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“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”

03/09/2013

Essa famosa frase foi dita por Margarida Maria Alves, mulher, sindicalista, paraibana, natural do município de Alagoa Grande. Margarida chegou ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande como datilógrafa. Na convivência, passou a se preocupar com a luta das mulheres do campo e se tornou presidente do sindicato, sendo a primeira mulher a lutar pelos direitos trabalhistas no estado da Paraíba, durante a ditadura militar. Nos 10 anos que permaneceu no cargo, Margarida foi responsável por mais de cem ações trabalhistas na justiça do trabalho local. Lutou bravamente para que os trabalhadores e as trabalhadoras do campo de Alagoa Grande tivessem seus direitos básicos assegurados, como carteira de trabalho assinada, férias, 13º salário e jornada de trabalho de 8 horas diárias.

 

Margarida trabalhou tanto que entrou em choque com os interesses dos grandes senhores de engenho e fazendeiros da região. Ela foi assassinada no dia 12 de agosto de 1983, em frente à sua casa, na presença de seu marido e de seu filho. O crime foi considerado político e permanece até hoje, 30 anos depois da sua morte, impune, apesar de ter tido repercussão internacional, com denúncia encaminhada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pelo Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (GAJOP), em conjunto com o Centro pela Justiça e pelo Direito Internacional (CEJIL), Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e Comissão Pastoral da Terra (CPT).

 

Postumamente, em 1988, Margarida recebeu o Prêmio Pax Christi Internacional “por dar sua vida na luta pelos direitos de trabalhadores rurais”, como apontado no site da organização (http://www.paxchristi.net/about-us/pax-christi-international-peace-awards). Para Alessandra Lunas, diretora da Secretaria de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), a força e o trabalho de Margarida ainda hoje dá frutos e incentiva os que permanecem na luta. “Ela deixou um legado permanente de luta, que nos desafia para avançarmos na defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras, do campo e da floresta e em ações que possam efetivamente contribuir para a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável que seja pautado pela justiça, autonomia, igualdade e liberdade para as mulheres,” explica ela.

 

Marcha das Margaridas – Margarida tornou-se um símbolo político representativo para mulheres trabalhadoras rurais, e deu nome ao evento que movimentos sindicais, de mulheres e feministas realizam a cada quatro anos, desde 2000. A Marcha das Margaridas é uma mobilização nacional que reúne, em Brasília, milhares de pessoas, sempre definindo uma pauta de reivindicações a serem entregues aos representantes dos poderes públicos federais.

 

“Margarida foi morta, mas floresceu em milhares de mulheres que integram a Marcha das Margaridas na luta contra a fome, a pobreza, a violência sexista, e por um desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade,” afirma Alessandra Lunas. A pauta de reivindicações é ampla e envolve a defesa da biodiversidade e dos recursos naturais; o acesso à terra e à água; a luta pela agroecologia e soberania e segurança alimentar; trabalho e renda; a defesa de uma educação não sexista e o enfrentamento à violência; garantia de saúde e direitos sexuais e reprodutivos, articulados à luta pela democracia e participação política das mulheres.

 

Este ano a Marcha das Margaridas se tornou uma Jornada, que aconteceu entre os dias 17 e 21 de agosto, com uma série de encontros entre as Margaridas e vários órgãos da administração pública e atos em homenagem a Margarida Alves. Além de avançar em pontos da pauta relacionados à implementação de políticas públicas eficientes . Dentre elas a assistência técnica, o fomento e o crédito para mulheres e o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo). As Margaridas se reuniram com a Comissão da Anistia e a Procuradoria Geral da República, na busca por reparos políticos e materiais devidos a sindicalista Margarida Alves e seus familiares.

 

Fonte: Centro Sabiá, por Sara Brito

 

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