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Seminário de 20 anos do Chapada debateu agricultura familiar

18/09/2014

Durante solenidade que marcou a trajetória da organização, convidados discutiram sobre temas voltados para quem mora no Semiárido

Estratégias de convivência com o Semiárido brasileiro, acesso à terra, água e autonomia política dos/as agricultores/as familiares, foram as principais temáticas abordadas no painel Potencialidades e Estratégias de Desenvolvimento da Agricultura Familiar no Semiárido, conduzido pelo presidente da Associação do Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC) e representante da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), Naidison Baptista, e pelo gerente geral do Programa Estadual de Apoio ao Pequeno Produtor Rural (ProRural), Walmar Jucá. 

No primeiro momento, Naidison Baptista, falou da existência de dois projetos políticos no mundo e no Brasil, o primeiro que proporciona a inclusão das pessoas permitindo-lhes o acesso à terra, água e conhecimento, e o segundo que apresenta um caráter excludente. “Em especial, quando se fala de agricultura familiar, não podemos esquecer que ela faz parte do movimento inclusivo, enquanto o outro lado exclui agricultores/as familiares para dar espaço ao agronegócio”, afirma.

Contra o sistema de exclusão, Naidison defende que famílias agricultoras busquem uma postura mais autônoma, concretizada na luta que ajudará na continuidade e na ampliação das perspectivas da agricultura familiar. “O Semiárido não é lugar de esmolas, nem de pedintes, e nem de quem anda com a cuia na mão. Aqui se vivem pessoas que estão construindo sua própria história”, destaca.

O representante da ASA também lembrou a importância da criatividade das pessoas que vivem no Semiárido e, para exemplificar, citou a construção das tecnologias sociais, que contribuem positivamente na relação do homem e da mulher do campo com o clima da região. “A seca é uma realidade. Há 500 anos os sistemas políticos tentam acabar com o Semiárido, mas as pessoas sempre criam alternativas para uma vida melhor através de estratégias eficientes de convivência”, complementa. 

De acordo com Walmar Jucá, essa forma de disseminar conhecimentos através da criatividade, é que tem impulsionado um avanço político no Nordeste, especialmente no Semiárido, principalmente porque o movimento da sociedade civil é muito forte na região. Ele ainda aproveita para destacar a importância das pessoas possuírem maturação política, sobretudo, porque o Brasil está às vésperas das eleições, e assim segue parafraseando o escritor português, José Saramago: “Fazer a cabeça do outro também é uma forma de colonizá-lo”. 

Durante o debate em plenária, sobre o funcionamento e a manutenção da agricultura familiar, Naidison sugere a não dependência somente das tecnologias, pois é necessário também o desenvolvimento de estratégias e não olhar para o instrumento isoladamente. Para isso, ele reforça a prática do armazenamento de água, a estocagem de alimentos para os animais e de sementes, além da não utilização de agrotóxicos e a comercialização dos alimentos excedentes como iniciativas que podem transformar a realidade das famílias rurais.

Para finalizar, Naidison coloca que o acesso à água é um direito básico e revela que o Semiárido deu um salto depois das tecnologias sociais para captação e armazenamento de água da chuva. “Hoje já existem mais de 1 milhão de  tecnologias construídas, desse total 800 mil são de cisternas de placas, com capacidade para guardar 16 mil litros de água para o consumo, ou seja, isso representa 800 mil mulheres que deixaram de carregar baldes d’água na cabeça”.  

Seminário dos 20 anos

O seminário Há 20 anos Fortalecendo a Agricultura Familiar e a Cidadania no Semiárido aconteceu na última quarta-feira, dia 10 de setembro, no município de Araripina, Sertão do Araripe, e reuniu cerca de 400 pessoas, entre agricultores/as familiares, representantes da sociedade civil organizada, governo do estado, e dos poderes executivo e legislativo da região, além de parceiros/as e amigos/as do Chapada. 

Ainda durante o evento, houve homenagens ao Chapada, apresentação cultural, exposição de produtos da agricultura familiar trazidos por agricultores/as das feiras agroecológicas de Araripina e Ipubi e também a exibição do documentário que revela a trajetória de 20 anos de atuação da entidade.

Fonte: CHAPADA, por Gabriel Ramos e Mariana Landim

 

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