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Especialista salienta a importância do planejamento e da diversificação na hora de mobilizar recursos

06/11/2014

O tema gera interesse entre as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e é de fundamental importância para a sustentabilidade financeira que garante sua atuação

 

Em entrevista à Abong, João Paulo Vergueiro, da Associação Brasileria de Captação de Recursos (ABCR), explica melhor os mecanismos de mobilização de recursos entre OSCs, seus desafios e o que é necessário mudar.

 

Confira a entrevista a seguir.

 

 

Abong - Qual é a importância do tema “Mobilização de Recursos” para o campo das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) que atuam por defesa de direitos e bens comuns?

 

João Paulo Vergueiro - A mobilização de recursos é um tema fundamental para todas as organizações porque é a partir de uma atuação estratégica e planejada para captar recursos que as entidades conseguem alcançar sua sustentabilidade financeira. No caso das que atuam por defesa de direitos e bens comuns, a importância é ainda maior por serem organizações que atuam com causas fundamentais para a sociedade, porém com apelo direto menos tangível para os doadores. Por isso, ter uma boa estratégica de mobilização de recursos e saber chegar ao público financiador certo pode ser o diferencial para que elas consigam viabilizar suas ações e impactar positivamente na sociedade e no governo.

 

Como a sociedade civil organizada pode captar recursos? Quais são os formatos existentes para isso hoje e o que melhor funciona e por quê?

 

Antes de tudo, é preciso ter planejamento. A partir do planejamento estratégico da organização, ela pode definir o seu próprio planejamento de mobilização de recursos. Isso é fundamental para toda a sociedade civil organizada: tem que planejar, investir e possibilitar o tempo necessário para se captar recursos. Não há fórmula mágica, o dinheiro não vem de um dia para o outro, mas com dedicação e planejamento. A partir do planejamento, deve-se definir quais serão as formas e estratégias para captar recursos. Eles podem vir de doadores corporativos, de transferência de recursos do governo, de outras ONGs nacionais e internacionais ou, principalmente, de indivíduos. Indivíduos são, aliás, os maiores doadores no mundo. Entre 60 e 80% de tudo o que é doado – e, portanto, captado - vêm de indivíduos, público para o qual é possível desenvolver estratégias diversas para, por exemplo, doadores recorrentes, grandes doadores, eventos, etc. No Brasil, com o fortalecimento econômico dos últimos anos e o crescimento da classe média, essa é a forma que mais tem se destacado também, inclusive com organizações internacionais vindo captar no Brasil, algumas sem ter escritório fixo aqui.

 

Que tipos de desafios a sociedade civil enfrenta para captar recursos no Brasil? Estes desafios estão ligados a que exatamente?

 

O primeiro é a falta de cultura de planejamento. A pesquisa Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (FASFIL), com dados de 2010, mostrou que 70% das organizações não têm sequer um funcionário registrado. Essa realidade precisa mudar, pois a captação de recursos é uma ação que precisa ser feita de dentro para fora, com o pedido de doação vindo d própria organização, e nós temos que buscar que as organizações tenham equipe própria, estrutura e planejamento para multiplicar suas ações e garantir sua sustentabilidade. Outro desafio é criar uma “cultura de pedir”. Muitas organizações não estão acostumadas a pedir doações, e sem o pedido a doação não vem. Com o “pedir”, várias outras ações estão relacionadas, como uma política de transparência e comunicação por parte das organizações, que devem publicar seus relatórios anuais e balanços, produzir informativos, mostrar à sociedade o trabalho que vêm realizando, etc. Finalmente, há também a natural dificuldade pela não cultura de doação. Não aprendemos que é importante doar, não somos ensinados na família, na escola, no trabalho, pela mídia. Assim, não temo estímulos pessoais para realizar doações para organizações da sociedade civil. Também não temos estímulos oficiais para realizar doações. Não há uma legislação única e simplificada que, dentre outras coisas, possibilite a concessão de incentivos fiscais para quem realiza doações para organizações da sociedade civil. Aqui, a regra geral, é preciso, inclusive, que o governo aprove projetos que terão incentivos fiscais. Não temos esse benefício quando queremos doar para organizações diretamente e as leis não prevêem todos os tipos de organizações - as de defesa de direitos, por exemplo, não têm esse benefício. Em suma, os desafios são muitos, que incluem o desenvolvimento de um modelo brasileiro de financiamento das organizações da sociedade civil adequado à nossa realidade e inclusivo para quem capta e quem doa.

 

Qual é a importância de diversificar as fontes de recursos?

 

Mais que importante, diversificar é a regra na mobilização de recursos. Tem que ser o paradigma das organizações. Quando ficamos dependentes de poucos doadores, ficamos vulneráveis, suscetíveis a variações da estratégica do financiador. Por isso, a recomendação é que nenhum doador represente mais do que 30% de cada organização. Assim, caso algum deles tenha problemas, a organização não fica totalmente vulnerável e consegue dar continuidade à suas ações e projetos e beneficiar toda a sociedade.

 

Como as OSCs podem diversificar as fontes de recursos sem ferir seus valores e princípios?

 

Novamente, com planejamento. É preciso desenvolver uma estratégica de captação que preveja quais serão as fontes, como elas serão alcançadas, quanto precisa ser investido para ter sucesso na captação, para manter doadores, quem vai ficar responsável por cada ação na captação, etc. Nesse processo - e mais uma vez daí a importância de se fazer a captação de dentro da própria organização para fora-, ela pode definir quais serão seus focos de captação dentro dos seus valores e princípios. Há organizações, por exemplo, que só recebem recursos de pessoa física, para poderem atuar livremente quando entrarem em conflitos específicos com corporações. O mesmo vale para o governo, proporcionando maior liberdade de contestação, principalmente quando se tratar de defesas de direitos. Essa decisão é da organização, que implementa sua captação em observância aos seus princípios.

 

Qual é a diferença entre fontes e estratégias de captação de recursos?

 

Fonte é a origem do recurso, podendo ser, por exemplo, indivíduos, empresas, governo, ONGs nacionais e internacionais, agências de cooperação, etc. Estratégias são as formas de se realizar a captação junto a essas fontes, como por exemplo, eventos, captação via internet, editais nacionais e internacionais, patrocínios, etc.

 

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