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Mulheres do Polo da Borborema se preparam para VI Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia

06/02/2015

Desde o mês de janeiro de 2015 estão acontecendo, nos 14 municípios que compõem o Polo da Borborema, encontros preparatórios para a sexta edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que neste ano acontecerá em Lagoa Seca-PB, no dia 12 de março. As reuniões já aconteceram nos municípios de Casserengue, Arara, Areial, Massaranduba, Remígio e Lagoa de Roça. Em Lagoa Seca, por ser o município que recebe a marcha, acontecerão cerca de 30 encontros de preparação. Só da cidade, virão mais de duas mil mulheres, dos demais municípios estão sendo mobilizadas outras três mil, totalizando mais de cinco mil mulheres.

Na manhã desta terça-feira, 03 de fevereiro, foi realizado o encontro preparatório de Queimadas, que contou com a participação de mais de 50 mulheres. Abrindo as atividades, as mulheres foram convidadas a escolher um dos vários objetos dispostos no meio da sala, dentro de um grande círculo. Depois foi solicitado que elas classificassem se aquele era um objeto “de homem” ou “de mulher” e, de acordo com a resposta, escolher um dos lados da sala para se dispor também em círculo: o “lado dos homens” ou o “das mulheres”.

Após cada uma das participantes ter escolhido o seu objeto, elas foram convidadas a responder sobre quem poderia usar aquele item, ao que a maioria respondeu que ambos os sexos, homens e mulheres, poderiam usar. Depois, uma a uma, explicaram as razões por terem classificado cada item como pertencente ao universo masculino e ao feminino. A partir destas respostas foi feito um debate sobre a divisão sexual do trabalho e os estereótipos de gênero, em que todas pensaram sobre estas perguntas: “Homem gosta de roupa passada? Banheiro limpo? Casa varrida? Mas ele pode passar, limpar e varrer? E porque muitos não fazem? Depois do debate, as mulheres disseram que se fossem reorganizar os objetos, o fariam de outra forma, misturando-os, pois descobriram que, na verdade, não existem os “de homem” e os “de mulher”.

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As mulheres assistiram então ao vídeo “A vida de Margarida” e fizeram um debate em cima de questões como: “A vida é igual para Margarida e seu esposo?”, “A vida é justa para Margarida?”, “Ela sofre alguma violência?”. Noilda Silva Nunes mora na Comunidade Zumbi, em Queimadas, ela conta que sofreu violência do pai e cresceu vendo a mãe ser maltratada: “Meu pai era muito pior que Biu (personagem do filme), ele era além de Biu. Minha mãe lavava os pés dele. A gente apanhava tanto, que uma irmã minha não agüentou e fugiu”, diz ela.

Maria do Socorro Augustinho também mora em Zumbi, ela é divorciada e diz que o ex-marido, apesar de beber, não era violento, mas a agricultora viu a mãe sofrer muito nas mãos de seu pai, até conseguir se libertar: “Muitas vezes ela dormia fora de casa com medo dele matar ela, pois ele ameaçava muito. Um dia ele tava batendo nela e quando ele terminou, minha mãe disse: ‘agora é a minha vez’ e bateu nele também. Depois desse dia, ele nunca mais encostou o dedo nela”. Pouco a pouco, as histórias de vida e depoimentos de mulheres foram se seguindo, até que quase todas falaram.

Os casos de violência contra a mulher ocorridos em Queimadas em 2012, foram lembrados. Naquele ano, um estupro coletivo arquitetado como um “presente” de aniversário, de um criminoso para outro, resultou na morte de duas mulheres. Também foi lembrado o desaparecimento e assassinato de Ana Alice, jovem liderança do Polo da Borborema do município de Queimadas: “Aqui em Queimadas, a gente viu mulheres sendo tratadas como objetos, como ‘presentes de aniversário’. Tivemos Ana Alice, uma jovem que trabalhava aqui, havia acabado de completar 16 anos. Um dia, ela foi para a escola e não voltou. Procuramos por Ana Alice por 50 dias, até descobrirmos que ela havia sido sequestrada, estuprada e assassinada, pelo simples fato de ser uma mulher bonita. A gente precisa ter o direito de ir aonde a gente quiser, é por isso que a gente está marchando, pela nossa libertação e pela das outras mulheres”, disse Adriana Galvão Freire, assessora técnica da As-pta Agricultura familiar e Agroecologia.

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Angineide Macedo, liderança do Sindicato de Queimadas, falou sobre o preconceito que as mulheres livres, que vão à luta, ainda sofrem da sociedade e mesmo por parte de outras mulheres: “Muitas mulheres saem de casa para adquirir conhecimento, para buscar melhorar a sua vida e acaba sendo tratada como se fosse uma qualquer. A gente está aqui pra fortalecer umas às outras, por isso quando a gente vê uma mulher sofrendo, a gente precisa é estender a nossa mão e fortalecer aquela mulher pra ela se libertar”, afirmou.

O encontro foi encerrado com a exibição do vídeo da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia de 2014, realizada no município de Massaranduba, que reuniu mais de 4 mil mulheres. Ao final, foi reforçado o convite para as mulheres presentes e reafirmada a necessidade de convidar novas mulheres a marchar, sobretudo de multiplicar o que foi conversado no encontro em suas comunidades. Eventos preparatórios como este irão acontecer nos municípios de Solânea (11/02), Montadas (13/02), Alagoa Nova (19/02), Algodão de Jandaíra (20/02), Esperança e Remígio (25/02) um segundo encontro. Ocorrerá também um encontro específico com a juventude no dia 24/02.

Fonte: ASPTA

 

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