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Seminário põe em cheque o conceito de desenvolvimento

14/11/2014

Encontro reuniu representantes da sociedade civil e especialistas para refletir sobre saídas possíveis para a atual crise socioambiental. Crítica passa pela desconstrução de elementos constitutivos do capitalismo




O conceito de desenvolvimento como é entendido no senso comum atual é limitado ao crescimento econômico, deixando de lado questões ambientais e levando a humanidade para um caminho que pode inviabilizar a vida no planeta. Esse foi o principal eixo das discussões realizadas no Seminário “Novos modelos de desenvolvimento e caminhos para a convivência socioambiental”, realizado pelo Observatório da Sociedade Civil em parceria com a Abong, em Recife, na última terça-feira (11/11). O evento teve apoio da Fundação Ford.


“A humanidade está caminhando na direção da não-sustentabilidade”, resumiu o diretor-executivo da Abong Ivo Lesbaupin, que participou da mesa “Para além do desenvolvimento”. “Os responsáveis pela reprodução desse modelo produtivista-consumista não querem parar de produzir e de vender, sem considerarem os limites do planeta”, concluiu.


Para Guilherme Carvalho, da Fase – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional e do Fórum da Amazônia Oriental, a crítica ao modelo atual passa pela desconstrução de elementos constitutivos do capitalismo, como a noção de progresso, a transformação da ciência em um instrumento de dominação e a ideia de que os seres humanos não fazem parte da natureza, mas devem dominá-la. “Por isso indígenas, ribeirinhos, quilombolas e povos originários se tornaram os principais inimigos do modelo capitalista hoje, porque são a prova de que existem outras maneiras de sobrevivência, com uma relação diferenciada com a natureza”, afirma.


“Na Amazônia, a questão central é a disputa por territórios. De um lado, estão povos originários, quilombolas e ribeirinhos. Do outro, está o Estado nacional, o Judiciário, a mídia e as empresas transnacionais, que querem conectar novos territórios ao mercado globalizado”, diz. Guilherme afirma ainda que decisões autoritárias e violações de direitos são condições necessárias para a reprodução deste modelo, bem como o enfraquecimento da democracia e a “despolitização da política”. “A política tem que se tornar para os pobres algo muito chato e os meios de comunicação atuam por essa despolitização”, sustenta.


O fundador do Instituto Arapoty Kaká Werá trouxe ao seminário um relato a respeito do modo de vida e visão de mundo dos povos indígenas brasileiros. Ele explicou que, para as culturas ancestrais, a relação com cada bioma da natureza transmite conhecimentos e valores. Nesse contexto, desenvolvimento é a visto com uma evolução pessoal em relação a estes valores.


“Vejo dois modelos de desenvolvimento em curso. Um que impõe o consumo pelo consumo e a exploração. E o indígena, que eu chamo de ‘modelo de desenvolvimento ancestral’, que considera que somos parte de um todo, parentes da natureza. Desenvolvimento não significa ter mais, mas evolução de valores e saberes”, defende.


A mesa “A questão da energia no Brasil de hoje” aprofundou o debate a respeito das opções de política energética adotadas pelo Estado brasileiro e suas consequências para as populações atingidas.


Para Heitor Scalambrini, professor associado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), há falta de planejamento do governo nessa questão, especialmente por deixar de lado o investimento em fontes renováveis de energia. “A proposta é simplesmente ofertar energia, sem pensar em diversificar as fontes. O plano de expansão energética até 2030 e os planos decenais são os documentos que norteiam a política energética e eles mostram que o governo não prioriza as fontes renováveis, que recebem menos de 10% dos investimentos planejados”, analisa.


Ele defende a descentralização e a democratização do planejamento a respeito do tema. “Não tem sentido os caras lá em Brasília decidirem o que a gente vai consumir e como a gente vai produzir energia no sul ou no nordeste. E não há a sociedade civil envolvida nisso também. Falta democratização da política energética. Nós estamos na época da ditadura ainda nessas questões”, afirma.


O impacto dessa falta de participação social foi amplificado pelo relato de Rafael Dias, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, do Núcleo Tramas, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do conflito de Santa Quitéria (CE), que falou sobre as populações atingidas pela política energética brasileira. Ele destacou, em especial, o caso dos parques eólicos no Ceará, que causaram enorme impacto na vida de muitas pessoas.


“É impossível entender a questão energética no Brasil se a gente não compreende o modelo de desenvolvimento adotado. A gente não pode pensar nenhuma matriz energética que desconsidere as populações que vivem nos locais onde estas serão instaladas. É fundamental fortalecer a inclusão desses sujeitos sociais nos relatórios e estudos”, defende.


O encerramento do Seminário se deu com a mesa “Sustentabilidade na prática”, que trouxe três experiências diferentes de práticas alternativas ao modelo hegemônico. Eduardo de Paula, do Movimento Nacional de Catadores, apresentou a história do Movimento , que por meio de mobilização e organização conseguiu notáveis avanços no combate ao preconceito e no reconhecimento da importância da categoria na construção de cidades mais sustentáveis.


Débora Rodrigues, da Vida Brasil e representante da Bahia na coordenação do Fórum Nacional de Economia Solidária e no Fórum Estadual, falou sobre os avanços e desafios do Movimento Nacional de Economia Solidária. Ela destacou que, além de proporcionar geração de renda e inclusão social por meio de um modelo de produção controlado pelos/as próprios/as trabalhadores/as, as experiências estão fortemente ligadas à realidade de cada empreendimento, ampliando o alcance das mudanças.


Rodrigo Gravina, do Instituto Sócioambiental (ISA), apresentou a experiência da Rede Sementes do Xingu, que mobilizou comunidades indígenas e agricultores/as da região ao redor do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso, para possibilitar o reflorestamento da área com espécies nativas. Os/as indígenas recolhem as sementes e vendem para os/as agricultores/as, promovendo assim uma maior integração entre os povos.


Fonte: Observatório da Sociedade Civil

 

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