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Seminário discute os efeitos da expansão do eucalipto no sudoeste e sul da Bahia

25/09/2014



Na Bahia, atualmente, um dos maiores desafios à preservação dos direitos socioambientais consiste na iminência da expansão da monocultura de eucaliptos para fins industriais, com impactos decisivos na segurança alimentar e nutricional da população rural e citadina, principalmente, nas regiões sudoeste e sul do Estado. Para discutir esse tema, aconteceu no dia 20 de setembro, em Itapetinga, o “Seminário Projeto da Veracel Celulose para Itapetinga e região: efeitos sobre a saúde, economia e o meio ambiente”.

As monoculturas agrícolas para exportação ou para insumos industriais rapidamente avançam pelos campos baianos, destinando as terras do estado para produzir carvão, soja, algodão e celulose. No quesito celulose, em 2010, a Bahia passou a ser o terceiro maior produtor nacional, com os eucaliptais alcançando 658 mil ha de área plantada, um acréscimo de 18,7% em relação ao total de 2008.

 

Ações previstas e impactos esperados

 

Só na expansão para os municípios da região sudoeste (Encruzilhada, Itapetinga, Macarani, Maiquinique, Itarantim e Potiraguá), a Veracel prevê plantar 50.900 hectares de eucaliptos. Para isso serão comprados cerca de 100 mil hectares das terras, atualmente, ocupadas pela pecuária de leite e de corte, por agricultores familiares que produzem feijão, além de leite, mandioca, café, milho e animais de pequeno porte.

 

Os pequenos agricultores familiares da região sudoeste, que são 50,4% da pulação rural ocupada na agricultura, sofrerão os principais prejuízos, a exemplo do que ocorreu em parte do sul e extremo-sul da Bahia, onde essa monocultura dominou a paisagem. Inúmeras são as consequências socioambientais e alimentares fartamente comprovadas por várias pesquisas do extremo-sul e outras regiões dominadas por essa monocultura. Tais como, redução de terras agricultáveis (nesta região existem 12 mil famílias de agricultores sem terra acampadas); desmatamento; redução da biodiversidade; êxodo rural; plantações irregulares (o Instituto Ambiental do Estado não tem conhecimento ou qualquer tipo de controle sobre 37.037 hectares de eucalipto da região); invasão de território indígena; e além disso, os preços dos alimentos são altíssimos em função de serem produzidos em outras regiões.

A grande concentração de terras em poucas mãos é um problema que se acentuará com esse projeto. Caso a Veracel compre as terras que pretende dificultará ainda mais a destinação de latifúndios para o programa nacional de reforma agrária, remetendo para as calendas gregas a realização da justiça social no campo e a conquista da segurança, soberania alimentar e nutricional na região.

 

Este projeto tem vários efeitos negativos sobre a produção de alimentos. O primeiro deles será uma drástica redução da produção de leite, carne e produtos agrícolas. Isso por que a efetivação da compra do estoque de terras previsto retiraria os terrenos planos e férteis,  justamente os pretendidos pela Veracel, da produção agropecuária.  Com menos produção disponível no mercado regional reduziria também a quantidade de empresas e laticínios que adquirem e processam esses produtos locais. Isso levaria a uma queda dos empregos no campo e na cidade, assim como o aumento dos preços dos alimentos.

 

Sob o aspecto da geração de emprego, a experiência com empresas de celulose no extremo sul da Bahia e no norte do Espírito Santo demonstra que para se criar um emprego com eucaliptos são necessários 183 hectares de terra. A atividade agropecuária gera, em média, um emprego com apenas 37 hectares, enquanto a agricultura familiar exige menos de sete.[1] Por essa razão, a Veracel destruiria mais ocupações na área rural do que ela diz que criará de empregos. Sua presença, portanto expulsaria ainda mais o homem do campo, aumentando a pobreza, a violência rural e urbana.

 

Nas bacias dos rios Água Preta, Angelim, Ribeirão, Catolé, Jundiá, Manjerona, Maiquinique, Córrego d’Água, Córrego do Nado, dentre outros afluentes do Rio Pardo e do Rio Jequitinhonha, além da diminuição do volume de água, em muitos deles haverá contaminação química com herbicidas à base de glifosato (e de isoxafluote), princípio ativo do Roundup, e a sulforamida (formicida), substâncias usadas em larga escala nas plantações de eucaliptos e que podem causar graves consequências à saúde, inclusive câncer de rins e até deformação de embriões, conforme tem alertado estudos científicos.

Apoio do governo baiano

O projeto de expansão da Veracel conta com a participação direta do BNDES, sócio e financiador desses empreendimentos, e com apoio político do governo baiano. Mesmo o fato de a Veracel apresentar uma trajetória de crimes ambientais no extremo sul do estado, apurada em várias sentenças judiciais, não impede que o governo baiano apoie esta expansão.

Fonte: CEAS

 

 

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