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Eixo temático “Crise Capitalista” pauta primeira mesa de convergência do FSTemático 2014

23/01/2014

A primeira mesa de convergência do Fórum Social Temático 2014 aconteceu na manhã desta quinta-feira (23/01) na Usina do Gasômetro, Porto Alegre (RS).

 

Intitulada “Crise capitalista, não vamos pagar essa conta”, a mesa reuniu convidados brasileiros e internacionais.

 

Mediada por Antônio Martins, do Outras Palavras, a mesa foi iniciada pela fala de Ladislau Dowbor, professor da PUC-SP. Estudioso de dois temas ligados à crise atual: o agigantamento da finança internacional que assume uma fatia cada vez maior da renda das sociedades e o novo desenvolvimento chamado “imaterial” da economia mundial, Dowbor foi mais um desde o início das atividades do FSTemático 2014 a destacar a confluência da crise. “A crise atual conjuga três eixos: o ambiental, o social e o financeiro. No ambiental, temos um cenário dramático que é o avanço tecnológico que extermina drasticamente a natureza. No social, estamos construindo o planeta para uma minoria. E no financeiro, um sistema que chupa dinheiro do Estado para cobrir a conta dos bancos. As três crises formam um tripé que se articula.”

 

O professor chamou atenção para relatório da ONG britânica Oxfam divulgado nesta segunda-feira (20/01) que mostra que o patrimônio das 85 pessoas mais ricas do mundo equivale às posses de metade da população mundial. Leia o documento (em inglês) na íntegra aqui. “Renda e riqueza são coisas diferentes. Quem recebe renda não acumula. Esse nível de riqueza é um dos eixos de desequilíbrio planetário. São 850 milhões de pessoas hoje com fome no mundo. Só de grãos, o planeta produz um quilo por dia para cada pessoa. Não há nenhuma razão para a fome. O problema está no sistema de governança. Na Suíça, por exemplo, as empresas pagam uma carga tributária de 60%. Elas enriquecem, mas isso é redistribuído em direitos sociais para a população.”

 

Sérgio Barroso, da Fundação Mauricio Grabois, também deu sua contribuição à mesa pautando sua fala na dinâmica do sistema financeiro americano. “A crise americana desemprega massivamente a juventude, destrói forças produtivas humanas e tem reflexos no nosso país.”

 

Yildiz Termurtukan, da Marcha Mundial de Mulheres da Turquia, por sua vez, enfatizou a relação entre o processo de acumulação e o machismo. “O processo de acumulação também transforma os corpos do proletariado, principalmente o das mulheres, em máquinas, em propriedades. Eis porque hoje o aborto é um dos tópicos que mais discutimos. Termurtukan apontou ainda como preocupante o crescimento de casamentos infantis em seu país. “Um em cada três casamentos são infantis na Turquia. Isso é estupro, não casamento.”

 

Jamal Juma, da Stopthewall, militante destacado da Palestina e um dos responsáveis desde 2002 pela resistência a Israel, apresentou um panorama do cenário atual. “Foi criada uma nova África do Sul na Palestina, um novo regime de Apartheid.”

 

Carminda Mac Lorin, peruana que vive em Quebec, no Canadá, e uma das organizadoras do FSM que deve acontecer lá em 2016, traçou um panorama de seu ativismo nos últimos anos que deu pano de fundo ao cenário mais recente de Quebec. Ela também explanou a proposta de construção do FSM.

 

Marcelo Abdalla, da Central de Trabalhadores Uruguaios, fez sua fala voltada à defesa da superação do capitalismo por meio daquilo que, observa, “continuamos chamando de socialismo”. “Estamos em um novo momento na América Latina de emergência entre nossos povos, os povos dominantes e o imperialismo.”

 

João Felício, da Central Única dos Trabalhadores, concluiu as falas tecendo uma avaliação do movimento sindical hoje. Felício destacou problemáticas como alianças que negociam direitos e falta de representatividade. “O movimento sindical representa 15% dos trabalhadores, ou seja, 85% dos trabalhadores estão fora. Não há representatividade para combater o modelo de sociedade em que vivemos. O desafio para nós hoje é como ganhar representação e passar a falar em nome da maioria. Uma grande parcela das pessoas não acredita em nós, nem nos partidos, nem no FSM, nem em ninguém.”

 

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