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Os BRICS e a resistência à ofensiva do capitalismo patriarcal

31/10/2013

Fortaleza, no Ceará, receberá no final de março de 2014 a VI Cúpula dos BRICS, evento que reúne os/a chefes de estado dos países que compõem o chamado bloco emergente da economia: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. É o maior bloco emergente da atualidade. Abriga quase metade da população do mundo (43%) e tem uma participação no PIB mundial equivalente ao da União Europeia ou EUA, de acordo com a nota técnica publicada pelo Dieese [1]. Os países componentes desse bloco caminham para serem possíveis potências econômicas mundiais em 2050, caso mantenham o atual ritmo de desenvolvimento econômico.

 

O encontro no Brasil deverá fortalecer as relações econômicas, comerciais e financeiras entre os países BRICS, já que, dentre outras coisas, estará na pauta da reunião a criação de um Banco de desenvolvimento multilateral. O Banco dos BRICS funcionará com o intuito de prover o desenvolvimento dos países pobres, contrapondo-se a organismos como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Banco dos BRICS prevê ainda o financiamento de investimentos em áreas estratégicas de infraestrutura como o setor energético.

 

Entretanto, o formato e a atuação desse banco ainda não estão tão nítidos para as organizações e movimentos sociais. Há uma preocupação de que seja meramente a replicação de um modelo de financiamento e de desenvolvimento já existente no mercado e que tem beneficiado as grandes empresas multinacionais. Esse modelo existente tem se mostrado extremamente predatório, principalmente quando se trata das relações ambientais e da manutenção dos direitos sociais. Em diversas partes do mundo, as mulheres tem resistido à ofensiva do capitalismo frente à mercantilização da natureza e à expulsão das populações de seus territórios.

 

"Banco de Desenvolvimento dos BRICS". Fonte: http://batr.org

“Banco de Desenvolvimento dos BRICS”. Fonte: http://batr.org

 

A ligação entre os países BRICS é, portanto, meramente econômica e financeira, e se projeta sobre um aspecto desenvolvimentista, sem considerar as questões sociais. Além disso, esses países possuem uma enorme diferença econômica, política, cultural, social, jurídica e ambiental. A diferença fica evidente quando são comparados, entre os países BRICS, índices como o de pobreza, de concentração de renda e de desenvolvimento humano. Essas diferenças entre os países ampliam ainda mais a insegurança da sociedade sobre o projeto político que está sendo traçado para e por este bloco econômico.

 

Entretanto, há um dado ainda comum a todos os países BRICS: a desigualdade entre homens e mulheres ainda é persistente. Segundo estudo de Maria Silvério (2012) [2], publicado no Observatório das Desigualdades, a desigualdade de gênero tem diminuído nos países BRICS, mas as mudanças são lentas. Segundo a pesquisadora, a falta de oportunidade das mulheres, os baixos salários e a pouca escolarização são intensificados pela pobreza, pelas diferenças de cor e castas, pelas regiões geográficas e pelo próprio sistema patriarcal.

 

Diante do cenário apresentado, as organizações e movimentos sociais (incluindo Marcha Mundial das Mulheres do Ceará) estão se unindo em torno da “Articulação Regional Contracúpula dos BRICS”. A proposta é desenvolver uma série de atividades paralelas ao evento oficial, com o intuito de convocar a sociedade para pensar alternativas aos modelos de desenvolvimento e financiamento que aí estão postos.

 

E não apenas isso, a sociedade civil organizada reivindica ampliação de um maior diálogo dos BRICS com os movimentos sociais, já que inexiste esse tipo de diálogo, embora o bloco tenha aberto espaço para a participação de empresários e acadêmicos na discussão econômica.

 

Para nós mulheres, é o momento para denunciarmos mais uma vez as ofensivas do capitalismo patriarcal contra a natureza, os direitos das trabalhadoras, o controle sobre o corpo e a vida das mulheres. Essas ofensivas se materializam em propostas como as dos bancos de desenvolvimento multilateral, que financiam cada vez mais projetos nos quais as mulheres são expulsas de seus territórios pelos megaprojetos nas áreas urbanas, pelas empresas extrativistas e pelo agronegócio.

 

É o momento também de denunciar o neocolonialismo que está se configurando no modelo de desenvolvimento traçado para os países BRICS, e de propor uma economia feminista e solidária para combater a pobreza e as formas de opressão. Precisamos ainda debater sobre a despatriarcalização do Estado com uma proposta de políticas emancipatórias que possam acolher a agenda do movimento feminista, e através das quais possamos caminhar para quebrar a lógica da divisão sexual do trabalho e avançar na igualdade entre homens e mulheres.

 

 

Fonte: Marcha Mundial das Mulheres, Por Isabelle Azevedo e Isabela Benício (militantes da MMM do Ceará)

 

 

 

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