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Terra: O Planeta da Água

03/03/2015

A água é especial para a sobrevivência das espécies e indispensável para a produção de alimentos. Tanto que em municípios da Zona da Mata de Pernambuco agricultores e agricultoras vêm reflorestando suas nascentes para preservação das fontes de água.

José Moacir da Silva - Engenho Quilombola de Siqueira 8

A água está ligada à sobrevivência das espécies, em especial a humana. Esta é uma confirmação feita por especialistas no assunto aos cidadãos e cidadãs comuns. Água é vida!

Podemos até ficar sem comer por diversos dias, mas sem água, três dias já é o limite. E, na produção de alimentos a água é fundamental. A seca que vem assolando as diversas regiões do país, em especial a Semiárida, nos mostra os danos causados às plantações e criações.

A cultura do desperdício, em especial na produção de alimentos pelo agronegócio, tem causado grandes transtornos. A agricultura irrigada também é responsável por boa parte do desperdício e poluição da água no mundo. Além de deixar milhões de hectares de terra salinizadas, sem condições para produzir, devido ao uso inadequado da irrigação. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), na America Latina há mais de 3 milhões de quilômetros quadrados de terra agrícolas degradadas e muitas áreas sob risco da desertificação. No Brasil, principalmente no Nordeste, cerca de 30% das áreas irrigadas estão com problemas de salinização.

Um problema que aumenta ou acelera quando se retira a vegetação nativa e se usa agrotóxicos e fertilizantes químicos. Uma combinação que vem destruindo os recursos naturais mundo afora. 

Na produção de alimentos a água também tem um papel de destaque. Sem ela, muitos produtores tiveram prejuízo, porque a soja não se desenvolveu, o milho morreu, o feijão não cresceu e etc. Essa situação, por vezes, são sentidas por consumidores e consumidoras que pagam mais pelo produto devido a falta deste ou daquele alimento no mercado.

Outra questão importante a se obsevar, é a necessidade de cada lavoura no que diz respeito a utilização da água em seu ciclo de produção. Pegando como exemplo a cultura do feijão, já que esse grão faz parte de nossa cadeia alimentar e são poucos os brasileiros que não gostam dele. Entretanto, muita gente não sabe que para se cultivar feijão o produtor necessita disponibilizar em media 300 mm de água em todo ciclo da cultura, que é normalmente de 90 dias. Fazendo um calculo rápido: supomos que o produtor plante um hectar de feijão, quanto de água ele vai precisar?

1ha = 10.000 m² 
1mm de água = 1 Litro/m² logo 300mm de água = 300 litros de água/m²
Dessa forma temos:
10.000 m² x 300 Litros/m² = 3.000,000 (Três Milhões) de litros de água para
um hectare de feijão no período de 90 dias.

Para criar animais, principalmente bovinos, também se precisa de água para desenvolver as atividades. Um animal desse porte precisa de, no mínimo, 53 litros de água por dia. Ou seja, em apenas um mês esse bovino vai consumir 1.590 litros de água. Agora imagine o fazendeiro com um rebanho de mil cabeças de gado, o quanto ele terá que disponibilizar de água.

A cultura do desperdício tem nos causado grandes transtornos. Mesmo o Brasil tendo 12% de toda água doce do Planeta, em números, isso significa 5,4 trilhões de metros cúbicos. A situação é preocupante, pois a humanidade ainda não sabe usar e consumir a água de forma adequada. Para se ter uma ideia, 37% da água tratada é desperdiçada, seja por vazamentos, poluição ou uso excessivo. O brasileiro gasta em média 159 litros de água por dia.

3% - Lavagem de Carros e outros;
12% - Lavagem de Roupas;
25% - Higiene : Banhos, Escovar os dentes;
27% - Consumo: Cozinhar, Beber;
33% - Descarga de Banheiro

Preocupada com o uso e consumo da água como se fosse um bem inesgotável, a Organização das Nações Unidas (ONU), criou o Dia Mundial da Água em 22 de março de 1992. Neste mesmo dia a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou, através da Resolução A/RES/64/292, que a água limpa e segura e o saneamento básico são direitos humanos. Desta forma a água potável e o saneamento básico passaram a ser um direito essencial de todos os povos.


