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O novo cenário brasileiro, segundo o MTST

30/10/2014

Para coordenador do movimento, abriu-se brecha para mobilização social; Dilma fala em reformas, mas amarrou-se a Congresso conservador; pauta da Reforma Urbana precisa incluir controle de alugueis

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O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, se disse aliviado com a reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT), a quem o movimento apoiou por considerar que uma vitória do candidato derrotado Aécio Neves (PSDB) seria “desastrosa” para os trabalhadores. No entanto, ressalta que o movimento agora volta às ruas, pois “esse é o momento das grandes lutas para avançar no conjunto de reformas populares, que hoje estão bloqueadas no Brasil”.

Boulos disse não ter ilusões quanto à atuação do governo para avançar em processos como a reforma política e a reforma urbana, pois as alianças no Congresso Nacional continuam sendo as mesmas. “Para avançar no conjunto das reformas vai ser necessário um amplo processo de pressão e mobilização de rua e o MTST está se preparando para fazer parte disso”, disse, ampliando mais uma vez o escopo de atuação do movimento, agora com a reforma política.

Para ele, é uma ilusão acreditar que a mudança do sistema político-partidário, que a presidenta Dilma mencionou em seu discurso na noite de domingo (26), após a divulgação do resultado da eleição, como uma das prioridades de seu segundo mandato, vai se dar por um consenso com o PMDB ou PSDB. “Nem ela acredita nisso. Seria conto de fadas”, ironizou.

Além disso, embora considere importante e definitiva a atuação de um grande número de movimentos com causas distintas em prol de Dilma no segundo turno da eleição, Boulos acha difícil uma guinada voluntária do PT à esquerda.

“Ao mesmo tempo em que eles têm uma fatura mais forte com os movimentos, eles também têm uma fatura a pagar para os empresários e para o agronegócio que bancaram a campanha deles. E toda a base aliada no Congresso Nacional com quem eles vão recompor. Qualquer movimento nesse sentido vai depender de um amplo processo de mobilização popular.”

Para o militante, a polarização ocorrida no segundo turno da eleição não é negativa, embora não negue os “efeitos de barbárie”, como o preconceito destilado contra os nordestinos nas redes sociais. Ele avalia, porém, que não adianta a presidenta – e também o vice-presidente Michel Temer – discursar que este é um momento de unidade nacional, pois a divisão do país é um fato.

“Essa mobilização não se desmonta por um discurso. Ela está dada por razões objetivas, por um esgotamento do modelo econômico e de conciliação de classes que foram estes 12 anos. A elite esteve na rua, pró-Aécio, mas também houve mobilização popular. E que não vai acabar agora porque a Dilma se elegeu”, defendeu.

Boulos ainda destacou que o movimento não fez nenhum acordo com o governo Dilma em troca do apoio. “Quando resolvemos fazer o apoio crítico no segundo turno, isso não foi condicionado a qualquer apoio político. Foi pelo entendimento que o movimento tinha, e tem, dos riscos que estavam colocados. Isso em nenhum momento ofuscou as reivindicações e as críticas que o movimento tinha e continuará tendo ao governo do PT”, explicou.

Na pauta mais específica da moradia, o movimento vai defender transformações profundas no programa federal Minha Casa, Minha Vida, para valorizar a gestão direta por organizações populares – chamada modalidade entidades – e localização mais central dos empreendimentos, além da pauta sobre regulamentação do reajuste dos aluguéis. “Esse é um desafio para o próximo período”, concluiu Boulos.

Sem terra

Em nota o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifestou similar à do MTST, destacando o esgotamento do modelo de crescimento em que “trabalhadores e patrões ganham” e a composição mais conservadora do Congresso Nacional a partir de 2015. “O próximo governo terá de escolher quem vai sair perdendo, e nós precisamos lutar para que não sejam os trabalhadores.”

O movimento avalia como pontuais as medidas da gestão petista em favor das famílias mais pobres da zona rural nos últimos 12 anos e que a reforma agrária dificilmente será proposta pelo governo ou pelo Congresso, mas sim por pressão dos movimentos sociais. “O que o PT fez não foi reforma agrária, foi política de assentamento”, diz outro trecho do documento.

Fonte: RBA, por Rodrigo Gomes

Via Outras Palavras

 

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