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Encontro Estadual de Comunicação da Articulação do Semiárido Paraibano discute a democratização da comunicação e partilha experiências territoriais

07/04/2015

A comunicação popular como estratégia política para transformação social e a democratização da comunicação foram temas centrais do “I Encontro Estadual de Comunicação da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-Paraíba)”, realizado entre os dias 25 e 27 de março, no Day Camp Hotel Fazenda, em Campina Grande.



No primeiro dia do encontro, organizações de três territórios integrantes da ASA Paraíba apresentaram suas experiências no campo da comunicação aos cerca de 40 participantes presentes do evento utilizando a metodologia do carrossel. Foram partilhadas as experiências do Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar, que atua em 11 municípios no território do Cariri, Curimataú e Seridó Paraibanos, do Polo da Borborema, rede de sindicatos rurais que atua em 14 municípios da região da Borborema e as organizações Propac (Programa de Promoção e Ação Comunitária), Camec (Central das Associações Comunitárias do Município de Cacimbas e Região) e Cepfs (Centro de Educação Popular e Formação Sindical) que atuam em municípios do Médio Sertão Paraibano.

As experiências apresentadas têm em comum diversos pontos, como uma comunicação ascendente, enraizada nas práticas locais, construída na perspectiva da transformação social, que é resultado do fluxo de informações entre as famílias e sua comunidade e as organizações que as representam e a sociedade. Esse trabalho promove a socialização do conhecimento, das emoções, experiências e vivências que são a base do fortalecimento de um modelo de agricultura familiar agroecológica e mais além, um modelo de sociedade, baseada em princípios como a solidariedade e a união.

Comunicação popular e direito à comunicação

Ainda no primeiro dia do Encontro, foi realizada a mesa de debate: “Comunicação Comunitária, comunicação popular e direito a comunicação”, da qual participaram Glória Batista, da Coordenação Nacional da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), Maria de Fátima Pereira da Costa, agricultora da Comunidade Riacho dos Currais, município de São Bentinho, no Sertão Paraibano e Rosa Sampaio, jornalista e integrante do Fórum Pernambucano de Comunicação, de Recife.

Glória Batista iniciou sua fala fazendo um resgate da trajetória da ASA no campo da comunicação: “A criação da ASA surgiu como uma resposta a uma conjuntura em que o Semiárido era mostrado como um lugar feio, sem vida, não próspero. Então nós desencadeamos o nosso primeiro processo de comunicação, que foi entre as entidades, um intenso processo no sentido de nos fortalecermos enquanto rede para dizer que sim, é possível conviver aqui e o Semiárido é diferente de como é mostrado”, afirmou

Fátima Pereira dos Santos afirmou que os programas de mobilização social para convivência com o semiárido, desenvolvidos pela ASA, representaram uma nova oportunidade para o desenvolvimento da sua comunidade e expressou a importância de uma comunicação libertadora, que permite a compartilhamento de saberes e a troca de conhecimento estar imbricada nessa construção: “A comunicação tem um poder transformador, e a minha comunidade é fruto dessa transformação. Foi a partir da chegada das cisternas, dos momentos de formação, que tivemos acesso ao conhecimento e passamos a valorizar o local onde vivemos.

Construímos nossa capela, que foi o nosso primeiro espaço para reuniões, um espaço de comunicação. Hoje possuímos uma unidade de extração de mel, um espaço de vivências e uma cozinha comunitária onde beneficiamos frutas para vender para o PAA e o PNAE, já temos um boletim comunitário com a nossa experiência e recebemos visitas de outras comunidades e de escolas”, disse a agricultora.



Rosa Sampaio falou sobre a necessidade dos movimentos sociais compreenderem a importância de enxergar a comunicação como um direito e como um serviço público, que precisa de controle social, de modo que possa servir ao interesse público, como proposta para isso, citou a campanha de coleta de assinaturas para uma lei de iniciativa popular que propõe a democratização da mídia: “Enquanto a gente não conhecer e não acessar esse direito, vamos continuar tendo muita dificuldade de nos sentir representados na mídia tradicional que está aí, que não considera as nossas experiências e que é uma das maiores responsáveis pela estigmatização da vida no campo e a criminalização das lutas. Nós temos direito de sermos representados, precisamos lutar por outro modo de visibilidade”.

Após a mesa, houve um debate sobre o conteúdo das três falas, onde o grupo refletiu sobre o trabalho de comunicação realizado pelas organizações da ASA Paraíba em seus territórios e de que forma ele contribui para a construção do projeto de convivência com o Semiárido defendido pelo conjunto de suas organizações. O debate abrangeu ainda uma análise do contexto atual de extrema concentração dos meios de comunicação, criminalização dos movimentos sociais e como está se construindo focos de resistência a essa realidade.

No segundo dia de evento, três oficinas aprofundaram o diálogo em torno dos temas: Rádio, Ativismo e Mobilização Social e Redes Sociais. Nestes espaços, os participantes puderam aprofundar as discussões sobre as questões relativas a cada um dos três temas. Na oficina de Instrumentos de Ativismo e Mobilização Social foi feita uma reflexão sobre a contribuição dos diversos coletivos de agitação e propaganda no processo de lutas sociais na política desde o período da Revolução Russa até os dias atuais. Foi apresentado como proposta o desencadeamento de um processo participativo para a reconstrução da logomarca da ASA Paraíba e a produção de um vídeo sobre os 22 anos de história da Articulação no Estado. Além disso, os participantes ainda produziram um painel ilustrativo com o lema do último Encontro Nacional da ASA (Enconasa): “É no Semiárido que a vida Pulsa! É no Semiárido que o povo resiste!”.



A oficina de Rádio debateu o papel e o lugar da ferramenta na construção do projeto político da ASA, além de lançar um olhar sobre experiências bem sucedidas no campo das chamadas “Rádios Livres”, na conhecida e necessária, “Reforma Agrária do Ar”, numa alusão ao movimento que se contrapõe a criminalização das rádios de inspiração comunitária e defende a democratização do acesso ao rádio.

O grupo que aprofundou o tema das Redes Sociais, foi além e debateu as novas tecnologias, quais as implicações do seu uso e de que forma podemos estar presentes nas redes, sem deixar de ter um olhar crítico para esta ferramenta, seus desafios e limitações.

O terceiro e último dia do Encontro foi dedicado aos encaminhamentos e definições práticas para fazer avançar noestado o processo de construção coletiva de uma política de comunicação da rede e também para pensar em formas de fazer as discussões do encontro serem irradiadas para todos os territórios, para um conjunto mais amplo de pessoas e organizações. Entre os encaminhamentos está a elaboração de uma agenda de atividades coletivas, a construção da fanpage estadual, o mapeamento das organizações do estado e das rádios comunitárias, a preparação para o encontro regional de comunicação, que ocorrerá em Mossoró-RN e o fortalecimento da campanha pela implementação da lei da mídia democrática.

O Encontro Estadual de Comunicação faz parte de um processo de eventos de formação destinados a debater o lugar e a importância da comunicação na construção do modelo de convivência que vem sendo construído pelas organizações da ASA em todo o Semiárido Brasileiro. Também faz parte das comemorações dos 15 anos da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e dos 22 anos da ASA Paraíba.

Fonte: CENTRAC

 

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