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Caso Coari: infância assassinada pela lógica do consumo de sexo de meninas

05/02/2014

Em janeiro de 2014 é revelado ao Brasil um sofisticado e brutal esquema de exploração e violência sexual consolidado há anos no interior do estado do Amazonas. Apesar das inúmeras denúncias, o fato permaneceu por muito tempo restrito à remota comunidade de Coari e desconhecido pelo resto do país. Convenientemente a situação ficou oculta protegendo unicamente os violadores de direitos:  os agressores.

Não é novidade a relação direta entre poder, dinheiro, violência sexual e exploração de crianças. Por mais escandalosa que seja a notícia, ela soa como “já ouvi essa história”; e de tanto ouvi-la deixa de causar espanto. Ao deixar de causar espanto o sofrimento é relativizado, naturalizado.

 

A violência sexual sempre se manifestou em todas as classes sociais, no entanto a exploração econômica da sexualidade de crianças está associada à pobreza e às desigualdades sociais e econômicas. Há quem lucre, há quem se beneficie com o sequestro da infância.

 

O caso de Coari, protagonizado pelo seu prefeito, Adail Pinheiro, mostra o quanto as relações entre dinheiro, poder, corrupção e violência sexual são muito íntimas. Interessa aos detentores do poder que a pobreza se perpetue. O que está em jogo é não só a sobrevivência das famílias, mas também o acesso ao mundo do consumo. Em situações extremas as próprias famílias entregam suas crianças para o perverso comércio do sexo. Meninas também são forçadas a levar outras crianças em troca de dinheiro e objetos de consumo como celulares modernos, roupas e passeios, mesmo que não queiram.

 

Ao que tudo indica para além da pedofilia (que é uma patologia) o prefeito negocia virgindades; bebês, conforme revelado em telefonema do assessor de Adail divulgado pela mídia. Meninas muito novas que são usadas e ofertadas em festas privadas como uma parte de um sofisticado Buffet. Muito dinheiro circula. O município é rico e suas comunidades pobres.

 

Em Coari há a suspeita de desvio de 49 milhões de reais da prefeitura. Dinheiro que teria como finalidade as políticas públicas responsáveis pelos direitos. A política de educação, por exemplo, que poderia trabalhar na mesma direção do Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Plano este que trata da promoção dos direitos humanos, prevenção à violência e do protagonismo de crianças e adolescentes por seus direitos.

 

Assim como no interior da Amazônia há no país uma infinidade de casos de violência e exploração sexual a espera de uma denúncia e intervenção pela interrupção da prática e atenção imediata a meninas e meninos que caíram nas redes do perverso comércio humano. Quanto mais remota a comunidade, mais difícil é o acesso ao que acontece por lá. Crianças são usadas, descartadas, machucadas e, sem perspectivas, a infância é assassinada pela lógica do consumo do sexo de meninas e de meninos.

 

O mais urgente, portanto, é tirar a violência e o comércio do sexo de crianças da invisibilidade e jamais perder a capacidade de indignação e de espanto. O reconhecimento da dor é o primeiro passo para a denúncia.

 

Fonte: Brasil de Fato, por Marcia Acioli é assessora política do Inesc e mestre em educação pela UnB

 

 

 

 

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