-geral da Força Sindical reprova a decisão e analisa que a atual política econômica deve gerar mais acirramentos. “O movimento tende a aumentar porque toda a política que está sendo feita vai levar a desemprego e a recessão”, afirma Juruna.

 

Fonte: Brasil de Fato, por Patrícia Benvenuti, foto: Pablo Vergara

 

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