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Especialistas destacam educação integral como estratégia para superação das desigualdades

28/11/2014

Um dia dedicado à reflexão sobre os programas de educação integral no Brasil, seus desafios e perspectivas. Foi essa a proposta do Seminário Internacional Educação+Participação=Educação Integral, realizado na última sexta (14), em São Paulo (SP), por iniciativa da Fundação Itaú Social e Unicef, com a coordenação técnica do Cenpec.

A plateia lotada do auditório da Fecomercio, composta por professores, educadores e gestores de ONGs e interessados no tema, pôde acompanhar no período da manhã a exposição de especialistas que abordaram o assunto a partir de perspectivas diferentes. Diana Toledo Figueroa, analista de Políticas Educacionais da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), falou sobre o desempenho educacional do Brasil em relação a outros países da OCDE, com ênfase na questão da equidade. “Equidade e qualidade caminham juntos. Ambos são necessários para o bem-estar socioeconômico do país”. Dentre as estratégias elencadas por ela para superação das desigualdades educacionais está a ampliação do tempo de aprendizagem, bem como a elaboração de políticas específicas para atender às demandas dos alunos mais vulneráveis. “O Brasil alcançou grandes melhorias, mas muito ainda precisa ser feito”, observou por fim.

Jessica Donner apresentou a experiência da Every Hour Counts, uma articulação de organizações norte-americanas que busca aumentar as oportunidades de aprendizagens de crianças, adolescentes e jovens no País, desenvolvendo programas e prestando assistência técnica às comunidades para construir sistemas de aprendizagem ampliada, os chamados after school programs.

Já Lucia Couto falou sobre o tema a partir de sua experiência como ex-secretária de Educação das prefeituras de Diadema (SP) e Embu das Artes (SP). Logo na abertura de sua exposição, destacou que entende que educação integral “não é uma modalidade, mas um novo conceito, uma nova abordagem curricular”. Nessa perspectiva, “o grande desafio é pensar a escola, essa instituição secular, nessa nova abordagem”, complementou. Ao longo de sua fala, Lucia reforçou a noção de eduação integral como um “transbordamento da escola”, articulando conhecimentos e linguagens tradicionalmente curriculares com os presentes na comunidade. “A escola precisa sair dela e descobrir o que existe na comunidade que pode agregar à sua prática”, explica Lucia. “É um movimento rico, mas não é fácil romper com a cultura escolar”, reconhece.

Para a ex-secretária, o novo Plano Nacional de Educação, sancionado este ano pela presidente Dilma Roussef, apresenta um cenário positivo e promissor para educação integral. Na sua avaliação, a demora na sua aprovação e em se chegar a um consenso mostra que o documento está sendo de fato levado a sério, diferentemente do Plano anterior. 

Presente à mesa como mediadora, a superintendente do Cenpec, Anna Helena Altenfelder, fez uma síntese das falas. “Uma ideia transversal nas apresentações é que para que crianças e jovens aprendam é preciso criar situações de aprendizagem planejadas e em quantidade e qualidade suficientes”, observou. 

Ela também chamou a atenção para necessidade de se formular políticas específicas para atender às demandas das escolas situadas em territórios vulneráveis, aspecto presente na fala da representante da OCDE e tema ao qual vem se dedicado a Coordenação de Pesquisas do Cenpec. 

A superintendente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana, que dividiu a moderação da mesa com Anna Helena, destacou três pontos para reflexão a partir da sua leitura das apresentações: a importância da avaliação e do monitoramento na podução de evidências que reforcem a pertinência da educação integral e a necessidade de se investir em estratégias de comunicação que produzam engajamento nos diferentes públicos envolvidos. Por fim, lançou uma provocação: “Como falar em meritocracia em uma sociedade em que as oportunidades são tão desiguais?”

Juventude e Educação Integral

(Da esq. p/ dir.: Marcus Faustini, Amabile Mansutti e Adam Fletcher (Foto: Divulgação-Fundação Itaú Social)


No período da tarde, o público presente pôde optar entre um dos três painéis simultâneos (confira no site do Seminário os eixos temáticos). O Portal Cenpec acompanhou o debate sobre “As novas formas de produção juvenil na perspectiva da educação integral”, que teve como convidados Adam Fletcher, especialista canandense em engajamento comunitário juvenil, e Marcus Faustini, coordenador da Agência de Redes para Juventude. A partir de suas respectivas experiências, eles falaram sobre como desenvolver projetos voltados a esse público e apresentaram alguns dos conceitos que norteiam o trabalho que realizam.

Para Fletcher, é preciso em primeiro lugar com o que ele chama de “adultismo”, uma postura de favorecimento constante dos adultos em detrimento dos jovens. “Todos os adultos praticam adultismo: escrevem, falam, produzem, vestem-se para os adultos”, explicou. Essa conduta também está presente nas ações com juventude: “Os programas para jovens são construídos por adultos. Precisamos para de fazer para e começar a fazer com”, alertou.

O especialista também atentou para a necessidade de as escolas e as organizações aprenderem a lidar com os jovens atuais. “Caso contrário, se tornarão cada vez mais irrelevantes”, observou.  Para Fletcher, hoje, o poder criativo dos jovens está nas mãos das empresas, do business, ao invés de ser usado para o bem estar social. “É o business quem está lucrando com potencial criativo dos jovens”.

Para Fletcher, os educadores equivocadamente veem os jovens como recipientes de uma agenda qque é dos adultos” quando na verdade cabe a eles ensinar os jovens a descobrirem o que querem se tornar. Ele vai além e propõe o estabelecimento de parcerias intergeracionais, que não só deem voz a esses jovens, como os coloquem na tomada de decisões, no desenho das ações, e como avaliadores.

Marcus Faustini também é um defensor desse protagonismo juvenil na sua máxima potência. “A 'pedagogia da eficácia da mensagem' é a forma clássica como se trabalha com juventude nesse País; é a ideia do jovem como transmissor de mensagem alheia e não o jovem como potencial criador”, analisa. Em um dos projetos desenvolvidos pela Agência de Redes da Juventude, jovens de favelas cariocas são convidados a desenvolver suas próprias ideias. Recebem uma bolsa de R$ 100 reais e contam como a orientação de um mediador. 

“Precisamos buscar não apenas os jovens extraordinários. Temos que considerar essa diversidade de jovens que existe na favela: o funkeiro, o evangélico, o batalhador, o artista”, ressaltou. 

Assim como Fletcher, ele acredita que o jovem tem sido de fato considerado pela indústria. “O jovem é levado a sério. Como uma commoditie. Está na hora de ele sentar na mesa para discutir qual a sua fatia nesse bolo”.

No debate aberto ao público, diversas pessoas, a maioria educadores, trouxeram  à tona qual o papel da escola e a interface do tema da produção juvenil com a educação integral. Para Fletcher, “é preciso ver os estudantes como parceiros e não recipientes”. Já Marcus apresentou sua visão da educação integral como “um lugar de conflito, de construção permanente”. Questionado sobre a função do professor e a qualidade do trabalho realizado por esses profissionais ele observou: “Não vamos demonizar o professor. Se ele não é formado como criador, também não vai ver seus alunos como criadores”.

Fonte: CENPEC

 

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