Exemplo a ser Seguido

Na Agricultura Familiar de base Agroecológica, a preservação da água é estratégica para o desenvolvimento da produção de alimentos e a qualidade de vida das famílias agricultoras. Tanto que nos municípios de Rio Formoso e Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, agricultores e agricultoras vêm reflorestando suas nascentes com os Sistemas Agroflorestais (SAFs). A preocupação é a de preservar as fontes de água dos assentamentos onde moram e produzirem alimentos saudáveis para a família e para a população local.

A iniciativa recebeu o apoio do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica e da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) e resultou no reflorestamento de 31 nascentes. Foram plantadas 46.100 mudas, totalizando uma área de 24.5 hectares reflorestados. Além de plantas nativas e frutíferas, as famílias também plantaram culturas consideradas de ciclo curto como feijão, milho, jerimum, macaxeira e batata-doce.

Das nascentes reflorestadas 24 estão localizadas em Rio Formoso, no Assentamento Amaraji. Estas alimentam o rio União, que é responsável pelo abastecimento da comunidade e de cidades vizinhas. Estima-se que 30 mil famílias são beneficiadas diretamente com as águas do rio União.

Para agricultora Sandra Gomes, do assentamento Amaraji, Rio Formoso, a nascente que foi reflorestada em sua propriedade, tem um valor incalculável e é motivo de orgulho para ela e sua família.

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A agricultora Sandra Gomes tem orgulho de sua propriedade reflorestada / Foto: Acervo Centro Sabiá

“Começou com o meu pai, ele preocupado com a estiagem e vendo a nascente seca, começou a participar das reuniões e cursos do Centro Sabiá, foi então que surgiu a oportunidade de fazer este reflorestamento. Infelizmente ele não está mais entre nós, mas deixou as condições necessárias para continuarmos trabalhando com a terra, pois temos água, terra boa e vontade de trabalhar. Sinto-me orgulhosa por está dando continuidade a todo trabalho do meu pai”, afirma Sandra.

A nascente recuperada na propriedade de Sandra Gomes tem 7.800 m². Nela foram plantadas 1.300 mudas entre nativas e frutíferas e 35 espécies de plantas. Todas foram escolhidas junto com a família, na ocasião do planejamento da propriedade e da implantação da Agrofloresta.

Para Jean Carlos, extensionista do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), localizado no município de Rio Formoso. Projetos como esses que reflorestam nascentes têm feito a diferença, garantido a sustentabilidade das propriedades rurais e das famílias agricultoras.

“Os projetos mostram o caminho que devemos seguir. Em uma região como a da Zona da Mata, onde historicamente a monocultura da cana- de – açúcar predominou por muitos anos, destruindo nascentes por completo e contaminando outras tantas, faz muita diferença, na qualidade de vida das famílias agricultoras e de toda população que está ao redor dessa comunidade (Amaraji). Agora o desafio é levar para outras comunidades esses projetos, para que mais nascentes possam ser reflorestadas e tenhamos mais saúde e vida”. Ele ainda lembra da nascente do agricultor José Laurentino, morador do engenho Serra D’ água, em Rio Formoso, onde o agricultor informou que nunca tinha visto a sua nascente secar. Mas em 2013, com a estiagem que assolou a região, ela secou. “Se ele (José Laurentino) tivesse com sua nascente reflorestada não tinha secado”, afirma Jean Carlos.

Enquanto isso, os governos procuram soluções para crise da água construindo projetos grandiosos. A solução, entretanto, está em cuidar melhor do nosso Planeta, passando pela preservação das nascentes, rios, lagos, águas subterrâneas e as matas.

Fonte: Centro Sabiá, por Por Wellington Gouveia 

 

 

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