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Vozes silenciadas mundo afora se unem na Tunísia

30/03/2015



Este sábado, 28 de março, é o último dia do Fórum Social Mundial em Túnis, que conta com a participação de cerca de 15 mil pessoas de todo o mundo. Uma marcha saindo de um grande relógio, um dos símbolos do Centro da Cidade, irá manifestar o apoio dos participantes à Palestina.

O mais impressionante do Fórum Social Mundial é a possibilidade de acesso a informações, pessoas e histórias incríveis. É a quantidade de vida e ideias que circulam. Por outro lado, chocante é perceber, com isso, tudo aquilo que está fora do nosso alcance diário de informações, em nossos países de origem, especialmente quando se fala das mídias tradicionais. Em um só horário, a programação conta com mesas como “Criação de redes  entre instituições interessadas na Palestina”, “Cartografia cidadã em Túnis”,  “Resistência pacífica das mulheres Saharauis”. Dividiram tempo também as lutas do povo curdo, enquanto se discute em outra sala as possibilidades de ações feministas em todo o mundo, em atividade organizada pela Marcha Mundial das Mulheres. Todos assuntos negligenciados pela mídia em muitos países, inclusive no Brasil, que debateu em sua tenda, a Casa Brasil, o racismo, a mídia, entre outros temas.

“Há muita diversidade aqui e também divergências, claro. Mas há algo que nos une, que é a opressão. Falamos de assuntos que afetam a maior parte da população mundial, que são os mais pobres, os que têm menos poder econômico e político. Logo, são os assuntos mais negligenciados. Precisamos buscar os pontos em comum, para lutar contra todas as opressões”, disse Graça Samo, moçambicana que faz parte do secretariado da Marcha Mundial das Mulheres.

Quando a atividade rende (e todas as que acompanhei renderam), cadernos saem cheios, as expressões nos rostos das pessoas mostram a surpresa, a indignação. Reações pela falta de perspectivas divulgadas sobre fatos importantíssimos, como o genocídio palestino e a situação real na Faixa de Gaza.  Não é a toa que o debate sobre mídias alternativas e livres, que era um dos eixos do FSM, ganhou pernas próprias e atualmente é um fórum à parte, o Fórum Mundial de Mídia Livre, que termina hoje também, com a divulgação de uma Carta Mundial da Mídia Livre.

Mais de quatro mil organizações participam do Fórum e cerca de mil atividades estão sendo realizadas desde o dia 24 de março. Aliás, na mídia brasileira, pouquíssimas linhas sobre esse encontro, mesmo com o fato de o Brasil ter tido importância histórica na construção do Fórum e de sua delegação ser uma das maiores no encontro.

Nesta sexta-feira, este foi um dos pontos abordados em uma atividade sobre racismos e fundamentalismos, organizada pelo Movimento de Mulheres Negras do Brasil e pela Associação das Mulheres Brasileiras (AMB).
Uma das conclusões em comum a mulheres de mais de oito países diferentes que estavam ali foi “o uso do discurso do terrorismo e o argumento da segurança de uma forma geral como forma de legitimar ações de fundo racista e fundamentalista”. Uma keniana deu seu depoimento: “Eu navego na sociedade, não vivo tranquila. Sei que, em todo lugar, se eu não tiver cuidado, há muitas formas do sistema me apontar como criminosa. Sou negra e ativista em um país sem liberdade de expressão, na África, que é por si só um continente sem liberdade de expressão. Viver é um perigo, é um enfrentamento.” As participantes combinaram uma integração para fortalecer a Marcha Nacional das Mulheres, que acontecerá no dia 18 de novembro, em Brasília.

Redes para disputar perspectivas

A construção de redes é uma das saídas para buscar amplificar discursos silenciados. É o caso do Diálogo dos Povos, por exemplo, que conecta discussões globais, como a crise global e as mudanças climáticas, com ações locais, especialmente na África e na América do Sul, e do qual o Ibase faz parte. Além dos impactos da mineração sobre as populações locais, a ação contra transnacionais do agronegócio, como a Monsanto, também estão entre as principais lutas do grupo. “Nós, mulheres africanas, somos diretamente afetadas. Nós estamos na terra, trabalhando todos os dias, e as empresas chegam em nosso país sem falar conosco. As mulheres são responsáveis por produzir a comida que alimenta o nosso e outros países. E queremos dizer que somos contra a Revolução Verde, estamos optando pela agroecologia. Sabemos muito bem fazer agricultura sem insumos químicos”, afirma Sharon Chianza, da Assembleia das Mulheres Rurais.



A possibilidade de se conectar com movimentos sociais de outros países para divulgar outras perspectivas além daquelas que tomam conta das mídia tradicionais também foi apontada como uma das esperanças possíveis pelos ativistas do Iraque, que denunciaram o genocídio de yazidis, uma comunidade étnico-religiosa curda. “Mulheres yazidis ão raptadas e levadas para as montanhas por grupos terroristas islamitas ortodoxos que desrespeitam nossa crença religiosa”, disse uma ativista curda.

Além dessa gama avassaladora de informações nas atividades, a quantidade de tendas e manifestações durante o FSM é imensa. As diversas formas de manifestações musicais árabes chamam atenção nas áreas comuns do campus El Manar, onde acontece o FSM. Mesmo com qualquer barreira de idioma, todos entendem quando os gestos simbolizam luta social e solidariedade. Contra todas as formas de opressão, é esse o espírito que o Fórum carrega desde 2001. E, sem dúvida, se mantém.

Texto produzido pela Cobertura Colaborativa do FSM 2015

 

 

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