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Comunidade Ilha fará assembleia para debater estudos sobre regularização fundiária e enchentes

16/10/2014

No dia 17 de outubro, às 19h, as Associações de Moradores Jardim Iracema e Região e de Catadores de Material Reciclável Ilha realizam uma assembleia com a comunidade para discutir os estudos feitos sobre a questão das enchentes e da regularização fundiária da região. A comunidade Ilha é umas das 102 áreas de ocupação irregular do município de Almirante Tamandaré. A vila é formada por cerca de 80 famílias, algumas vivem na região há mais de 35 anos e até hoje sofrem com recorrentes enchentes por falta de drenagem no Rio Barigui, que margeia a comunidade.


Stella Bezerra

A pesquisa que será debatida nesta sexta é resultado da parceria entre as associações, o Cefuria, a Assembleia Popular e a Universidade Federal Tecnológica do Paraná – UTFPR. O projeto de extensão firmado com Laboratório de Urbanismo e Paisagismo da UTFPR em fevereiro deste ano envolveu estudantes, professores e educadores populares na realização de estudos e projetos técnicos necessários para o encaminhamento da regularização fundiária da área. Para além dos aspectos legais e jurídicos ligados à regularização, o trabalho buscou soluções para situações de risco e preparação do assentamento para receber infraestrutura e saneamento básico.

Todo o processo tomou como princípio a educação popular, a participação e o empoderamento da população para a luta por direitos, especialmente no que diz respeito ao acesso à moradia e à cidade.  O projeto envolve também o apoio da Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré e do Ministério Público do Estado do Paraná – 4ª Promotoria de justiça.

Sandro Cabral

Luta por condições de trabalho

Há três anos, trabalhadores/as da reciclagem da comunidade Ilha deram um passo decisivo na luta por melhores condições de trabalho, quando ocuparam um barracão abandonado próximo à vila. Naquele dia 5 de março de 2011, a decisão corajosa das 25 famílias ocupantes mudou o cenário da Ilha: sem local de trabalho para armazenagem e separação dos materiais, os catadores eram obrigados a utilizar as próprias casas como depósito. Os constantes alagamentos também provocaram a perda de grande parte do material reciclável coletado e estrago nas moradias.

A luta deu resultados: o grupo formou a Associação de Catadores de Material Reciclável Ilha e, em abril de 2012, conquistou o direito de permanecer utilizando o barracão, que antes de servir como local de trabalho estava abandonado por uma massa falida. Pela articulação com outros trabalhadores da reciclagem de Curitiba e Região, hoje a Associação faz parte da Cooperativa Paranaense de Reciclagem – Copersol, que reúne nove grupos.

Déficit de moradia

A falta de moradia digna é um dos grandes problemas das cidades brasileiras, e Almirante Tamandaré não fica de fora. Segundo o Plano Local de Habitação de Interesse Social do município, existem 102 áreas irregulares, que reúnem mais de 5.800 domicílios.

O município de 103 mil habitantes, segundo dados do Censo do IBGE de 2010, faz parte das cidades integrantes do primeiro anel da Região Metropolitana de Curitiba. Por consequência, Almirante Tamandaré vive o processo de periferização.

Fonte: CEFURIA

 

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