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PCU em Salvador mapeia as novas Vozes da Cidade

23/03/2015



“Não existe isso de sermos recebidos pelas autoridades, eles só conversam com adultos”, é o que pensa Lucas Rodrigues, 17, do bairro de Paripe, em Salvador, sobre a participação dos adolescentes na construção da cidade. Ele aponta ainda que só são escutados por meio de manifestações. Lucas faz parte de um dos coletivos de adolescentes mapeados pelo projeto Vozes da Cidade: crianças e adolescentes participando da construção de Salvador. Já são dezenas de grupos catalogados, número que se aproxima rapidamente de três dígitos.

Os coordenadores do projeto estão nos bairros da cidade, promovendo os primeiros contatos, fazendo as escutas que darão voz aos adolescentes que participarão do Fórum Comunitário, garantindo, assim, os espaços para quem nunca foi ouvido no processo de elaboração de políticas públicas em Salvador.

Alguns momentos do mapeamento geraram encontros com os grupos organizados que, interessados no que propõe o Vozes da Cidade, buscavam saber mais sobre o projeto ao passo que colaboravam com informações sobre outros coletivos.

Em um desses encontros, realizado em Itapuã, reuniram-se representantes de coletivos artísticos e culturais como o grupo musical Morenas de Itapuã e o grupo de palhaços Cia. Pé no Chão, entre outros. Também fez parte do encontro representantes do movimento Reggae, do Bairro da Paz. O encontro reuniu aproximadamente 15 adolescentes, meninos e meninas, e cinco adultos; todos ressaltaram a relevância do projeto.

Edvaldo Conceição Santos, por exemplo, ressaltou a necessidade de ouvir “quem tem sonhos”. “Eu mesmo quero que sejam construídos espaços onde os meninos de Itapuã possam ter na dança uma alternativa para sair da tentação do mau caminho, que no bairro são muitas”, disse.

O coordenador da Casa da Música, onde foi realizado o encontro, Amadeu Alves, parabenizou a iniciativa do projeto e disse que é um momento oportuno para se ouvir os jovens da região. “As coletividades estavam dispersas por muitos anos em Itapuã e nos bairros vizinhos. Trabalhamos no sentido de fortalecê-las e hoje já se vê os adolescentes se reunindo em torno da cultura, trocando informações e querendo fazer sempre mais, pelo bairro e pela cidade”.

Em outra reunião, no bairro de Fazenda Grande, o grupo Maior Onda da Graça, formado por cerca de 15 adolescentes, entre 13 e 18 anos, também se mostraram entusiasmados com o projeto Vozes da Cidade. O grupo tem o objetivo de aglutinar outros coletivos com vistas a debater assuntos voltados à melhoria dos bairros em que vivem. O encontro foi bastante frutífero; os adolescentes revelaram fazer parte de uma rede de coletivos independentes espalhados pela cidade, conhecida como Reportai, que tem o mesmo objetivo de seu grupo.

Para Samuel dos Santos, 18, o projeto Vozes da Cidade é uma boa oportunidade, pois, ao seu modo de ver, os adolescentes não são escutados no processo de construção da cidade nem da proposição de políticas públicas. “Se me perguntassem, eu gostaria que construíssem uma escola técnica no bairro”, sugere.

No outro extremo da cidade, no Subúrbio Ferroviário, mais precisamente no bairro de Paripe, o encontro, realizado na Escola Estadual Maria Odete, reuniu 10 meninos e meninas do Power Dance Crew, um coletivo de adolescentes e jovens entre 12 e 19 anos. O grupo luta, a partir da dança, contra a evasão escolar, e tenta proteger a instituição de ensino em que estudam contra as drogas, Além disso, faz um trabalho de unir áreas cujos jovens e adolescente não “se misturavam”.

Entre as principais queixas dos adolescentes está a falta de segurança (no dia da reunião, a ausência de alguns participantes se deveu a tiroteios entre gangs de traficantes. Os tiros eram escutados na escola), mais educação e projetos “para ocupar a cabeça dos jovens”, como disse Lucas Rodrigues, 17. Eles acreditam que uma escola de artes no Subúrbio poderia mudar muita coisa.

Além de apontar que os adolescentes só são escutados por meio de manifestações, Lucas acrescenta que as autoridades políticas deveriam encontrar meios de visualizar os muitos talentos que existem em todas as comunidades de Paripe. “Apoiar e apontar mais caminhos para que esses talentos se desenvolvam seria bom para muita gente”, acrescentou.

Alison Erlan, 13 anos, acredita que se os adolescentes fossem mais escutados, muita coisa poderia ser melhorada. Morador de Tubarão, uma das muitas comunidades de Paripe, ele conta que já pensou em algumas ações que poderiam ajudar seu bairro. “A princípio eu imaginava uma pista de skate, mas depois fiquei preocupado porque, infelizmente, a pista poderia ser um ponto de encontro de usuários de drogas. Por isso, antes de tudo, temos que lutar por mais segurança”, ponderou.

O mapeamento continua por mais algumas semanas. A próxima etapa do projeto será a qualificação de um grupo de 20 adolescentes/jovens dos dez territórios mapeados – dois em cada – no tema das competências para a vida; com o objetivo de mobilizar e articular outros adolescentes, utilizando-se a metodologia de escuta de pares. O time de 20 adolescentes também terá um trabalho de mobilização das lideranças e atores do Sistema de Garantias de Direitos (SGD) Municipal presentes nos territórios, na construção participativa do I Fórum Comunitário.

O Vozes da Cidade, nome dado à Plataforma dos Centros Urbanos (PCU) em Salvador, é uma iniciativa do UNICEF que acontece em mais sete capitais do país. Além da Prefeitura, o projeto conta ainda com a parceria do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

Fonte: Avante 

 

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