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Seminário na Bahia prepara discussões que serão levadas ao FSM 2015

30/01/2015

União e solidariedade foram as palavras-chave do seminário Rumo a Túnis, que aconteceu na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, em Salvador. O objetivo do encontro foi discutir o atual papel do Fórum Social Mundial e a participação do movimento social brasileiro em sua próxima edição, que pela segunda vez será realizada em Túnis, na Tunísia, de 24 a 28 de março deste ano. 




Pela quinta vez no continente africano (edição policêntrica no Mali em 2006, 2007 no Quênia, 2011 no Senegal, 2013 na Tunísia e 2015 na Tunísia novamente), o FSM é o momento para intercâmbio cultural e de experiências entre militantes de coletivos diversos. Para Sheila Ceccon, do Instituto Paulo Freire, tratados de edições anteriores devem ser usados para aprimorar novas práticas.

Ela lembra que enfrentamos a coisificação da vida em todas as suas formas. Comemos alimentos envenenados, envenenamos as águas, o solo, as plantas, não temos ações de enfrentamento construídas para a mídia que não nos representa. "A solidariedade entre os movimentos constrói o sentimento de que não estamos sozinhos. O capitalismo faz isso, nós nos sentimos muito pequenos. Precisamos nos fortalecer para provocar as transformações que tanto desejamos."

Por que África?

O continente recebeu recentemente 5 fóruns mundiais, 40 fóruns temáticos e 7 fóruns africanos, segundo Hamouda Soubhi, um dos coordenadores do comitê do Norte da África de organização do FSM 2015. "O continente é rico, mas a população vive em miséria. Os FSMs na África nos permitiram quebrar clausuras para fazer encontros. Estamos em marcha e queremos mostrar para o mundo que somos capazes de superar as ditaduras."

Alaa Talbi, antropólogo tunisiano e um dos principais organizadores do comitê local do FSM, lembra que a Tunísia começou o processo conhecido como Primavera Árabe, que depois se estendeu para outros países. "Em 2013, o líder opositor tunisiano Chokri Belaid foi assassinado e o FSM conseguiu dar suporte para que o processo democrático continuasse. O papel do FSM é de extrema importância para a consolidação dos movimentos sociais e da participação da sociedade civil nesse contexto."

"Estar novamente no continente africano é algo muito significativo para nós, do movimento negro", conta Gilberto Leal, membro da Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras). Leal acredita que é acertada a decisão de levar o FSM para a África novamente e destaca que o local escolhido para o seminário na Bahia está próximo a diversos pontos que constituem marcos históricos da luta do movimento negro pela liberdade. "São esses eventos que nos movem enquanto negros e negras e são as diretrizes que nos levam a debater esse desafio, essa utopia de que um mundo melhor é possível. E nós acreditamos que sim."


Gilberto Leal, membro da Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras)

Educação e mídia

Para Salete Valesan, coordenadora executiva da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), a vocação do Fórum Social Mundial não é apenas a de contrapor o Fórum Econômico de Davos ou o capitalismo, mas de reagir de maneira organizada com base em novas práticas. “Para um outro mundo possível, uma nova educação é necessária. É na educação que nasce a construção de uma nova sociedade.”

Rita Freire, gestora da Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada, concorda e observa que a comunicação não existe sem o sentido que ela transporta. Quem são os interlocutores e quem está no comando? Ela lembra o assassinato dos cartunistas de Paris e ressalta que, do ano passado pra cá, 16 jornalistas foram executados pelo Estado de Israel. "E ninguém sabe o nome deles. Fazer a resistência ao discurso do medo exigiu de nós outras metodologias. As mídias livres não conseguem se expandir se não houver democratização do sistema e políticas que as apóiem.”

Bia Barbosa, secretária de comunicação do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) avalia que, no Brasil, naturalizou-se a ideia de que alguns podem falar e outros não, de que seis famílias controlem os meios de comunicação. "É uma batalha ideológica que precisamos travar, porque afeta cada uma das lutas em cada um dos movimentos. E essa não é uma luta só do Brasil. É de todos os países. Temos conseguido construir pontes importantes no FSM e nos Fóruns Mundiais de Mídia Livre."


Bia Barbosa, secretária de comunicação do FNDC

(Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) 


A consulta para elaboração da Carta Mundial da Mídia Livre ficará aberta até março de 2015, quando as contribuições serão recolhidas e organizadas em grupos de trabalhos abertos, para serem submetidas a debates e finalização no IV Fórum Mundial de Mídia Livre, dias 22 e 23 de março de 2015, em Túnis. Para saber mais sobre essa ferramenta, acesse aqui.

 

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