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A Marcha Mundial das Mulheres nos diálogos sobre desenvolvimento paralelo a Cúpula dos BRICS

16/07/2014

Em Fortaleza, o encontro “Diálogos sobre o desenvolvimento – os BRICS na perspectiva dos povos”, reunião de diversos movimentos sociais, paralelo a VI Cúpula do BRICS, está acontecendo desde a segunda feira, 14, contando com uma programação de amplos debates e denúncias acerca do atual modelo de desenvolvimento e questionando a visão de integração do BRICS, que prioriza o lucro das empresas e não a vida das pessoas.

O modelo de desenvolvimento econômico e o impacto na vida das mulheres - Graça SamoO bloco de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, realiza a sua VI Cúpula do BRICS, reunindo os chefes de Estado de cada nação e deve anunciar a criação de um banco de investimentos e de um Arranjo Contingente de Reservas (ACR), uma espécie de fundo ao qual os países podem recorrer em caso de dificuldades, que é um sinal do fortalecimento do bloco, na avaliação de especialistas. Para os movimentos sociais reunidos na “cúpula de baixo” paralela ao BRICS, o bloco está adotando posturas imperialistas e promovendo interesses de grandes corporações que exploram os países visando apenas ganhos econômicos. Também há críticas sobre o fato de o encontro e os processos de tomada de decisão do bloco dos emergentes não incluírem consultas a entidades da sociedade civil.

Segunda, 14, na mesa de abertura, após a intervenção da Batucada Feminista da Marcha Mundial das Mulheres com as palavras:Mesa de abertura “Contra a pobreza e opressão do capitalismo patriarcal, nós vamos provocar uma revolução mundial”, no debate sobre a conjuntura internacional e o contexto da prática do desenvolvimentismo a partir do capitalismo, todos os países representados colocaram a crítica ao BRICS por se pautar a partir da economia.

Na visão dos movimentos sociais que lutam por direitos e dignidade humana, este bloco tem que pensar a partir das pessoas, de onde as pessoas moram, em suas comunidades, a partir dos sistemas que elas já desenvolvem. Ao mesmo tempo em que é colocado que o BRICS é um bloco importante por ser uma fração do G20, sendo contraponto de países mais poderosos, entende-se que é preciso avançar no que é ser contraponto a partir do contexto social.

Na manhã do segundo dia do encontro, 15, a mesa BRICS, Desenvolvimento e Conflitos: “Defensores de Direitos Humanos na Linha de Frente” debateu sobre a criminalização das lutas, apresentando argumentos contra o processo de transformação das reivindicações populares em delitos. A mesa foi uma ação da Campanha Linha de Frente e contou além do depoimento da companheira Adriana Vieira (MMM – RN) sobre as experiências de luta das mulheres contra a construção do Perímetro Irrigado de Santa Cruz, em Apodi/Rio Grande do Norte, que despejará 800 famílias das terras onde elas vivem e trabalham para beneficiar 6 grandes empresas do hidronegócio, com temas como o conflito contra as eólicas e a carcinicultura no Cumbe (Aracati – CE) e criminalização das greves.

Oficina de batucadaEm outro espaço, as meninas da Batucada Feminista do RN, realizaram uma oficina de batuques em preparação para o ato de rua. Tendo como tema “Lutar não é crime: contra os BRICS e a exploração capitalista”, o ato contou com a participação de 30 militantes da Marcha Mundial das Mulheres e representantes de outros movimentos e terminou seu percurso na Praça da Juventude, na comunidade Serrinha.

“Para nós, mulheres da MMM, é um momento para denunciarmos mais uma vez as ofensivas do capitalismo patriarcal contra a natureza, os direitos das trabalhadoras, o controle sobre o corpo e a vida das mulheres. Estas ofensivas se materializam em propostas como as dos bancos de desenvolvimento multilateral que financiam cada vez mais projetos em que as mulheres são expulsas de seus territórios pelos megaprojetos nas áreas urbanas, pelas empresas extrativistas e pelo agronegócio”, diz Isabelle Azevedo (MMM – CE), que também é da organização do evento.

Graça Samo, de Moçambique, coordenadora internacional da MMM, esteve hoje, 16, pela manhã na mesa: “O modelo de desenvolvimento econômico e o impacto na vida das mulheres”. Na oportunidade, Graça falou sobre como as mulheres moçambicanas têm se organizado contra a implementação do Prosavana, que se fundamenta no aumento da produção e produtividade baseada em monoculturas de exportação (milho, soja, mandioca, algodão, cana de açúcar, etc) e que pretende integrar camponeses e camponesas nesse processo produtivo exclusivamente controlado por grandes corporações transnacionais e instituições financeiras multilaterais, destruindo os sistemas de produção da agricultura familiar, como também discorreu sobre a interferência das grandes empresas estrangeiras nas culturas locais. “A cultura é considerada em muitos lugares, na verdade, em quase todos os lugares, algo intocável, algo quase que sagrado quando se fala em direitos dos povos, em especial o direito das mulheres. Mas, quando se trata da invasão de empresas em nossos territórios, como é o caso da Vale em nosso país, se desconsidera totalmente esse sagrado da cultura”, afirma.

As denúncias desses processos de expulsão e entrega para grandes empresas dos territórios, que impacta mais fortemente sobre a vida das mulheres, foi de suma importância para fortalecer a solidariedade internacional e permanecer alerta e em marcha pela soberania dos povos e autonomia das mulheres.

Ato de rua




Fonte: Marcha Mundial das Mulheres

 

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