ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Pão Para o Mundo
  • REDES

    • Plataforma MROSC

Tecnologias garantem sustentabilidade de famílias em meio à estiagem no Sertão

20/03/2015

A crise hídrica no Brasil tem alcançado regiões que, historicamente, não demostravam tais precedentes. Um desses exemplos é a situação vivenciada pela região Sudeste, em especial São Paulo, que, segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, apresentou em janeiro o mês mais seco dos últimos 100 anos.

 

Ao contrário do Sudeste, o Nordeste brasileiro vive historicamente o período de estiagem devido aos efeitos climáticos do Semiárido que é caracterizado pelo sertão nordestino cujo clima é seco e quente e com instabilidade de chuvas. No entanto, em algumas épocas aquele efeito perdura por vários anos, como vem acontecendo desde 2012 e segue até hoje.   

 

Em meio a esta realidade, o que resta às famílias sertanejas é desenvolver estratégias de convivência com a região semiárida, de forma que garantam a sobrevivência e o desenvolvimento delas através da luta pelo acesso à água, criação de animais, produção e estocagem de alimentos.  

 

Uma dessas iniciativas é comprovada na história de dona Maria Deodato Barros Lopes, de 62 anos, de Araripina, no Sertão de Pernambuco, que capta a água da chuva e armazena em uma cisterna de placas de 16m³. “Há 10 anos tínhamos que andar 2 km para pegar água em um barreiro e voltava com aquele balde na cabeça com uma água barrenta que a gente bebia, lavava, cozinhava. Hoje com a cisterna consegui mudar minha realidade”, comenta, com alegria, a agricultora.  

 

A agricultora também tem uma cisterna-calçadão que é utilizada na horticultura (coentro, alface e cebolinha), nas frutíferas (mamão, acerola, banana, coco, maracujá, manga, umbu, entre outras) e na criação de galinhas. Para garantir a produção de tudo aquilo durante todo o ano, inclusive no período de estiagem, dona Maria faz a gestão da água na propriedade a partir de práticas sustentáveis. Entre as estratégias, ela implantou o canteiro econômico e fez o reaproveitamento de garrafas pets e pneus para a retenção da água no solo, além da cobertura morta utilizada como composto orgânico e que também ajuda na umidade do solo.

 

É inspirada em histórias, como a de dona Maria, que o Centro de Habilitação e Apoio ao Pequeno Agricultor do Araripe (Chapada) fortalece em cada ação a luta pela universalização da água no Sertão de Pernambucano. Hoje, através do Programa Um Milhão de Cisternas (PM1C) e do Programa Estadual de Apoio ao Pequeno Produtor (ProRural), a organização já construiu 6.624 tecnologias hídricas voltadas para o consumo humano.

 

“Durante esses anos já construímos cisternas de placas de 7,5m³, 10m³, 15m³ e 16m³ distribuídos em 18 municípios dos sertões do Araripe, São Francisco e Central, isso quer dizer que são 6.624 mulheres e homens a menos que carregam baldes d’água na cabeça”, explica o coordenador de projetos da ONG Chapada, Alexandre Damacena. 

 

A partir da trajetória destas famílias agricultoras e das dificuldades que foram para obter o avanço que tiveram com relação ao direito à água, o coordenador da ONG Chapada fala que este sentimento é sempre lembrado no Dia Mundial da Águas entre as pessoas do Sertão. 

 

“Neste ano, a pauta que está sendo discutida que é ‘Água e Desenvolvimento Sustentável’ vem a calhar com a nossa proposta de atuação, pois além do acesso à água para o consumo humano, as famílias daqui também vem conquistando tecnologias hídricas para o desenvolvimento da agricultura familiar agroecológica.”, comenta Alexandre.  

 

De acordo com o coordenador, além dos reservatórios de 16 m³, hoje as famílias conquistaram, a maioria através do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), tecnologias hídricas especialmente para produção de alimentos e criação de pequenos animais, a exemplo da cisterna-calçadão, cisterna-enxurrada, barragem subterrânea e barreiro trincheira.

 

Com relação ao desenvolvimento rural sustentável, os/as agricultores/as da região semiárida têm desenvolvido uma produção agroecológica que proporciona geração de renda por meio da comercialização dos produtos, segurança alimentar ao consumir alimentos livres de agrotóxicos e a preservação da diversidade genética dos alimentos a partir do banco de sementes.

Fonte: ONG Chapada 

 

PALAVRAS-CHAVE

  • PROJETOS

    • Agenda 2030

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca