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Pesquisas analisam participação política dos jovens em ano pós-manifestações de junho de 2013

29/10/2014

Primeiro ano de disputa eleitoral depois das manifestações de junho de 2013 que mobilizaram o País, 2014 tornou-se um momento propício para pesquisas que relacionam juventude e política

O Núcleo de Pesquisa em Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) apresentou no dia 25 de setembro os resultados de pesquisa que procurou investigar qual o nível de participação e confiança nas instituições políticas de jovens entre 15 e 29 anos residentes na cidade de São Paulo. Dentre as instituições que gozam de menor confiança entre os entrevistados estão: políticos em geral (60,8% não confiam), partidos políticos (57,79%) e Polícia Militar (49,82%). As que se sobressaem positivamente são Bombeiros e Movimentos Sociais, com elevados percentuais de entrevistados que “Confiam Totalmente” ou “Confiam”.

A pesquisa revela ainda que, apesar de 41% dos jovens terem participado de alguma manifestação em São Paulo, o grau de confiança em instituições, como partidos, sindicatos, associações e a militância em movimentos políticos não ultrapassa 9%.

(Clique sobre a imagem para ampliar)


No dia 24 de setembro, a Box 1824, agência de comportamento e tendências, apresentou os resultados do estudo Sonho Brasileiro da Política, que buscou “mapear e entender em profundidade os sentimentos, motivações, valores, visão e iniciativas que norteiam a participação e o engajamento dos jovens na transformação política do Brasil”. Para isso, foi realizada pesquisa quantitativa e qualitativa com 1.400 jovens de 18 a 32 anos de sete capitais brasileiras: São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Brasília (DF), Belém (PA) e Rio de Janeiro (RJ).

O estudo constatou que 16% dos entrevistados são altamente engajados e têm ações políticas entre suas atividades cotidianas. Para 18%, as manifestações despertaram o interesse pela política; 26% dos jovens concordam que as manifestações serviram para criar pontos de encontros e aproximar pessoas com interesses comuns.


Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que o engajamento político dos jovens não se refletiu em um maior interesse em participar do processo eleitoral deste ano. De acordo com o órgão, o número de jovens eleitores, com 16 ou 17 anos, inscritos no TSE e com poder de voto em 2014 é de 1.638.751 — um recuo de 31% em relação a 2010, quando a quantidade chegou a 2.391.352. Em termos percentuais,23% dos jovens com direito ao voto facultativo emitiram o título para as eleições deste ano, enquanto que em 2010 35% fizeram o mesmo.

Na avaliação da socióloga Anna Luiza Salles Souto, coordenadora de Participação e Juventudes no Instituto Pólis, “essa queda do número de eleitores ‘voluntários’, nessa faixa em que o voto é facultativo, não deve ser lido como um indicador de uma apatia ou de um distanciamento dos jovens com relação à política”. 

Em entrevista ao Portal Cenpec, ela comenta as formas pelas quais se dá a participação política do jovem hoje com base nos dados da Pesquisa Agenda Juventude Brasil: Pesquisa Nacional sobre Perfil e Opinião dos Jovens Brasileiros 2013, na qual atuou como consultora. Realizada entre abril e maio de 2013, portanto, logo antes do estopim das manifestações de junho, o estudo traçou um retrato dos ânimos e anseios da juventude naquele período.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Novas formas de participaçãoO que a pesquisa [Agenda Juventude Brasil] identificou é que para além do voto os jovens também contemplam outras formas de exercício da política. Achar que se faz política só via foto é um equívoco, sobretudo depois de junho de 2013, não tem como falar que os jovens são desinteressados da política.

Formulamos uma pergunta bastante interessante sobre as formas de participação política que mais contribuem para mudar o país, 45% dos jovens apontavam a participação em mobilizações de rua e outras ações diretas, 44%, a atuação em associações ou coletivos e 35% em conselhos, conferências etc. Apenas 3% descartam qualquer uma dessas formas.

Existem momentos de maior engajamento eleitoral e outros momentos em que o leque se amplia. Os dados da pesquisa apontam com bastante força que há que se combinar democracia representativa com a participativa.

Os dados apontam uma juventude que tem predisposição de se engajar de diversas formas na construção de um país melhor. Fica o desafio de efetivar esse desejo.

Os dados da pesquisa foram coletados em abril e maio, um mês antes do início das manifestações e mostra bem o estado de ânimo, capta uma fotografia de um dado momento histórico, e aponta várias coisas interessantes para se pensar.

É muito interessante, porque sempre que os jovens saem às ruas a sociedade parece que se assusta, se espanta, pega sempre todo mundo meio desprevenido, “de calças curtas”. Na verdade, isso tem a ver com a imagem negativa que a sociedade tem em relação à juventude, sempre vista com lentes desfocadas, sem olhar mais detalhadamente para o potencial e desejo de ter voz. A questão da defesa de direitos é um tema que está na agenda da juventude.

A relação dos jovens com o voto e as instituições políticasUma outra pesquisa foi feita pela Fundação Perseu Abramo com essa mesma pergunta e essas mesmas alternativas com a população brasileira de 15 anos ou mais. No conjunto, os dados não são tão diferentes, com exceção dos que se referem aos partidos políticos. Nessa pesquisa, 18% dos brasileiros apontam os partidos como um canal para alcançar as melhorias que desejam para o País. Na nossa pesquisa, com recorte de juventude, esse percentual sobe para 30%. Você tem uma aposta maior dos jovens na importância dos partidos, o que não significa que eles queiram atuar nos partidos, porque na listagem dos coletivos, os partidos foram o que obtiveram maior rejeição: 88% dos jovens entrevistados não participam nem gostariam. Revela um grau de maturidade política dos jovens, dessa nova geração, porque, na minha leitura, mostra que eles valorizam as institucionalidades partidárias, mas não querem participar delas, o que denota uma crítica ao seu funcionamento. Aí cabe também perguntar se os partidos se abrem efetivamente à participação da nova geração.

Também fui pesquisar outros levantamentos. O Latinobarômetro, com dados de 2011, revela que 50% dos brasileiros com idade entre 15 e 25 anos concordavam com a afirmativa de que não pode haver democracia sem Congresso Nacional e 45%, que não pode haver democracia sem partidos. É interessante.

O papel da escola na formação política dos jovensÉ importante incluir no currículo esse tipo de formação, mas acho mais importante ainda a escola se abrir à participação dos jovens. É no exercício da participação que se fortalece a participação. Fica aí um desafio para escola de se abrir à participação e a um diálogo mais efetivo com os alunos, a uma escuta mais qualificada, que eles possam sentar e discutir questões, buscar fórmulas que contemplem as expectativas dos jovens...Enfim, os jovens vão mudando. Não é uma categoria estanque. A escola precisa permanentemente estar se repensando e se renovando para acompanhar e estabelecer um diálogo mais profícuo com os estudantes, para que em conjunto possam enfrentar os desafios colocados no plano da educação.

A relação dos jovens com a política tem multidimensões, não é linear. Os jovens entram em grupos, saem, participam, deixam de participar... Faz parte da vida. A gente fica cobrando dos jovens uma trajetória linear, ascendente, como se isso fosse por só algo virtuoso. A realidade é dinâmica, contraditória e a relação dos jovens com a política também.

Fonte: CENPEC

 

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