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Caminhada resgatou presença e influência das culturas negras em São Paulo

26/01/2015



O Pontão de Convivência e Cultura de Paz do Instituto Pólis realizou na segunda-feira, dia 19, a caminhada “Conviver em Paz nas Cidades – 1ª Caminhada do Programa Jovem Monitor Cultural: Culturas Negras”. A atividade integrou a programação da formação teórica do Programa Jovem Monitor Cultural (PJMC) desenvolvida pelo instituto e foi aberta ao público geral.

A caminhada teve enfoque na importância das populações de origem africana e de seus descendentes na construção de São Paulo e passou por locais como Largo do Arouche, Praça da República, Rua 24 de Maio e o Largo do Paiçandu, terminando nas escadarias do Teatro Municipal onde, em 1978, o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNU) convocou um ato contra o racismo.

A caminhada contou com a presença de Acácio Almeida, professor de Antropologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e presidente do Conselho Deliberativo da Casa das Áfricas.

Para Acácio, existe uma invisibilidade das mulheres, homens e crianças negras na cidade. “Em São Paulo não olhamos as pessoas, desviamos o olhar. Não percebemos a arquitetura, as coisas, corremos. Percebemos muito pouco os valores civilizatórios edificados pelos negros africanos e afro-brasileiros. Existe, sim, um apagamento da memória e da história do povo negro. Não falo de marcas, falo de valores civilizatórios. Os africanos e seus descendentes contribuíram de forma expressiva para o desenvolvimento econômico da cidade de São Paulo. O que seria de São Paulo sem a cultura herdada dos africanos? Certamente seríamos menos felizes.”

“A segregação e o genocídio do povo negro são reais. Veja o mapa da pobreza da cidade de São Paulo e verá os bairros negros”, complementa.

De acordo com Acácio, há inúmeras histórias da ocupação física, cultural, religiosa e política da população negra em regiões centrais de São Paulo, tais como a Rua Direita, a Rua XV de Novembro (antiga Rua do Rosário) e os bairros da Liberdade, Bom Retiro, Bexiga e Baixada do Glicério.

Um dos pontos visitados na caminhada foi o Largo do Arouche, onde se encontra o busto de um dos principais abolicionistas da história do Brasil: Luís Gama. Poeta, jornalista e advogado, Gama nasceu em Salvador em 1830 e faleceu em São Paulo em 1882. A abolição no país aconteceu seis anos após a sua morte, em 1888.

Outro local visitado foi a igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, fundada no século XVII. Ela deu nome ao antigo Largo do Rosário, até ser demolida e transferida para o Largo do Paiçandu, em 1906. “Quem passa pela Praça Antônio Prado precisa saber que ali ficava a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Precisa saber que existiam moradias ocupadas por descendentes de africanos e que está pisando em um lugar sagrado para a luta negra”, diz.

“A Irmandade do Rosário sempre foi muito perseguida, entre outras coisas, pelas suas práticas funerárias que eram entendidas como demoníacas, ou, pelo menos, como práticas que não se harmonizavam com o catolicismo, mas resistiu”, continua Acácio.

Para Hamilton Faria, poeta e coordenador de cultura do Instituto, a intenção da caminhada foi ressignificar a rua como um lugar da cultura e afirmar o direito à cidade. “A cultura não acontece somente nos templos da cultura, ou seja, nas casas de cultura, bibliotecas, bienais. Hoje ela desborda para o espaço da rua e integra a própria paisagem urbana, além de construir valores com arte. E a apropriação cultural do espaço público pode gerar valores de cultura de convivência e paz”.

O evento contou com o apoio da instituição cultural Ilú Obá de Min e da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

O Programa

Criado pela Lei Municipal 14.968/09 e o Decreto Municipal 51.121/09, o PJMC visa a formação teórica e prática de 111 jovens entre 18 e 29 anos, que atuam no atendimento, produção e difusão da cultura municipal em equipamentos culturais da cidade de São Paulo. O programa é coordenado pela SMC por meio do Centro Cultural da Juventude (CCJ).

O Instituto Pólis realiza a formação teórica de jovens monitores que atuam em casas de cultura, centros culturais, teatros distritais e gabinete da SMC. Atualmente, a ONG Ação Educativa realiza a formação teórica de 126 jovens monitores que atuam no CCJ, nas bibliotecas municipais, no Museu da Cidade e no Arquivo Histórico.

Financiado pela SMC, o Programa tem a duração de um ano e conta com formações teóricas no Instituto Pólis às segundas-feiras e formações práticas nos equipamentos culturais durante a semana, acompanhados por agentes de formação in loco.

Fonte: Instituto Pólis

 

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