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Mudar o Sistema Politico? Comitês de Mobilização? Plebiscito Popular? O que nós temos com isso?

14/02/2014

* Por Raquel Duarte e Maria do Carmo Bittencourt –  Como tem acontecido em diversos estados e cidades pelo país, no dia 25 de janeiro ocorreu em Porto Alegre/RS, durante o Fórum Social Temático – FST, o lançamento da Campanha Estadual pelo Plebiscito Popular por uma Constituinte soberana e exclusiva do Sistema Político.

 

Diversos movimentos e entidades já se integraram a essa luta que será central para o ano de 2014. Mais de cem organizações compõem o Comitê Nacional, que teve seu lançamento em Brasília no dia 15 de novembro do ano passado. O Comitê estadual/RS já conta com movimentos de mulheres, de juventude, sindical, de negros e negras, partidos políticos e diversas organizações da sociedade civil, e, com a ampliação do debate e a das ações, cada vez mais associações e movimentos sociais estão se juntando à essa mobilização. Mesmo tendo as mais diversas pautas e identidades estamos nos juntando com um objetivo: discutir e mobilizar em torno de uma pauta única, que pode realmente trazer a mudança para o Brasil que precisamos e queremos – a alteração do atual sistema político.

 

A Marcha Mundial das Mulheres compõe o Comitê Estadual/RS contribuindo através da Comissão de Comunicação e na  articulação de Comitês onde temos núcleos ou militantes. Assim, podemos e devemos nos integrar na construção dos comitês locais, nos espaços onde nós já estamos organizadas e nos espaços que estão se abrindo.

 

Para nós, feministas da Marcha Mundial das Mulheres, a construção deste Plebiscito é mais do que simplesmente chamar a população para votar um ‘sim’ nos dias 1º a 7 de setembro. É a oportunidade para entender e questionar o sistema político como um todo. É a oportunidade para debater com as mulheres os rumos do país, ouvir suas angustias e opiniões, promover o feminismo como alternativa, e, principalmente, colocar as mulheres como protagonistas deste espaço.

 

Defender uma alteração no sistema político significa debater o empoderamento das mulheres no espaço público. A cultura patriarcal foi responsável pela exclusão das mulheres dos espaços de controle e decisão política, destinando-as ao mundo privado e do cuidado, que por sua vez foi desvalorizado pelo sistema capitalista. Desta forma, uma grande parte da população, as mulheres, mesmo com seu trabalho fundamental para a manutenção da vida e da vida em sociedade, está subjugado pelo sistema que o desvaloriza no momento que não o qualifica economicamente, como é feito com o trabalhado tido culturalmente como “de homem”.

 

Essa é uma discussão fundamental para o movimento feminista. Durante a construção do Plebiscito Popular, devemos fazer o debate feminista chegar a todos os  movimentos – o debate da paridade e do empoderamento; a necessidade de incentivar o protagonismo das mulheres; de os homens abrirem mão dos seus espaços de poder, para estarem lado a lado com as mulheres… Esses espaços são fundamentais para que possamos exercitar nossas lutas comuns e a luta contra a cultura patriarcal e machista que orienta o atual sistema politico brasileiro.

 

Este não é um debate novo para as militantes da Marcha Mundial das Mulheres, por exemplo:

Quando falamos da mercantilização dos nossos corpos, falamos de um sistema politico que ainda quer qualificar as suas poucas representantes no legislativo, em feias, bonitas e misses.

Quando debatemos a luta pela defesa dos nossos territórios, (a terra, a habitação, a água…) falamos de um sistema politico que privilegia o capital econômico que explora e esgota a natureza e a vida das mulheres, de suas crianças e famílias.

 

Quando debatemos a luta pelo direito ao aborto, à contracepção eficaz e à saúde universal, debatemos um sistema politico que tutela as mulheres, que lhes diz como, quando e com quem elas devem ter seus filhos.

Veja bem, a baixa representação feminina na política tem reflexos na vida de todas as mulheres. Não estarmos amplamente representadas no Legislativo e no Executivo, significa dizer que as mulheres não têm poder, que não têm voz. E, no sistema organizado e hierarquizado segundo a concepção machista, se os homens conduzem os rumos do país, podem conduzir também a vida das mulheres.

 

Isso dá o direito, por exemplo, de achar que o homem pode ganhar mais do que a mulher desempenhando a mesma jornada e as mesmas tarefas, caracterizando assim, a desigualdade no mercado de trabalho (o sistema atual mascara esta condição dando nomes diferentes a funções que desempenham tarefas iguais). Dá o direito também de responsabilizar apenas as mulheres pelo cuidado e educação dos filhos, e pelas tarefas da casa, gerando a divisão sexual do trabalho. Mesmo trabalhando fora de casa, as mulheres estão excluídas das funções de poder e decisão, o que as torna “dispensáveis” no mundo do trabalho e “indispensáveis” em casa. Dá o direito inclusive de pensar que os homens são donos da vida e dos corpos das mulheres, exigindo que as mulheres lhes devem obediência, veneração e cuidados, gerando até mesmo a violência doméstica e institucional.

 

Assim, conquistar mais igualdade dentro do mundo politico, significa enfrentar diretamente a cultura patriarcal e machista que nos encerra, nos destina de uma forma naturalizada ao mundo privado.

 

O sistema político existente hoje definitivamente não nos representa! Ele exclui as mulheres que mesmo com cotas de participação, em alguns espaços, não cria reais condições de participação efetiva para as mulheres, e não às empodera.

 

Não queremos um sistema político refém do grande poder econômico. Por isso, pensar um novo sistema de financiamento de campanha é essencial. Não queremos um sistema eleitoral que represente apenas a elite branca e masculina e não de toda a diversidade brasileira. Queremos mais jovens, mais negras e negros, índias e índios, lésbicas e gays nos cargos eletivos…. Para isso repensar a forma do voto e da nossa participação politica para além do voto é importante.

 

Qual discussão feminista você está fazendo? Ainda não percebeu a relação com o sistema politico? Nossas pautas de discussão tem relação direta com o sistema politico mais é necessário aprofundar nossa discussão. Queremos mudar o mundo para mudar a vida das mulheres e para mudar a vida das mulheres e o mundo, precisamos alterar esse sistema político que já está comprovado que não funciona.

Se antena nas próximas datas de mobilização  pelo Plebiscito no RS:

 

Dia 27/fevereiro ás 18h30m – Reunião Plenária do Comitê Estadual de Mobilização no RS
Auditório da FECOSUL – Av. dos Andradas nº 913/ 701
Dias 21 e 22/março – Curso de Formação de Formadores

Mudar o sistema politico para mudar a vida das mulheres!
Mudar o sistema politico para mudar o mundo!
Mudar o mundo para mudar a vida das mulheres!

 

* Raquel Duarte – militante MMM/Caxias do Sul  e Maria do Carmo Bittencourt – militante MMM/Porto Alegre

Para ver mais sobre esta discussão, leia também:

 

A Reforma Política: passos para a despatriarcalização do Estado, por Maria Júlia Montero:http://marchamulheres.wordpress.com/2014/02/03/a-reforma-politica-passos-para-a-despatriarcalizacao-do-estado/

 

Repartir o poder para mudar a sociedade: plebiscito já!, por Camila Paula: http://marchamulheres.wordpress.com/2013/11/29/repartir-o-poder-para-mudar-a-sociedade-plebiscito-ja/

 

Fonte: Marcha Mundial das Mulheres

 

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