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Câmara recebe representação da sociedade civil pela cassação de Bolsonaro

18/12/2014

Diante das graves declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (Partido Progressista – PP – Rio de Janeiro) contra a também deputada Maria do Rosário (Partido dos Trabalhadores – PT – Rio Grande do Sul), integrantes da Associação Juízes para a Democracia e do Instituto Patrícia Galvão protocolaram nesta quarta-feira, 17 de dezembro, às 14h, uma representação da sociedade civil para apuração de Procedimento Incompatível com o Decoro Parlamentar, assinada por representantes de organizações de mulheres brasileiras.

vermelho.org.br


O deputado Jair Bolsonaro afirmou em tribuna que não "estupraria” sua colega porque "ela não merecia”, no exercício pleno da legislatura (e depois repetiu a ameaça diante da imprensa). Além de ofender a parlamentar, a afirmação, cogitando a hipótese de que alguém "mereça” ser estuprada, violenta todas as mulheres e, principalmente, aquelas que já foram vítimas desse crime hediondo e violação extrema dos direitos humanos.

A menção ao estupro como prática possível em plena atividade parlamentar fere o juramento de posse que Jair Bolsonaro fez ao assumir o mandato, uma vez que todo detentor de cargo público é obrigado a atuar de acordo com o ordenamento jurídico do país e os acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, como lembra a juíza do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo Kenarik Boujikian, integrante da Associação.

A imunidade de um parlamentar, por sua vez, não tem caráter absoluto e o seu exercício abusivo caracteriza quebra de decoro e pode gerar, nos termos da própria Constituição Federal, a perda de mandato – o que é pedido nessa representação.

Movimentos sociais realizam ato pela cassação de Bolsonaro

Além de receber a representação, nesta quarta-feira, a Câmara dos Deputados será palco de um ato em repúdio à ação de Bolsonaro, uma vez que a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Marcha Mundial das Mulheres e outras dezenas de movimentos sociais se reúnem no Anexo 2 da Casa para reivindicarem a cassação do seu mandato.

A CUT se uniu também às organizações dos movimentos de mulheres para encaminhar, na mesma data, uma representação ao Ministério Público Federal para que o deputado seja investigado por apologia a um crime hediondo.

As iniciativas no Distrito Federal se somam a uma série de ações que, desde a semana passada, expressam a indignação da sociedade brasileira, tanto com as ações do parlamentar quanto com a certeza de impunidade que o mesmo expressa ao reiterar as violações cometidas.

Reprodução
Deputada federal Maria do Rosário

Reações continuam

Na semana passada, quatro partidos (PT, PCdoB [Partido Comunista do Brasil], PSB [Partido Socialista Brasileiro] e PSOL [Partido Socialismo e Liberdade]) já solicitaram a cassação de Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o que resultou na instauração de um processo disciplinar no dia 16. Em carta pública à Mesa Diretora e ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, dezenas de instituições também exigiram a perda do mandato.

Nesta segunda-feira, 15, a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko denunciou o deputado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por incitar, publicamente, a prática de crime de estupro. A deputada federal Maria do Rosário, por sua vez, protocolou uma queixa-crime contra Bolsonaro no STF [Supremo Tribunal Federal], além de mover ação por danos morais.

Além disso, um abaixo assinado online pedindo a cassação já somava mais de 245 mil assinaturas, incluindo-se entre outras ações de instituições da sociedade civil, parlamentares, políticos, operadores do Direito, pesquisadores e feministas que repudiam as atitudes de Bolsonaro e exigem a perda do seu mandato (saiba mais).

"Fechar os olhos à indignação que toma conta do país, despertada pela postura de violação à Constituição Federal, aos tratados, acordos e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário e aos direitos humanos das mulheres, macularia, de forma irreparável, o Legislativo Federal”, frisa Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.

Fonte: Adital

 

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