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Refazendo a política brasileira

02/08/2013

No debate, Damous (à esquerda), Ivo e Sandra

 

O Brasil inteiro está falando em reforma. A política entrou no discurso, nas mídias sociais, nas discussões de mesa de bar. Mas como fazer com isso se torne instrumento de mudança na estrutura política brasileira? Foi essa a discussão promovida ontem pelo Conversatório sobre Reforma Política, organizado pelo Ibase. O debate, realizado no Clube de Engenharia, foi aberto pelo sociólogo, professor e diretor da Associação Brasileira de ONGs (Abong), Ivo Lesbaupin, que, entre outros pontos, criticou o financiamento de empresas a campanhas políticas, um dos pontos principais da Proposta de Iniciativa Popular para Reforma do Sistema Político. A iniciativa vem sendo debatida por movimentos sociais há anos, mas ainda é desconhecida de grande parte da população brasileira.

 

No debate, Damous (à esquerda), Ivo e Sandra /Fotos de Mariana Claudino

Em seguida, o presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro e da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous, pôs em xeque o sistema eleitoral. A mediação foi da socióloga e a pesquisadora do Ibase Sandra Jouan, que forneceu oxigênio à discussão.

 

- Acho muito importante atrair a juventude para que ela possa participar das discussões da reforma política, já que a pauta das ruas questiona a forma de se fazer política – pontuou Sandra.

 

Já Ivo Lesbaupin apontou para a ganância de políticos brasileiros, que se unem às grandes empresas.

 

- Vemos que os ricos no Brasil estão ficando cada vez mais ricos. Se não existem mais miseráveis no país, as desigualdades aumentaram. E o governo desenvolve suas políticas sem saber se a população as aprovaria. Enquanto isso, dados comprovam que eles recebem financiamentos de campanhas de grande empresas e acabam tendo um compromisso com elas, e não com o eleitor – disse o dirigente da Abong.

As relações, ressalta Ivo, já foram registradas pela imprensa. Empreiteiras que doaram recursos à campanha de Dilma Rousseff tiveram contratos em suas gestão no total de R$ 1,2 bilhão só em 2010. A Andrade Gutierrez doou R$ 5 milhões e teve R$ 391 milhões em contratos da Ferrovia Norte-Sul; a A Camargo Correa deu R$ 8 milhões, e obteve 99 milhões pela construção da Ferrovia Norte-Sul e obras de irrigação. Já Queiroz Galvão Galvão participou com R$ 2 milhões na eleição da atual presidente e conseguiu R$ 206 milhões em obras rodoviárias, irrigação e Ferrovia Norte e Sul. No estado do Rio, as conexões também foram publicadas em jornal. Das 16 obras do Rio, duas das quatro empresas que fizeram doações à campanha de Sérgio Cabral estão sempre presentes. As quatro são Odebrecht, Andrade  Gutierrez, Camargo Correa e OAS.


Wadih Damous, por sua vez, trouxe lucidez à conversa ao explicar por que um dos itens principais da reforma política é a implantação do financiamento público de campanha.

 

- Às vezes, ouço argumentos de que o financiamento público iria trazer mais custos ao país. Não é verdade. A democracia tem um custo, e esse custo deve ser público e não de empresas – disse ele, ressaltando que a OAB defende eleições para parlamentares em dois turnos, para que, assim, o eleitor pense, primeiramente, em votar em um partido, ou melhor, em um programa de um partido.

 

Damous lembrou as votações do humorista Tiririca para deputado federal, que, pelo atual regime de lista, conseguiu eleger outros deputados com pouquíssimos votos:

 

- Esse é um outro ponto fundamental da reforma política.

 

Para os dois debatedores, não há momento melhor para se discutir o assunto, porque o povo, sobretudo os jovens, resolveu sair à rua, cobrando um país bem diferente do que está aí.“A discussão política não pode ser elitizada”

 

Moema Miranda pede ampliação do debate

 

Estudante de direito de 22 anos, Gustavo Ferreira entrou no debate para afirmar que em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, o poder econômico se impõe nas eleições.

 

- Na Baixada Fluminense como um todo, ainda vemos compra de votos ou campanhas milionárias, que, de certa forma, também compram votos – disse o estudante.

 

Liderança da Cidade de Deus, Cleonice Dias alertou para o fato de as camadas de baixa renda, moradoras de favelas e assentamentos, não podem ficar de fora do debate:

 

- A discussão da reforma política não pode ficar elitizada. Nós, moradores de favela, somos muito vigiados, controlados pelo governo. Agora queremos inverter essa relação. É hora de passar esse controle à sociedade, para que nós possamos fiscalizar os políticos.

 

Por fim, Moema do Ibase, diretora do Ibase, realçou a necessidade de se ampliar o debate sobre a reforma política.

 

- Esse debate não pode se limitar aos movimentos sociais, tem de ganhar as ruas – disse Moema.

 

 

Fonte: Canal Ibase, por Rogério Daflon

 

 

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