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Crise Capitalista e Agenda Pós 2015 são tema de primeira atividade da Abong no FSTemático 2014

22/01/2014

Membros do CI do FSM avaliam agenda pós 2015 a partir de seus contextos políticos e locais

 

Pensar a agenda proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir de uma avaliação de que o capitalismo está vivenciando uma crise sistêmica foi a proposta da atividade que abriu os trabalhos da Abong na tarde desta quarta-feira no Fórum Social Temático 2014 - Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental, que acontece em Porto Alegre (RS) até o dia 26 de janeiro.

 

A mesa “Crise Capitalista e Agenda Pós 2015” foi composta por membros de movimentos sociais e organizações de diversas partes do mundo - dentre as quais, algumas que integram o Conselho Internacional (CI) do Fórum Social Mundial (FSM) - sob a proposta de reunir pontos de vista distintos acerca do tema numa tentativa de tecer uma avaliação mais global.


Damien Hazard, diretor executivo da Abong e uma das pessoas que representa a Associação no CI, mediou a atividade. Em sua fala de abertura, enfatizou o “enorme distanciamento entre as visões da sociedade civil e organismos governamentais como é o caso da ONU”. “A sociedade civil tem que buscar outra concepção de desenvolvimento que não o econômico. Cabe às organizações se unirem aos governos progressistas de forma rápida. Caso contrário, o mundo que nós queremos e que não foi possível até agora continuará a ser algo muito distante, para além de 2015.”

 

O francês Bernard Cassen, ex-diretor do Le Monde diplomatique e um dos precursores do FSM observou a simultaneidade entre o FSTemático e o Fórum Econômico Mundial de Davos. O encontro anual da elite política e econômica mundial na estação de esqui suíça Davos começou nesta quarta-feira (22) e vai até o próximo dia 25. O tema da 44ª edição do evento é "Remodelar o mundo: consequências para a sociedade, a política e os negócios". “O relatório deles poderia ter sido escrito por nós. O diagnóstico é que o mundo tem cinco tipos de crises: crise econômica/financeira, crise climática, crise tecnológica, crise geopolítica, crise de sociedade (revoltas e instabilidades). O que é novo para eles e não o é para nós é que essas crises estão interconectadas. Há anos falamos que a crise que começou em 2008 não é somente uma crise financeira, mas uma crise sistêmica do capitalismo. Parece muito óbvio para nós, mas para eles não era.”

 

Heba Khalil, do Egyphan Center for Economic & Social Rights, salienta a crítica às perspectivas da Agenda Pós 2015. Para ela, a palavra “integração” é perigosa. “Eles dizem que precisamos ser incluídos nesta agenda, mas não parecem interessados no que estamos discutindo aqui. Precisamos mudar o sistema e não só fazer ajustes. O capitalismo não consegue lidar com a pobreza. Lidamos com a ideia de diminuir a pobreza o tempo todo e isso é um círculo vicioso.”

 

Gilberto Leal, da Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN, acentua a importância da pauta racial. “O meu olhar sobre a agenda pós 2015 vem de uma reflexão de uma sociedade de maioria negra que é o Brasil cujos programas ainda não refletem sobre essas comunidades no sentido de produzir a necessária transformação para a superação das consequências da discriminação racial sobre essa população”. Leal questiona as consequências de uma agenda com “as mesmas limitações dos Objetivos do Milênio (ODMs)”. Segundo ele, a pauta racial foi muito tímida nos ODMs. “Não haverá programa eficiente, seja pautado pela sociedade civil, seja pelos governos, que não considere a pauta racial.”

 

Miguel Santibañez, presidente da ACCIÓN - Asociación chilena de ONG, concluiu a sequência de falas ressaltando a necessidade de cuidado quanto ao discurso otimista no que se refere à crise do capitalismo tendo em vista sua queda. “Os complexos bancários são compostos por diversos atores, não só bancos, mas também por mercados de valores e de commodities, bolsas, fundos de investimentos, etc., que buscam captar os setores mais atrasados e transformá-los sob a lógica da acumulação de capital. Agregar valor a qualquer coisa é uma nova maneira de acumulação que se instaurou e que comanda a lógica capitalista hoje.”

 

Após o término das falas da mesa, o debate foi aberto para a participação do plenário.

 

“O nível de mobilização da sociedade civil ainda é muito baixo. Temos que superar três obstáculos para o processo da agenda pós 2015: falta de recurso, falta de conhecimento e falta de credibilidade de que a sociedade civil será ouvida. Os próprios governos estão despreparados para esse debate, poucos países estão apropriados dessa pauta ou estão atrasados. É por isso que a sociedade civil pode influenciar esse processo. Nesse sentido, é fundamental entrarmos para defender nossas pautas”, concluiu Damien.

 

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