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Violência e despreparo policial, um problema sério, também nos Estados Unidos

27/11/2014

Episódios recentes envolvendo policiais brancos contra cidadãos negros reacende a discussão de violência racial e expõe aparente paranoia das forças de segurança americanas

Nesta semana milhares de manifestantes saíram às ruas nos Estados Unidos em protesto pelo não indiciamento do policial branco que matou um jovem negro em Ferguson, subúrbio da cidade de Saint Louis, capital do estado sulino do Missouri.

No incidente, ocorrido em agosto, o policial Darren Wilson matou Michael Brown, de 18 anos, depois de se envolver numa luta corporal com ele. O policial estava dentro de seu carro. Alegou que o jovem o agrediu a socos e que tentou se apossar de sua arma, que ele (Warren) brandiu. Na sequência, ainda segundo o policial, o jovem voltou a se aproximar ameaçadoramente, e ele atirou, matando-o.

O caso foi levado a um Grande Júri pela promotoria do estado. O procedimento consiste em reunir 12 jurados a portas fechadas, que ouvem a acusação e testemunhas, examinam documentos, podem convocar o(s) acusado(os) a depor (o que aconteceu no caso), e determinam se há indícios ou provas que justifiquem a abertura de um processo criminal. Para que isto ocorra é necessário que pelo menos nove dos doze jurados votem a favor.

A decisão foi pela não abertura de processo contra o policial. Sua divulgação provocou imediatamente violentos distúrbios em Ferguson. Na segunda-feira (24) à noite houve tiroteios e foram incendiados prédios, lojas e carros de polícia, além de outros veículos. Foram detidas pessoas e 14 ficaram feridas com gravidade.

O governador do estado, Jay Nixon, enviou tropas da Guarda Nacional para ampliar a força policial. Na terça-feira seguinte os protestos se repetiram, mas com menor intensidade, devido à presença de forte aparato repressivo nas ruas, inclusive com armamento pesado. Ainda assim, mais 44 pessoas foram detidas e houve queima de carros da polícia.

No restante do país houve protestos em dezenas de cidades, todos pacíficos, embora tenha havido detenções, sem resistência, pelo menos em Los Angeles. Também houve protestos diante da Embaixada dos Estados Unidos em Londres.

A insatisfação com o veredito do Grande Júri intensificou as manifestações de que os negros são sistematicamente alvo de violência policial e com frequência tratados com preconceito pelo Judiciário.

O caso não está encerrado. O governo federal vai estudar se abre um outro processo contra o policial, e a família do jovem morto também pode abrir um.

De qualquer maneira, o caso entra no rol das ações que evidenciam uma provável falta de preparo por parte de muitos policiais para lidar com casos desta natureza – ainda mais numa cidade onde a maioria da população é negra e a dos policiais, branca.

Especialistas comentaram na mídia que o policial deveria ter tentado alternativas antes de sacar sua arma e depois ainda sair sozinho em perseguição à vítima. Ele poderia, segundo estes comentários, ter usado gás pimenta e cassetete, em vez de arma de fogo e sobretudo ter chamado reforço antes de se engajar na perseguição.



Apontaram também que possivelmente o policial teve uma reação emocional por ter sido esmurrado pelo jovem, que era grande e aparentemente mais forte do que ele. E que o desenlace se tornou previsível – fatal mesmo – depois que o policial apontou a arma de fogo.

Ainda no fim de semana outro acontecimento trágico trouxe à baila o tema do despreparo e da violência policial. Em Clevelando, Ohio, no norte do país, um jovem (também negro) de 12 anos foi morto por um policial, quando empunhava um revólver de brinquedo. O menino estava perto de um quiosque, num parque, e ficou vários minutos apontando a arma para os passantes.

A polícia foi chamada. Dez minutos depois chegou uma viatura com dois policiais, que desceram do carro. Deram ordem para que o menino pusesse as mãos para cima. Ao contrário, segundo os policiais, ele sacou a “arma” de seu coldre, e um deles fez dois disparos. O menino, atingido no tórax,  morreu horas depois.

Várias perguntas cercam o caso: apesar da suposta arma ser muito parecida com um revólver de verdade, os policiais deveriam ter treino suficiente para reconhecê-la. Se havia alguém supostamente ameaçando outras pessoas com uma arma, por que apenas uma viatura atendeu a ocorrência?

Além disto, era evidente (o episódio foi filmado por uma câmera de vigia do parque) que o “alvo” era uma criança. Seria possível – provável mesmo – que fosse aconselhado um outro tipo de abordagem, ao invés do simples “mãos ao alto” em primeiro lugar. O caso está sob investigação.

Parece haver um clima de tensão paranoica rondando as forças policiais nos Estados Unidos.


Fonte: Rede Brasil Atual

 

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